Povo do leste defende uso das riquezas locais para desenvolver a região
Em época de campanha eleitoral, as populações das Lundas Norte e Sul e do Moxico esperam que seja qual for o partido que ganhar as eleições, venha usar as riquezas locais para o bem das suas populações, de formas a tira-las da extrema pobreza em que se encontra.
Por: Lito Dias
Em cada esquina ou rua, o rosto da pobreza é visível e consequente em terras donde saiam receitas para alimentar a guerra e, agora, saem receitas para reforçar o Orçamento Geral do Estado.
Estamos a falar do município do Cuango, província da Lunda Norte, onde os seus habitantes não vêem com bons olhos tudo o que foi feito até ao presente momento pelos governos provinciais, ressaltando os problemas como a pobreza, o desemprego, a falta de água potável e de energia eléctrica, que são "o cartão de visita da região".
"Daqui e noutros municípios, sai muita riqueza, mas os seus povos não se beneficiam dela; são esquecidos", afirmou Laurinda Sepa, para quem as Lundas são terras abençoadas, mas os seus povos "são amaldiçoados".
Porque? Sem pestanejar, ela disse que se "as coisas básicas como água, luz e medicamentos não conseguem colocar, ano após ano, não se espera mais nada, pelo menos dos actuais governadores".
João Tchimona, camionista de profissão, disse ao NA MIRA DO CRIME, que a questão das Lundas não é difícil de resolver e recua no tempo para sugerir o que considera a melhor via.
"Pelo menos metade da riqueza desta região devia servir para melhorar a vidas das populações residentes", sugere, acrescentando que os diamantes produzidos aqui, deviam, pelo menos durante quatro anos consecutivos, servir os habitantes das três províncias, incluindo Moxico.
Esta ideia é partilhada pelo ancião que, mais contendente que o primeiro, concluiu que o povo lunda é "considerado atrasado, porque as suas riquezas são exploradas de qualquer maneira, e ele não reage".
"Foi assim, no passado e continua a sê-lo hoje, tendo como resultado a pobreza extrema nas comunidades", sublinha.
A problemática das terras continua a fazer eco nas Lundas. O povo sente-se excluído e humilhado, porque as suas terras são constantemente usurpadas pelas empresas diamantíferas com o beneplácito das autoridades governamentais.
Os jovens que tentam reclamar são presos e muitas vezes mortos por empresas de segurança.
"Mas parece algo coordenado, porque apresentamos queixa, mas a polícia não resolve", referiu Domiana Ndumba que disse ter perdido um filho e dois sobrinhos, quando estes pretendiam prospectar novas áreas de cultivo.
As vias de comunicação também pintam o estado degradante da vida nas áreas diamantíferas de Angola.











