A Justiça hoje melhorou bastante porque não se limita só a prender ladrões de galinhas - JLO
O Presidente da República, João Lourenço, concedeu na manhã de quinta-feira (09), uma conferência de imprensa, em directo, que durou cerca de duas horas a doze órgãos de comunicação social públicos e privados, em que teceu diversas considerações acerca da sua governação e do que considera ser a realidade do país, bem como respondeu às questões postas pelos jornalistas
Por: Alves Pereira
Como realce das suas declarações, entre outras, destaca-se que o Chefe de Estado disse que, em caso de vitória do seu partido nas próximas eleições gerais e sendo reconduzido para um segundo mandato, a sua prioridade (principal) será o combate à seca nas províncias mais afectadas pelo fenómeno, no Sul do país, Cunene, Huíla e Namibe.
Outra prioridade será a continuação do combate à corrupção e a recuperação de mais activos recuperáveis. Em seu entender, a Justiça hoje melhorou bastante porque não se limita só a prender “ladrões de galinhas”.
João Lourenço disse que não pretende desistir da recuperação de activos “porque isso significa desistir da luta contra a corrupção" e vai continuar a apostar na recuperação de activos, lembrando que alguns dos activos que foram recuperados, estão agora a ser aplicados em diversos sectores com destaque para o programa de investimentos públicos.
Em sua opinião, os recursos recuperados pertencem ao Estado e “estamos a mostrar obra, nos municípios, o PIIM (Plano Integrado de Intervenção nos Municípios) está a ser uma revolução, com obras de unidades hospitalares, escolas, recuperação de vias, água, e outro tipo de projectos; está aí o PIIM a mostrar trabalho, mas a fonte é apenas uma".
Tocando no "Caso Lussaty”, o Presidente fez questão de ressaltar que o mesmo não foi “congelado” e que “ virá a público dentro em breve".
Na sua incursão pelos diversos sectores da vida nacional, o ênfase foi para a saúde, afirmando que é o sector em que o Estado está a prestar mais atenção.
"Nos últimos quatro anos tem havido uma grande aposta neste sector", afirmou, sublinhando que, durante o seu mandato foram construídas e apetrechadas com equipamento de ponta 85 unidades de saúde em todo país, mas ainda estão a ser contruídos, alguns já em fase de conclusão, diversos hospitais gerais como o de Viana, Cacuaco, Ndalatando, Mbanza Kongo, Uíge, Dundo, Cunene, Catumbela, entre outros. Há ainda unidades de nível terciário em construção em municípios que terã a capacidade de 200 camas.
Tudo isto é fruto de um esforço enorme e de um investimento gigantesco que não acontece em qualquer país e merece ser reconhecido, fez questão de frisar.
O Chefe de Estado referiu que o sector da saúde tem sido visto com muito carinho; “estamos a investir não só no betão como também nos profissionais, estamos a postar em jovens que se formaram, a investir na criação de emprego", afirmou, garantindo ainda que está em agenda a construção de um hospital universitário de raíz e o que sempre prestou essa função, Américo Boavida, beneficiará de obras de requalificação para se tornar uma unidade das mais bem equipadas e modernas do país.
Como se está em período eleitoral e não podia deixar de ser, respondendo a perguntas que lhe foram postas, garantiu que os observadores eleitorais internacionais e nacionais vão ser convidados dentro dos prazos legais existentes e pelas entidades que o podem fazer.
Minimizando a preocupação de alguns partidos políticos da oposição, disse que a lei será cumprida e todos vão poder convidar os observadores eleitorais nacionais e internacionais da sua conveniência.
Porém, observou, ao contrário do Presidente da República e da CNE, as restantes entidades que queiram formular convites aos observadores eleitorais têm de submeter os dados sobre os convidados à CNE que é a entidade que envia os convites, sejam eles directos ou indirectos.
Recorde-se que, de acordo com a Lei Eleitoral, os convites aos observadores eleitorais podem ser feitos, directamente, pelo Presidente da República e pela Comissão Nacional Eleitoral (CNE), e indirectamente pelos partidos políticos, Tribunal Constitucional ou Assembleia Nacional.
Quanto aos prazos, a lei estipula 30 dias antes do início da campanha eleitoral que, por sua vez, começa 30 dias antes da data da ida às urnas. Durante esse tempo, os observadores internacionais permanecem no país até à divulgação dos resultados finais.
Uma situação que foi marcante durante o seu mandato, foram as várias manifestações públicas e uma onde de greves sem precedentes no país, ao que respondeu que tanto as greves como as manifestações são o normal num país que se quer democrático, porque os cidadãos têm esse direito e podem exercer esse mesmo direito à manifestação e à greve.
Explicando que tem havido diálogo para se ultrapassar alguns constrangimentos, como as greves que aconteceram nos sectores da saúde e do ensino superior, áreas fundamentais para o país, João Lourenço concordou que a greve da saúde foi preocupante pelas consequências. “Houve diálogo com os sindicatos, o Estado acabou por oferecer um incremento salarial de 6% sobre o salário base, mais um incremento do valor dos subsídios e das horas extraordinárias", expôs, concluindo que, entre algum descontentamento, chegou-se a entendimento.
Em relação à comunicação social, sector que tem tido inúmeros problemas, o Presidente da República admitiu que Angola ainda não tem uma comunicação social ideal porque "ainda não atingiu o nível de perfeição como noutros sectores, mas um dia teremos a comunicação social que o país merece".
João Lourenço garantiu grandes investimentos para o sector da energia e águas e breve melhoria da situação de grande parte das localidades do país, cujas populações passarão a ter abastecimento condigno de água e de energia. “Uma energia limpa e que a natureza vai agradecer pois vamos reduzir ao máximo os actuais níveis de poluição, alé de que o Estado vai poupar milhões de dólares com o consumo de combustível diesel”, frisou.
Garantiu ainda investimentos, com possíveis parcerias público-privadas, na recuperação e construção de estradas em todo país.











