O que José Eduardo dos Santos e Michael Schumacher têm em comum?
O internamento de José Eduardo dos Santos no centro médico Teknon, em Barcelona, ao preço diário de oito mil euros, valor cobrado pela clínca para cuidados intensivos, sem contar despesas adjacentes inerentes à “condição especial” do paciente está a ser motivo de muitas conjecturas, havendo mesmo quem diga que o Estado angolano está a fazer uma “boa contribuição” aos espanhóis.
Por: NA MIRA DO CRIME
A questão mais debatida nos últimos dias na sociedade angolana, quiçá a mais badalada dos últimos anos, só rivalizando com os “milhões de Lussaty”, é sem dúvidas a da manutenção do ex-Presidente José Eduardo dos Santos (JES) ligado a máquinas para que o sopro da vida não o abandone de vez.
Entre os que defendem ou não o desligamento das máquinas, pelas mais diversas razões para uns e outros, há uma razão de peso que leva a outras conjecturas e levanta outras questões.
Trata-se do valor elevadíssio que o centro médico Teknon, de Barcelona, em que o antigo chefe de Estado está internado, cobra por cuidados intensivos, ou seja, oito mil euros por dia.
Atendendo a situação especial do paciente, com todo peso político que o envolve, a qualidade do tratamento a que está submetido, o pessoal médico específico, as questões de segurança e outras medidas afins, as despesas diárias ultrapassam de longe o valor cobrado pela clínica.
Há poucos dias, o ministro das Relações Exteriores, Téte António, que esteve em Barcelona chefiando uma equipa, a mandato do Presidente da República João Lourenço, para inteirar-se do estado de saúde de José Eduardo dos Santos, afirmou que “como fez no passado, o Governo vai continuar a assumir as suas responsabilidades, incluindo os custos da hospitalização... trata-se de um ex-Presidente da República e a República de Angola tem responsabilidades acrescidas em situações do género”.
Tete António garantiu que o Governo angolano tem assumido todas as despesas do tratamento do antigo Chefe de Estado, e assim continuará a ser.
Quanto ao facto de desligar ou não as máquinas, o governante afirmou que tal decisão cabe à família, situação que pode arrastar-se por tempo indeterminado.
Considerando que, até ao dia 4 de Julho, completa-se onze dias de internamento de JES, em estado crítico apontado como entre a “vida e morte”, o que já perfaz 88 mil euros, só com base no custo cobrado pela clínica, sem contar as demais despesas referentes a outros serviços e adjacentes anteriormente referidos.
Se a situação se arrastar por muito mais tempo, o Estado angolano terá de desembolsar somas astronómicas para continuar a custear as despesas para manter JES a “respirar”.
Ora, diante de um quadro de contenção de gastos decretado pelo Presidente João Lourenço face à crise económica e financeira em que o país se encontra, agravada nos últimos três anos pela pandemia de Covid-19, esta situação, não prevista pelo OGE (orçamento geral do estado), pode constituir um imperativo que poderá obrigar o Executivo a “mexer” em outras reservas.
A este propósito, levantam-se outras questões: Enquanto que para alguns angolanos José Eduardo dos Santos merece tudo isso e muito mais por ser um marco indelével da História de Angola e da memória colectiva dos povos, tendo aguentado o regime que herdou em meio à guerra fria, enfrentou e contornou com serenidade as imposições soviético – cubanas, aguentou décadas de guerra civil e conseguiu, ante enormes pressões, manter a integridade territorial, a dignidade do povo angolano até chegar à paz, para outros, JES deixou uma “herança de pilhagem e de sequestro do país, que foi vergado aos interesses de uma oligarquia por ele criada”, que implantou a corrupção a todos níveis, destruiu os valores mais elementares de uma sociedade e afectou a moral e idoneidade dos angolanos em geral.
Em meados de 2020, José Eduardo dos Santos era considerado, por análises de conceituadas instituições internacionais, de ser o “líder destacado” dos cinco maiores ricos de Angola, cuja fortura estava avaliada em mais de 20 mil milhões de dólares.
Segundo as referidas análises, na altura, JES era a pessoa mais influente e mais rica de Angola, e um dos mais poderosos homens de África.
O seu património líquido foi arrecadado durante o tempo em que esteve no poder, entre 1979 e 2017.
Hoje por hoje, sobretudo diante do tenebroso quadro em que se encontra, são muitas as suposições que se fazem à volta da sua fortuna. O que foi feito ou tem sido feito com o dinheiro?
Algumas opiniões esboçam um cenário de possível empobrecimento, ao passo que outras referem que em meio aos gastos que foram efectuados desde que deixou o poder, incluindo com problemas de saúde, JES ainda é um homem bastante rico.
Enquanto isso, a saga prossegue e novos desenvolvimentos surgirão.
Semelhança JES e Schumacher
Fazendo um breve paralelismo da situação de José Eduardo dos Santos com a do heptacampeão do mundo de Fórmula 1, Michael Schumacher, há a referir que, como tem sido noticiado, JES terá sofrido uma queda nas escadas da sua residência, em Luanda, e Schumacher foi hospitalizado na sequência de um acidente de esqui sofrido nos Alpes Franceses, em 2013, e permanceu em estado de coma por seis anos.
A família, com a esposa Corinna Schumacher à frente, protegeu a situação da forma como podia e, ao que consta, teve que gastar toda a enorme fortuna adquirida pelo automobilista durante a sua vitoriosa carreira.
Embora ainda esteja em vida, o seu verdadeiro estado físico não tem sido revelado.











