Personagem de segundo plano? Chivukuvuku vai beneficiar-se da UNITA ou o “Galo Negro” vai tirar proveito de Abel?
A Frente Patriótica Unida (FPU) vai participar nas eleições gerais do corrente ano sob os símbolos da UNITA e, os seus dirigentes, vão integrar as listas deste partido. Esta situação tem levantado muitas dúvidas na sociedade angolana, levando os cidadãos a questionar: quem vai participar nas eleições, a UNITA ou a FPU? Qual será o papel de Abel Chivukuvuku?
Por: Alves Pereira
Integrada pela UNITA, Bloco Democrático, o projecto PRA JA - Servir Angola e por demais entidades políticas e da sociedade civil de forma individual, independente da sua filiação partidária, a Frente Patriótica Unida (FPU) vai concorrer às próximas eleições gerais enquanto plataforma política, porém sem identidade própria e abrigada sob os símbolos da UNITA.
Como se tem explicado, a FPU é uma estratégia pré-eleitoral "ad-hoc" que visa resistir às manobras do MPLA para enfraquecer os adversários enquanto controla a máquina eleitoral e o sistema judicial a seu favor, bem como contornar os demais entraves que possam surgir para desviar o sentido de voto dos cidadãos.
Depois de aturadas análises por parte dos seus membros, chegou-se à conclusão de que seria conveniente o modelo de integração nos símbolos da UNITA, condição aceite pelos políticos Abel Chivukuvuku, coordenador do projecto PRA JA - Servir Angola e do líder do Bloco Democrático, Filomeno Vieira Lopes, assim como das demais entidades da sociedade civil que fazem parte da plataforma, considerando que, para a FPU apresentar-se como coligação com uma entidade própria, significaria que os partidos integrantes teriam que suspender a sua identidade em benefício da frente o que implicaria a concepção de símbolos e a eleição de um presidente a nível do colégio presidencial das forças coligadas.
Analistas do cenário político angolano são de opinião que tal processo levaria muito tempo e o regime político no poder iria certamente encontrar artimanhas para criar obstáculos a todo processo nesse sentido.
Enquanto isso, as dúvidas que estão a ser levantadas pelos cidadãos têm a ver com Abel Epalanga Chivukuvuku, político carismático, com um grande poder de persuasão e mobilização das massas populares, bastante apreciado na sociedade angolana e que goza de inegável popularidade a nível nacional, com destaque para as províncias de Luanda e Benguela.
Alguns dos seus pronunciamentos têm merecido aplausos dos seus simpatizantes e de grande parte da sociedade.
Neste sentido, ao fazer parte das listas da UNITA, cujo cabeça-de-lista será o seu líder, Adalberto da Costa Júnior, que também é o coordenador-geral da FPU, Chivukuvuku terá de se contentar com um lugar de deputado.
Esta condição, aludem os analistas, não encaixa bem na personalidade de Chivukuvuku, político que, quando militou na UNITA foi considerado como o “Delfim de Savimbi” porque os militantes viam nele o substituto ideal do líder- fundador.
Contudo, Chivukuvuku acabou posteriormente por afastar-se da UNITA por razões de liderança e fundou, em parceria com outras individualidades, a coligação CASA-CE que liderou durante alguns anos. Enquanto presidente da CASA-CE, Abel Chivukuvuku mostrou o seu potencial como político, líder e aglutinador de massas de craveira, mas teve que deixar a liderança da coligação.
Não deixando os seus créditos em mãos alheias criou o projecto político PRA JA –Servir Angola para a constituição de um novo partido.
Porém, a sua pretensão não vincou porque o Tribunal Constitucional “chumbou” consecutivamente o processo com justificações que geraram muita polémica, reiterando-se que os tribunais continuam a depender de interferências políticas e/ou de “orientações superiores”.
Ainda de acordo com analistas, Chivukuvuku não é um “personagem” de segundo plano e, nos moldes em que está a FPU, apenas beneficia a UNITA, com a agravante de que muitos militantes do “Galo Negro” não o veem com “bons olhos” porque o consideram “traidor” por ter abandonado as suas fileiras.
“Muitos militantes da UNITA não aceitam a presença do político Abel Chivukuvuku nem de outras figuras políticas estranhas à organização na sua lista de deputados porque receiam que estes lhes tirem o lugar”, referem, acrescentando que “os militantes da UNITA são conservadores e não aceitam bem determinadas figuras fora das suas hostes, aliás, recordam com bastante mágoa as confusões criadas por Makuta Nkondo e David Mendes que aproveitaram-se do seu partido como se de um trampolim se tratasse e depois de apanharem o lugar de deputado, transformaram-se em detractores e adversários com intenção de semear discórdia e o caos no seio da UNITA”.
A este propósito, Abel Chivukuvuku diz não estar preocupado com essa questão, porque “o menos importante é quem lidera a FPU ou vai ser o cabeça-de-lista.
Estamos sim saturados com o actual ambiente político no país que não permite uma competição partidária em condições de igualdade e um partido continua a ser mais favorecido do que os outros”.
O político salientou que a plataforma está aberta a todos os que queiram afastar do poder o MPLA nas próximas eleições gerais. “Ainda há vagas para a Frente Patriótica”, alertou.
FPU dominada pela UNITA
Assim sendo, fazendo jus ao que se vai comentando, são cada vez mais evidentes que a FPU é na realidade dominada pela UNITA.
Veja-se que no dia 09 de Maio, em Luanda, o deputado da UNITA, Paulo Lukamba Gato, foi empossado no cargo de director-geral da campanha eleitoral da Frente Patriótica Unida (FPU).
Os líderes da FPU, nomeadamente Adalberto da Costa Júnior, presidente da UNITA, maior partido na oposição, Filomeno Vieira Lopes, presidente do Bloco Democrático e Abel Chivukuvuku, coordenador do projecto político PRA Ja - Servir Angola, presidiram a cerimónia.
Para a direcção-geral da campanha eleitoral da FPU, Lukamba Paulo Gato vai contar com Álvaro Chikuamanga Daniel, Américo Chivukuvuku e Muata Sebastião como adjuntos.
A direcção nacional de controlo e defesa do voto a nível da plataforma política, terá como director Faustino Mumbica e adjuntos Florêncio Canjamba e Nelson Pestana Bonavena.
Para a direcção nacional da mobilização eleitoral foi empossado como director Jorge Martins da Cruz e os adjuntos Ana Bela Sapalalo e João Adão Alfredo Baruba.
A deputada Sofia Mussonguela vai comandar a direcção nacional das Finanças da campanha FPU e esta terá como adjuntos Isaías Sambangala e Ernesto Kessongo.
Kutesa Gate tomou posse para o cargo de director da direcção nacional de tecnologias de informação e Nelson Kutendana João e Ramiro Caquita serão seus adjuntos. A direcção nacional de publicidade terá como responsável Domingos Joana.
O activista Nuno Álvaro Dala, do conhecido processo 15+2, tomou posse como director nacional de pesquisa e análise da campanha eleitoral da FPU e tem como adjuntos Figueiredo Mateus e Sebastião Roberto.
Alcino Cuvelela vai dirigir a comunicação e imagem da campanha da Frente Patriótica Unida, Samuel Chivukuvuku e Massoxi Paxi Martins serão seus adjuntos.
As próximas eleições gerais em Angola, as quintas da história política do país, estão previstas para a segunda quinzena de Agosto próximo, como estabelece a Constituição da República de Angola (CRA), revista em 2021.
O coordenador-geral da FPU e presidente da UNITA, Adalberto da Costa Júnior, felicitou na ocasião os membros empossados, observando que lhes foi confiada a missão para a alternância nas próximas eleições.
Adalberto reiterou o apelo à "não violência, não aos discursos acelerados e agressivos; não há rigorosa necessidade de o fazermos, mas também entendemos que o longo tempo de governação levou a adopção de muitos vícios e de muita resistência", salientou o político, para quem é chegada altura de Angola abraçar um pressuposto fundamental para sermos uma democracia, que é a alternância política.
Adalberto da Costa Júnior, alertou para a necessidade de os cidadãos registados consultarem previamente os cadernos eleitorais. Quanto à postura da comunicação social, sobretudo pública, disse que “deve abrir-se um pouco mais à abordagem de eleições serem um ambiente de festa; não deve deixar de ser diariamente um elemento de educação e didática", enfatizou.











