Sobre contagem paralela - "Margem mínima" obriga UNITA a conformar-se com os resultados eleitorais
A vitória por margem mínima que a UNITA diz ter verificado na contagem paralela deitou por terra todas as forças desse partido continuar a contestar até junto dos organismos internacionais, sendo certo que acabará mesmo por obrigar os seus deputados a tomar posse dentro dos prazos estabelecidos por lei.
Por: Márcia Mirandela
O foco era a vitória nas quintas eleições que Angola realiza, mas as coisas não correram de feição ainda que, tal como nas eleições de 1992, 2012, 2017 e, agora, em 2022, a UNITA esteja a apontar irregularidades no processo eleitoral.
Os factos para evidenciar irregularidades foram bem tratados nas eleições de 24 de Agosto último, sobretudo no que a contabilização das actas síntese diz respeito.
Isso, aliás, permitiu que o partido liderado por Adalberto Costa Júnior tivesse a noção, através da contagem paralela a ideia do que foi a sua prestação, ao ponto de, mesmo cantando vitória, admitir que a diferença com o seu principal rival (o MPLA) não passava de um por cento, insuficiente para governar.
Desde o início da contagem paralela, notava -se um equilíbrio nos resultados.
Esse equilíbrio, segundo a nossa fonte, impediu Adalberto Costa Júnior anunciar vitória porque receava que a qualquer altura esses dados poderiam ser ultrapassados, à medida em que as actas iam chegando.
"A maior diferença que observamos na contagem paralela é de 3 por cento, sobretudo depois inserirmos, quase na totalidade, os dados das actas sínteses das províncias do Cunene, Moxico, Huambo, Benguela, Bié, Lundas Norte e Sul e também Cabinda", revela a nossa fonte, que admite ter havido o decréscimo dessa percentagem até 01 por cento com o qual ACJ apregoa vitória, num tom lúgubre.
Feitas as contas, ainda que ganhasse com a margem de 01 por cento, a UNITA não governaria; sendo por isso que, nós últimos pronunciamentos se referia apenas aos mandatos por províncias, que deviam ser mais nalgumas províncias.
Os Sinais...
Os sinais de falta de segurança nos resultados que o partido do Galo Negro estava a produzir apareceram logo no segundo dia da contagem, quando admitiu estar em vantagem em relação ao MPLA em apenas 05 províncias, num universo de 18.
O outro sinal surge precisamente quando diz que tinha um centro de escrutínio devidamente organizado, mas que até no terceiro dia depois das eleições não se pronunciava sobre a contagem que levava a cabo.
JLo agarrado à lei
O processo eleitoral angolano, versão 2022, vai terminar no Tribunal Constitucional que, até sexta-feira o mais tardar, deve decidir-se sobre as inquietações da UNITA, CASA-CE e Bloco Democrático.
Tudo o que vier depois, do ponto de vista legal, e porque a UNITA pretende levar o assunto às instâncias internacionais, não terá força jurídica para ser acatado.
Angola, como é evidente, não ratificou o tratado internacional sobre os contenciosos eleitorais, não devendo por isso acatar nenhuma recomendação que provenha de que organismo internacional for.
Isso vai permitir a João Lourenço impor a sua agenda como bem entender, relegando a UNITA e a oposição de forma geral ao conformismo e seguidismo.











