Juízes acusam Presidente do Supremo de transformar a classe judicial em curandeiros - Na Mira do Crime
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Juízes acusam Presidente do Supremo de transformar a classe judicial em curandeiros

Juízes acusam Presidente do Supremo de transformar a classe judicial em curandeiros


Joel Leonardo, Juiz Presidente do Tribunal Supremo e  Sebastião Jorge Bessa, Juiz da província de Luanda, estão a ser acusados de pretenderem  transformar a classe judicial em classe de curandeiros, porque os juízes dizem que as condições que estão a ser criadas para eles trabalharem não conferem dignidade nenhuma.   

Por: Matias Miguel 

Os Juízes, que preferiram o anonimato por recear represálias, afirmaram ao NA MIRA DO CRIME que estão perante um atentado ao poder judicial, devido a alguns actos de "pouca vergonha", consubstanciados na construção de uma espécie de lanchonettes em áreas reservadas para refrigeração nos andares do Palácio Dona Ana Joaquina, que deverão servir como gabinetes da classe. 

Os entrevistados mostraram à nossa equipa de reportagem alguns "quartitos" de três metros de comprimento e dois de largura, quatro de cada lado, projectados para servirem de gabinetes dos juízes, para o desagrado destes.

"É caso para dizer que acabaram de assinar o passaporte de Juiz para Curandeiro", atirou. 

"Queremos com isso dizer que passamos a cozinhar do carvão para a lenha, para além de que a estrutura é feita de material cancerígeno, o que nos leva a estar perante uma morte súbita", compararam. 

Eles fizeram saber que esta situação não é nova. Aliás, disse um juiz, este tipo de manobra faz com que o país deixe de se preocupar com a construção de edifícios para a classe, "porque os que estão no pódio acham estarmos bem acomodados".

"O Juiz Bessa detém um escritório no Tribunal Supremo e outro aqui, onde vem apenas assinar papéis esquecendo-se de nós que trabalhamos nessas condições", acusou. 

O Juiz lembrou que o tribunal é um órgão independente e soberano, mas desde 1975, o país não constrói um Palácio de Justiça, tirando o único que existe na Província do Bié, que é de raiz e dois abandonados à sua sorte no município do Cazenga e outro na província de Malange. 

Um outro funcionário sénior do Tribunal Provincial Dona Ana Joaquina sublinhou que, nas condições actuais, a susceptibilidade de um Juiz ser corrompido torna-se mais evidente. "O Juiz Joel só veio piorar a classe, isso agora tornou-se num quartel onde existe um chefe que determina cumprir e reclamar depois. 

Juíza é transferida por reclamar 

Informações chegadas ao NA MIRA DO CRIME dão conta que Zuléica, Juíza Vice-Presidente da 17ª Secção, foi transferida por fazer uma reclamação de enquadramento de pessoal seleccionado, sobretudo aqueles que mostraram capacidade para as novas funções. 

Só que, refere a fonte, na hora H, e do nada, surge o pessoal da conveniência "do chefe Bessa", vindo de outras latitudes. Foi no meio dessas conveniências que apareceu  também o substituto da Juíza Zuléica, "em atropelo às regularidades que regem o processo".  

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