Campanha eleitoral: Discursos políticos, comportamentos e promessas que conquistam ou afugentam o eleitorado
O 24 de Agosto, dia das eleições gerais em Angola já espreita e, dentro de poucos dias, os angolanos vão depositar nas urnas o seu voto no partido que o convenceu e ganhou a sua simpatia. Em fase de campanha eleitoral, o discurso político, os argumentos e as promessas dos cabeças-de-lista, candidatos a Presidente da República, fazem a diferença, cada um tentando conquistar o maior número de eleitores
Por: Alves Pereira
Faltando poucos dias para o pleito eleitoral, as mensagens transmitidas pelos discursos político-eleitorais dos candidatos estão a tornar-se mais claras e a fazer perceber quem é quem na disputa democrática para governar Angola.
Entre muito arrazoado e promessas, algumas vãs, fictícias e outras, sensacionalistas, quiméricas, apenas para iludir e baralhar o sentido de voto do eleitor, alguns candidatos dos partidos concorrentes perderam a linha e, quiçá, por emoção ou por não terem feito bem os “trabalhos de casa”, embaralham-se eles próprios nos seus discursos e nas promessas que vão fazendo.
Com excepção do MPLA e do seu candidato, cuja linha é mais coerente, organizada e de compreensão abrangente, os demais partidos, incluindo a UNITA, vão alternando as suas mensagens com factos reais, ilusórios e irrealizáveis, deixando o eleitorado num impasse e sem captar o foco do que realmente se pretende.
Cada concorrente apresenta o seu ponto de vista, os seus argumentos e vão prometendo dar aos cidadãos até o “céu e as estrelas”. Contudo, até que ponto tais discursos serão, ou têm sido, úteis, para a compreensão e impacto dos factos discursivos no eleitorado, tanto no aspecto teórico quanto na credibilidade e funcionalidade dos seus programas de governo em caso de vitória? Eis a questão.
Segundo especialistas na matéria, “a mensagem principal de um bom discurso deve dizer ao público qual é o problema que a formação política, ou o seu líder, pretende resolver, de que forma a situação será solucionada, e porque é que aquele partido, ou o seu cabeça-de-lista, em particular, pode solucionar o problema em questão”.
“Em geral, os discursos em períodos de campanha eleitoral costumam ter princípio, depois vão-se atrapalhando e terminam sem coerência e muito mujimbo”, referem os especialistas, explicando que “além de não esclarecer devidamente o público, os pronunciamentos dos políticos são preparados antecipadamente para conter uma ‘lista de problemas’, sobretudo aqueles que causam maior impacto no eleitorado, mas na hora de detalhar como eles serão solucionados, a história é outra e passa-se para o ataque a outro ou outros concorrentes, vangloriando-se que é melhor que os demais, mas não esclarece como e porque é mais capacitado para resolver os problemas que levantou de uma forma viável”.
Ainda de acordo com os especialistas, “o discurso político é um texto argumentativo, fortemente persuasivo, em nome do bem comum, alicerçado por pontos de vista relativos aos valores sociais, políticos, religiosos e outros”. Porém, “o discurso político tem sido, frequentemente, usado para enganar e subjugar interesses comuns dos cidadãos e/ou das comunidades, a favor das elites políticas ou governantes”.
O discurso político é das partes mais importantes da campanha eleitoral. Um bom discurso, claro, cordial, mas expressivo, ajuda a cativar mais simpatizantes.
O MPLA e o seu líder, João Lourenço, assim como outros seus dirigentes partidários, quadros experientes, têm sabido conduzir, dentro dos limites que não devem ser ultrapassados, a sua campanha eleitoral em todo território nacional.
A Lei impõe marcos, respeitando imperativos morais e éticos, para prevenir pronunciamentos desagráveis, ofensas e faltas de respeito. O civismo deve nortear o comportamento não só do eleitor, a quem se apela constantemente que tenha boa conduta cívica, mas sobretudo dos candidatos, dos partidos, enfim dos políticos, para que se apresentem com postura decente, porque deles deve partir o exemplo.
Assim sendo, não havendo a assinalar grandes precalços desde o início da campanha que se aproxima do fim, partidos e cabeças-de-lista estão a esgrimir os seus argumentos para convencer os eleitores e merecer a sua aprovação.
O eleitorado, ou seja, a população votante, deve saber escolher, deve ser responsável e votar em consciência. Neste momento, o partido e o candidato que oferece mais garantias de materialização dos projectos em prol do engrandecimento da nação ainda é o MPLA e João Lourenço.
A campanha eleitoral tem permitido que os cidadãos tomem conhecimento dos programas políticos dos partidos concorrentes ao poder, o que vai permitir que os potenciais eleitores possam escolher os projectos que acharem que vão satisfazer os seus anseios.
No próximo dia 24 de Agosto, Angola vai realizar, pela quinta vez, eleições gerais, notando-se, durante a campanha eleitoral, uma intensa actividade política dos partidos concorrentes, na perspectiva de conquistarem o maior número de eleitores, quer em grandiosas actividades de massas como por via da comunicação social, redes sociais e contacto directo com os cidadãos.
As eleições gerais devem ser o mais possível tranquilas, uma competição pacífica, em que se observe as regras do jogo democrático, sem um mínimo de intolerância política, com os candidatos a serem os maiores interessados para que assim seja, considerando que os partidos políticos existem para ajudar a construir uma sociedade democrática e para promover a harmonia entre todos os angolanos.
Nesse âmbito, “as formações políticas devem ser um exemplo de tolerância e respeito pela diversidade de ideias antes e depois das eleições gerais. O país constrói-se com a contribuição de todos”, apelam os especialistas.
Recorde-se que estão em campanha eleitoral oito formações políticas, devidamente autorizadas pelo Tribunal Constitucional, para concorrer às eleições gerais. São elas: MPLA, UNITA, PRS, FNLA, APN, PHA, P-NJANGO e a coligação CASA-CE, que integra o PDP-ANA, PALMA, PPA, PADDA-AP e PNSA.











