Irresponsabilidades de líderes partidários colocam em cheque eleições pacíficas em Angola
Há procedimentos de alguns políticos que, nesta fase em que o país se prepara para as quintas eleições, podem manchar todo processo eleitoral.
Por: António Kanenenene
Um facto irreflectido ocorreu esta semana, com o MPLA e a UNITA a protagonizarem um dos actos que confundem o eleitorado, e podem manchar a verdade eleitoral e riscar tudo o que já foi feito até aqui em matéria de paz e reconciliação nacional.
Primeiro, ficou-se a saber que tem havido negociatas debaixo da mesa sobre eventual transição política fora dos holofotes da imprensa.
Aliás, o assunto só veio à tona porque uma das partes, no caso um dos candidatos assim o quis, em pleno calor da campanha eleitoral.
A outra parte, também, só reagiu de forma incisiva porque considera que a outra parte tem estado a exacerbar um assunto tratado intramuros.
Segundo, ao que se sabe, e em condições normais, uma eventual transição tinha que ter em conta os serviços castrenses a quem a classe política recorre para garantir a ordem no país.
Sabe-se que a ideia de abordar o assunto foi da UNITA, e o MPLA, estranhamente, não sabendo da agenda, acedeu ao convite, como fez saber o Secretário para Assuntos Políticos e Eleitorais do Bureau Político desse partido, Jú Martins, em conferência de imprensa, realizada esta segunda-feira, no dia primeiro de Agosto.
Encontros entre os dois partidos podem acontecer, já que a vida política admite concertação, mas a agenda desses encontros é que tem de ser bem polida e definida, de formas a não confundir os outros actores políticos e a sociedade em geral que, nesta fase, precisa cimentar e cada vez mais a ideia de que eleições são uma festa.
Também, a classe política tem de se despir do velho hábito de abordar coisas boas e lucrativas em privado e as hostis em público.
O cenário que já se vive de ataques e contra-ataques à moda antiga entre o MPLA e a UNITA estão longe de levar a paz à sociedade angolana, mas muito perto de semear o ódio entre irmãos.
Na verdade, falar de transição política, nesta fase, é antecipar demais cenários.
O mais sensato, dizem algumas pessoas entendidas na matéria, é falar de transição depois das eleições e se afira quem é o verdadeiro vencedor, porque neste momento, temos alguém que pensa que, vai assumir o poder, pela primeira vez (no caso da UNITA), e o outro não se conforma com a ideia de perder as eleições (no caso do MPLA).
Esta terça-feira, 02, na cidade do Kuito, a UNITA parece ter reconhecido que estava a pôr a carroça à frente dos bois.
Em uma palestra dirigida à juventude, o Candidato deste partido a Vice -Presidente da República, Abel Chivukuvuku, disse que depois das eleições, caso a UNITA ganhe vai criar uma comissão de transição, constituída também por quadros do MPLA para se verificar e apurar o que o país tem.
"Teremos que saber quanto dinheiro o país tem", referiu. Se, na verdade, para ser-se poder, as forças políticas têm de ir às eleições, nada mais prudente que esperar por este voto no dia das eleições.











