Pronunciamentos de Tchizé “destapam” Fernando Miala que anda “camuflado na discrição”
Ao acusar o general Fernando Miala de perseguição e de esconder-se nos bastidores “onde vai manipulando os cordelinhos” e “ludibriando” o Chefe de Estado João Lourenço para se tornar no “presidente-sombra”, fazendo igualmente alusão a uma “ligação suspeita” entre Miala e a ex-esposa de seu pai, Ana Paula, que “planeiam ficar com a herança de José Eduardo dos Santos”, Tchizé dos Santos trouxe ao de cima uma velha questão que não estando esquecida, tem sido motivo de abordagens “suficientemente discretas” em círculos do próprio regime e da sociedade civil
Por: Alves Pereira
Os pronunciamentos de Tchizé dos Santos, de um tempo a esta parte e, sobretudo, nos últimos dias, com o passamento físico do seu pai, o antigo Presidente de Angola, José Eduardo dos Santos, polémicos quanto bastem, analisados dos mais diversos ângulos e comentados à exaustão por diferentes personalidades no vasto universo das redes sociais, e não só, embora considerados contraproducentes, insensatos e até abomináveis, na visão de muita gente, também estão a merecer outras leituras por parte de competentes analistas.
Para os referidos analistas, Tchizé levanta um “véu” que “destapa” velhos e actuais assuntos que, também busculam o combate à corrupção.
Por exemplo, o general Fernando Garcia Miala, chefe do Serviço de Inteligência e Segurança de Estado (SINSE), é apontado como detentor de uma vasta fortuna que, como se pode avaliar, não terá sido obtida por vias legais.
Este quesito leva ao tempo em que o próprio Miala ostentava a sua fortuna, “comprava” profissionais, e órgãos, da comunicação social, pelo menos as suas direcções, que passaram a fazer uma enorme campanha de publicidade à volta da sua pessoa, em que o próprio se destacava como protagonista, com o lançamento de projectos de abrangência social, como o “Criança Futuro”, que até certo ponto passou a ser visto como “uma posição descarada que visava ofuscar o Presidente da República” e chamar a atenção da sociedade, principalmente das populações mais simples, para que vissem nele o “autêntico salvador da Pátria”.
Segundo as análises, esse seu plano “terá contribuído para tornar plausíveis as acusações conspirativas que viriam a conduzir ao seu afastamento”, em meio a outros com cunho “maquiavélico” que acabaram por criar-lhe dissabores.
Acrescenta-se que Miala sempre teve envolvimento com a “kamanga” (diamantes), tanto na cobertura à exploração ilegal, como na sua comercialização através dos chamados “contoirs” e “boss(es)” nas Lundas.
Contudo, mesmo com antecedentes sobejamente conhecidos, o general Fernando Miala foi “reabilitado” pelo Presidente João Lourenço em 2018, para assumir a chefia do SINSE.
Sendo um dos que o cambate à corrupção e conexos “passou ao lado”, possivelmente por ser “uma das figuras do regime com mais influência junto do Presidente João Lourenço”, em meios do poder alude-se que o general Miala aparenta não estar à vontade e manifesta que prefere “ficar resguardado”, para evitar o protagonismo e visibilidade anteriores e não ser considerado como uma figura “poderosa” do regime, bem como evitar associações a “intenções obscuras”.
De acordo com informações a que se teve acesso, “o alegado propósito de Fernando Miala em seguir, actualmente, uma linha de conduta discreta na vida pública activa, tem a ver com “a sua vontade de não voltar a passar pela ‘má experiência’ que viveu em 2006, quando foi compulsivamente afastado do cargo de director-geral do Serviço de Inteligência Externa (SIE), despromovido, condenado e preso, em consequência de uma acusação de conspiração”.
Na altura, Miala era uma das mais “poderosas” figuras do círculo presidencial, ou seja, a segunda figura do regime, segundo as informações referidas, cujo “estatuto viria a ser explorado contra ele próprio, através de rumores e/ou acusações de que estaria a tirar partido do poder e influências inerentes ao mesmo, assim como de fundos que tinha sob seu controlo, para alimentar ambições políticas”.
Hoje por hoje, embora “camuflado” na sua alaegada “discrição”, o general Miala, não é benquisto para determinadas pessoas das elites do poder.
Diante de alegada instabilidade derivada de factores como a crise económico-financeira em que o país se encontra, o acentuado nível de desemprego e outros de consequências muito negativas no plano social, a Miala foi confiada a reorganização do SINSE no sentido de aproximá-lo de “padrões de funcionamento próprios de um clássico serviço de Intelligence”, fazendo-o voltar ao antigo papel de “vigilante e guardião” do regime.
Com as eleições gerais à porta, ante uma oposição mais espevitada e decidida em chegar ao poder, constituiu-se no SINSE um “núcleo duro” para “enfrentar os aspectos mais adversos ao regime”, sendo Miala o “elo de ligação” entre esta estrutura e a Presidência da República.
O regime continua a garantir que o combate à corrupção e aos que “delapidaram o Estado” vai prosseguir depois das eleições gerais, atendendo que estão confiantes na vitória.
Assim sendo, figuras como Fernando Miala e muitas outras que têm sido “protegidas” continuarão intocáveis e impunes?
Eis a questão que não se quer calar. Aliás, um outro personagem que está “convenientemente” esquecido, é o antigo ministro da Administração Pública, Trabalho e Segurança Social, Pitra Neto, também detentor de grande fortuna. Este será assunto para as próximas edições!











