Príncipe Harry chega hoje ao país
Num “post” na rede social Instagram, na quinta-feira, 29 de Agosto, partilhado pelo jornal “The Daily Mail”, o Príncipe, 34 anos, falou da “ligação” com Angola e realçou a importância do Delta do Okavango e o seu impacto na preservação do ecossistema e da vida animal no planeta Terra.
“Sei que o ecossistema (no Delta do Okavango) é selvagem no seu melhor, jogando um papel crucial absoluto para o Planeta, pessoas e para a vida selvagem. É a nossa única oportunidade para salvar este magnífico e último Éden (na Terra)”, escreveu Harry no “post”, associado a uma imagem sobre uma campanha da National Geographic de recolha de fundos para produzir um documentário sobre a vulnerabilidade do ecossistema crítico do Delta do Okavango e os seus rios afluentes em Angola.
A nota refere que “Sua Alteza Real está grato” em ver uma parceria entre a National Geographic, o Governo angolano e a Organização Não-Go-
vernamental The Halo Trust, na protecção do habitat natural e apoio à gestão sustentável dos rios.
“Milhões de pessoas, segurança alimentar e a geração de energia na região dependem do fluxo livre dos rios” do Delta do Okavango, acrescentou o Príncipe, ao falar dos perigos da destruição do ecossistema.
“Conhecido pelos habitantes locais como ‘Fonte da Vida", este ecossistema é in-tacto no seu melhor, desempenhando um papel absolutamente crucial para o planeta, as pessoas e os animais selvagens. Esta é a nossa única possibilidade de salvar este magnífico Éden”, acrecentou.
O legado da Princesa
A primeira visita do Príncipe Harry a Angola, há cerca de seis anos, esteve focada num projecto de desminagem humanitária, o mesmo propósito que trouxe a sua mãe ao país, em 1997.
Durante a sua visita, em Janeiro desse ano, Diana de Gales, das maiores defensoras da retirada das minas terrestres dos antigos campos de guerra, deslocou-se à província do Huambo. As imagens da Princesa com crianças mutiladas e a percorrer um campo minado colocaram o assunto na agenda internacional.
Seis anos após a visita da mãe, Harry, quinto na linha de sucessão ao trono inglês, veio a Angola com o mesmo propósito. Em 2013, esteve cá no âmbito da campanha para remover minas terrestres em algumas partes do país.
Harry e a mulher disseram estar ansiosos por realizar esta visita, por encontrar no terreno muitos dos que ali trabalham e continuar a sensibilizar a comunidade internacional para o impacto do trabalho que as comunidades locais fazem pela Commonwealth e não só.
Angola deu a conhecer, no ano passado, o interesse em aderir à organização, que junta 53 países no mundo, a maioria, antigas colónias britânicas, os quais recebem visitas regulares de representantes da Rainha Isabel II, nomeadamente do príncipe.
Áreas minadas
Recentemente, Harry participou no anúncio de um projecto para limpar os campos minados dos parques naturais de Mavinga e Luengue-Luiana, da bacia do rio Okavango, na província do Cuando Cubango, para o qual o Governo angolano anunciou o investimento de 60 milhões de dólares.
O projecto é dirigido pela Organização Não-Governamental britânica Halo Trust, que apelou a mais donativos para tornar seguras as terras em redor dos parques naturais.
O chefe do Gabinete de Intercâmbio e Cooperação da Comissão Nacional Intersectorial de Desminagem e Assistência Humanitária (CNI-
DAH), Adriano Gonçalves, disse, recentemente, à impren-sa, à margem do Workshop sobre a Estratégia Nacional do Sector de Acção Contra as Minas em Angola, que o país tem 1.220 áreas afectadas por esses artefactos.
As províncias mais afectadas são o Cuando Cubango, Moxico, Cuanza-Sul e Bié e o país precisa de 300 milhões de dólares para estar livre de minas até ao ano de 2025, como estipulado na Convenção de Ottawa, de 2014.
As áreas afectadas somam um total de 105 milhões de metros quadrados. Em 2007, o país tinha 1.600 áreas minadas e, fruto de um grande empenho do Governo e das ONG, esse número foi reduzindo, havendo províncias que já se encontram livre de minas, como Malanje, Namibe e Huambo. Porém, nos últimos 10 anos, os apoios para a desminagem em Angola têm decrescido.
Só no Cuando Cubango, segundo a operadora de desminagem humanitária Halo Trust, existem 227 campos minados catalogados, que precisam de 90 milhões de dólares para a sua desactivação. A província enfrenta muitas dificuldades de financiamento, que provocaram a redução significativa das actividades de desminagem.











