Investidas do regime contra ACJ conduziram a efeitos contraproducentes - Na Mira do Crime
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Investidas do regime contra ACJ conduziram a efeitos contraproducentes

Investidas do regime contra ACJ conduziram a efeitos contraproducentes


O Instituto Superior de Engenharia do Porto (ISEP) confirmou que o presidente da UNITA, Adalberto da Costa Júnior, concluiu a formação em engenharia eletrotécnica naquele estabelecimento de ensino em 1995, obtendo o grau de bacharel

Por: Alves Pereira

A presidência do ISEP vem assim pôr cobro a um assunto que mexeu sobremaneira com a sociedade angolana, principalmente em círculos políticos, gerando diversas especulações, numa época em que as eleições gerais, a serem realizadas em Agosto próximo, estão no centro de todas atenções, tanto a nível interno como externo.

O ISEP esclarece que o líder do maior partido da oposição em Angola, UNITA, obteve o grau de bacharel em engenharia eletrotécnica naquele instituto, em 13 de Dezembro de 1995.

À data, os cursos daquele instituto politécnico apenas conferiam o grau de bacharelato, que foi concluído, com uma média final de 11 valores.

A situação que se gerou, despoletada há alguns dias pela revista Sábado, editada em Portugal, expunha que Adalberto da Costa Júnior, presidente do partido UNITA, “que se apresenta como engenheiro eletrotécnico”, não teria concluído a licenciatura, nem no ISEP nem na Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto.

A referida notícia, sublinhe-se, tem sido apontada como “encomendada” com o fim único de “sujar” Adalberto e desencorajar o eleitorado da UNITA.

Para analistas do cenário político angolano, o assunto não era mais que uma nova manobra para desmoralizar o líder da UNITA que, desde que foi eleito, tem sido alvo de severos ataques gizados pelo regime que tudo tem feito para que seja “apagado politicamente”.

A campanha anti - Adalberto Costa Júnior, terá começado em 2019 e visava impedir a sua eleição para a presidência da UNITA, intenção “camuflada” do regime que pretendia (pretende) a todo custo, afastar do seu caminho e da vida política, um adversário considerado capaz de ameaçar a sua própria sobrevivência, pela sua visão política, clarividência, eloquência e capacidade de mobilização.

Adalberto tem resistido, até agora, com postura tranquila e uma mensagem de paz aos “ataques” que lhe têm sido feitos, tendo sido mesmo reconduzido ao cargo de presidente do partido, depois de ter sido “afastado” por determinação do Tribunal Constitucional.

 Segundo os analistas, o processo de retaliação contra o líder do Galo Negro, “tem a ver com os ‘retrocessos democráticos’ do regime, induzidos por decisões e/ou medidas tomadas nos dois últimos anos, já por efeitos, de forma geral, do ‘imperativo’ de assegurar a sua sobrevivência num ambiente político-eleitoral considerado adverso”.

Para as fontes, “o MPLA denota estar determinado a manter-se no poder, ‘custe o que custar’, porque, como se sabe, o princípio da alternância democrática não tem lugar na cultura política dos seus dirigentes, considerando o que tem vazado dos bastidores e de manifestações em ambientes reservados, que denotam existir entre eles o sentimento de prepotência de que têm poder e dispõem de amplas vantagens que a oposição não pode alcançar, incluindo o controlo hegemónico do Estado”.

Contudo, apesar de toda “maquinaria” em sua posse, a que se junta a actividade reforçada do Serviço de Inteligência e Segurança de Estado (SINSE) no plano da vigilância e/ou controlo da oposição e de meios da sociedade civil considerados “desfavoráveis”, bem como a recuperação de antigos métodos de intimidação, aliciamento e outros, o controlo mais severo dos grandes meios de comunicação social públicos, a imposição de limitações à independência judicial, e a adopção de uma nova “lei eleitoral”, vista como destinada a “legalizar” práticas fraudulentas já registadas no passado, os analistas consideram que as vias até agora usadas na campanha, visando o afastamento de Adalberto Costa Júnior, descritas como coactiva, desinformativa e judicial, não produziram os efeitos pretendidos.

Aliás, afirmam, “tais manobras subversivas conduziram a efeitos contraproducentes que só fez aumentar a impopularidade do regime, com desvantagem para a figura do Presidente João Lourenço, favorecendo em larga escala a UNITA e gerou um clima político e social de simpatia a seu favor”.

A este propósito, “o regime aparenta estar a encarar a ‘fraude eleitoral’como meio para alcançar o fim da sua continuação no poder, apesar disso implicar vários riscos, como entraves, denúncias e protestos públicos, entre outros”, enfatizam.

Diante do actual clima de contestação popular, o destemor e a atitude desafiadora que a sociedade revela em relação ao regime, os dirigentes estarão a reforçar, como tem sido anunciado nos últimos dias, toda a sua máquina de repressão para “contornar” a vontade popular.

 Ainda no que toca às suspeitas em torno da licenciatura do presidente da UNITA, apontadas como originadas em “interesses escusos”, tanto Adalberto como a UNITA não se pronunciaram em nenhuma circunstância sobre as alegações.

Uma fonte interna do Galo Negro contactada por este jornal, que também tentou ouvir o líder da UNITA sem sucesso, apenas respondeu sob anonimato: “os cães ladram e a caravana passa”!

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