Dia de África: Por um continente próspero e pacífico para todos
África é o terceiro continente mais extenso (depois da Ásia e da América) com cerca de 30 milhões de quilômetros quadrados, cobrindo 20,3% da área total da terra firme do planeta. É o segundo continente mais populoso da Terra (atrás da Ásia) com cerca de um bilião de pessoas (estimativa de 2005), representando cerca de um sétimo da população mundial, e 54 países independentes.
Por: Quim Alves
O Dia de África (anteriormente chamado Dia da Liberdade de África e Dia da Libertação de África) é a comemoração anual da fundação da Organização da Unidade Africana (OUA), hoje conhecida como União Africana, a 25 de Maio de 1963.
É comemorado em vários países do continente africano, assim como em todo o mundo.
O Primeiro Congresso dos Estados Africanos Independentes realizou-se em Acra, no Gana, a 15 de Abril de 1958.
Foi convocado pelo Primeiro-Ministro do Gana Dr. Kwame Nkrumah, tendo participado representantes do Egipto, então parte integrante da República Árabe Unida, Etiópia, Gana, Libéria, Líbia, Marrocos, Sudão, Tunísia e a União Popular dos Camarões. A União da África do Sul não foi convidada.
A conferência apresentou o progresso dos movimentos de libertação no continente africano, simbolizando também a determinação dos povos da África para libertar-se do domínio e exploração estrangeiros.
Embora o Congresso Pan-Africano estivesse a trabalhar em direção a objectivos semelhantes, desde a sua fundação, em 1900, esta foi a primeira vez que uma reunião deste género teve lugar em solo Africano.
A Conferência apelou para a instituição de um Dia Africano da Liberdade, um dia que "...marcasse a cada ano o progresso contínuo do movimento de libertação, e que simbolizasse a determinação dos povos de África, para libertar-se do domínio e exploração estrangeiros."
A conferência foi notável por ter criado a base para as reuniões subsequentes de chefes de estado e de governo africanos, na era do Grupo de Casablanca e do Grupo de Monróvia, até à formação da OUA em 1963.
Recorde-se que, cinco anos após o Primeiro Congresso, a 25 de Maio de 1963, representantes de trinta países africanos reuniram-se em Adis Abeba, na Etiópia, tendo por anfitrião o Imperador Haile Selassie.
Mais de dois terços do continente havia já obtido então a independência, sobretudo dos estados imperiais europeus.
Neste encontro, a Organização da Unidade Africana foi fundada com o objectivo inicial de incentivar a descolonização de Angola, Moçambique, África do Sul e Rodésia do Sul.
A organização comprometeu-se a apoiar o trabalho realizado por combatentes da liberdade, e remover o acesso militar às nações coloniais. Foi estabelecida uma carta de princípios que procurou melhorar os padrões de vida entre os estados-membros. Selassie, exclamou: "Possa esta convenção da união durar mil anos”.
A carta foi assinada por todos os participantes no dia 26 de Maio, com excepção de Marrocos. Nessa reunião, O Dia da Liberdade de África foi renomeado Dia da Libertação de África.
Em 2002, a OUA foi substituída pela União Africana. No entanto, a celebração, renomeada como Dia de África continuou a ser comemorada a 25 de Maio, por respeito à formação da OUA.
O Dia de África continua a ser celebrado tanto em África, como no resto do mundo, sobretudo a 25 de Maio. No entanto, em alguns casos, as celebrações podem ser estendidas por dias ou semanas. Os temas são definidos para cada ano. Em 2015, o tema foi o "Ano do Empoderamento das Mulheres e o Desenvolvimento em direcção à Agenda de África 2063".
No mesmo ano, num evento em Nova Iorque, o Vice-Secretário-Geral das Nações Unidas, Jan Eliasson, entregou uma mensagem do Secretário-Geral Ban Ki-moon, com as palavras: "Vamos... intensificar os nossos esforços para fornecer às mulheres africanas melhor acesso à educação, trabalho e saúde e, com isso, acelerar a transformação de África".
Mensagem do SG da ONU
O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterrez, a propósito do 25 de Maio, Dia de África, realçou que “África é um lar de esperança. No Dia de África, celebramos a enorme promessa e potencial deste continente diverso e dinâmico”.
Segundo o SG da ONU, as perspectivas no horizonte são brilhantes – da crescente e vibrante população jovem de África, a iniciativas como a Área de Livre Comércio Continental Africana, a Década da Inclusão Financeira e Económica das Mulheres e a visão ousada da União Africana para o futuro: a Agenda 2063.
Mas hoje, também somos lembrados dos múltiplos desafios que impedem que África atinja todo o seu potencial – incluindo a pandemia da Covid-19 e o seu impacto arrasador nas economias africanas, mudanças climáticas, conflitos que estão por resolver e uma grave crise alimentar.
Para agravar tudo isto, a guerra na Ucrânia está a criar a “tempestade perfeita” para os países em desenvolvimento, especialmente em África.
Esta crise está a resultar no aumento dos custos dos alimentos, da energia e de fertilizantes, com consequências arrasadoras na nutrição e nos sistemas alimentares, tornando ainda mais difícil para o continente mobilizar os recursos financeiros necessários para investir na sua população.
A União Africana designou 2022 como o Ano da Nutrição. No Dia de África deste ano, o mundo deve unir-se em solidariedade com todos os africanos para fortalecer a segurança alimentar e colocar a nutrição ao alcance de todas as pessoas.
Também devemos intensificar os nossos esforços para acabar com a pandemia, reformar o sistema financeiro global, interromper as mudanças climáticas e silenciar as armas em todos os conflitos.
As Nações Unidas continuarão, orgulhosamente, ao lado dos africanos enquanto trabalhamos para cumprir a promessa de uma África próspera e pacífica para todos.











