Ministério dos Transportes de ‘patas para o ar’: Ricardo de Abreu não deve constar no novo Executivo de JLO
A recente manifestação dos trabalhadores da companhia aérea TAAG, entre muitas alegações que têm sido tornadas públicas, revelou, de facto, o mau clima existente no seio daquela que já foi chamada (será que ainda é?) “companhia de bandeira” em Angola. As culpas da intragável situação são apontadas ao ministro dos Transportes Ricardo Viegas de Abreu, que assim aumenta mais um ponto ao seu vastíssimo “pecúlio” de incongruências
Por: Alves Pereira
No novo ciclo governativo 2022/2027, o Presidente da República, João Lourenço, enquanto titular do Poder Executivo, terá responsabilidades acrescidas.
No segundo mandato, diante de uma sociedade cada vez mais desperta e exigente, vai precisar de muita serenidade, visão estratégica, empenho e, sobretudo, saber escolher os seus colaboradores directos e demais governantes.
Ao que se sabe, grande parte dos governantes do anterior ciclo vão manter-se no Executivo, mas, entre uns e outros, alguns devem ser drasticamente substituídos para que erros cometidos anteriormente sejam evitados e se impulsione maior dinâmica na forma de governar, com lisura, sabedoria, foco nos objectivos traçados, respeito pela coisa pública e pela nação no seu todo.
Apesar de potencialmente rica em diversos recursos naturais, com destaque para o petróleo, diamantes e outros, Angola é afectada por um fraco desenvolvimento e precisa de gente pensante, que não se furta ao trabalho nem às responsabilidades e que tenham como prioridade a construção de um país exemplar, bom para se viver, que atraia as atenções gerais de forma positiva, em prol do bem-estar dos seus cidadãos, sem distinção de qualquer espécie e salvaguarde o futuro das novas gerações.
Como tem sido exaustivamente referido, o mau hábito de aproveitamento dos cargos públicos para enganar e roubar o Estado, apesar dos pesares, continua a ser o objectivo de muitos dirigentes, principalmente membros do governo, entre os quais, vários são useiros e vezeiros nessas práticas.
Geralmente estão imbuídos do espírito de aproveitamento dos cargos para enriquecerem ilicitamente.
Para tal, inovam nas “técnicas” para enganar o Chefe, “passam-lhe a perna”, adornando os projectos e/ou as propostas para que não se aperceba do real fim dos mesmos.
A situação despoletada agora na TAAG podia muito bem ser evitada se houvesse um real compromisso com a nação e respeito pelos cidadãos.
Hoje por hoje, ninguém sabe o que se passa concretamente com e na TAAG. Não se sabe se é “peixe ou carne” e o público está confuso e sem saber o que “comer” realmente.
Por incrível que pareça, a incógnita afecta os próprios trabalhadores, que não sabem a quantas andam, vivem de especulações, de boatos e temem pelo seu futuro.
Se é assim lá dentro, com o pessoal afecto à empresa, maior é a confusão na sociedade, afinal a TAAG é (ou foi) uma empresa pública, “companhia de bandeira”, que agora está a ser “arrebatada” sem que se saiba em que moldes.
Fala-se em modernização, adequação aos parâmetros internacionais actuais, etc. Tudo bem, os angolanos querem progredir, querem melhorias, mas de forma adeququada, como mandam as regras e não passando por cima dos seus direitos e espezinhando a sua dignidade.
Está a faltar conversa e uma devida explicação pública.
O “mau da fita” neste embróglio todo tem sido, sem dúvidas, o ministro dos Transportes, apontado de não dar “ponto sem nó”, em benefício dos seus próprios interesses.
Desde que foi nomeado para liderar o Ministério dos Transportes (Mintrans) Ricardo de Abreu tem sido notícia por factos negativos e lesivos ao Estado.
Recorde-se que, recentemente, o ministro Ricardo de Abreu foi acusado de aproveitar-se de um negócio, autorizado pelo Presidente da República, para aquisição de dois prédios, em Luanda, para “sacar” a sua “micha” e sobrefacturar o valor de compra de dois edifícios.
As aquisições foram justificadas com a necessidade de melhorar as instalações onde funcionam os serviços públicos do Ministério dos Transportes e os institutos e agências sob sua superintendência devido à deterioração das instalações antigas.
O assunto gerou as mais diversas especulações, sendo considerado como “um caso de tráfico de influência e amiguismo” para sobrefacturar e enganar o Estado, e o Presidente da República, que uma vez mais, alertado a tempo, mandou suspender o negócio e exigiu esclarecimentos.
Sublinhe-se que não foi a primeira vez que Ricardo de Abreu tentou “engolir dinheiro do Estado”, como quando tentou enganar o Chefe de Estado no caso das cartas de condução e das escolas, exigindo que se passassem as competências da emissão da Carta de Condução de um departamento ministerial para outro, ou seja, do Ministério do Interior para o Mintrans, que passaria também a regularizar, licenciar, fiscalizar e inspeccionar a actividade das escolas de condução automóvel do país.
Na altura, alertado a tempo, o Presidente João Lourenço recuou na decisão que já havia tomado.
O Ministério dos Transportes, ao longo dos tempos, tem sido um dos departamentos governamentais em que reina a maior “pirataria” que assalta os cofres do Estado e suga as riquezas nacionais.
Ricardo de Abreu, em vez de mudar o cenário, apenas deu continuidade ao caos reinante.
Desde que está no cargo não acrescentou nada de novo, a não ser queixas e acusações, entre projectos duvidosos como o do “metrô de susperfície de Luanda”, recorrendo ao velho argumento de que pretende melhorar a situação da mobilidade urbana na capital e a qualidade de vida dos cidadãos, bem como “oferecer uma alternativa de transporte com menor impacto ambiental”.
Este “refrão” foi batido e rebatido pelo anterior ministro, Augusto Tomás, para ludibriar a opinião pública e a sociedade em geral, proporcionando formas de organizar esquemas que sempre lesaram o Estado angolano em centenas de milhões de dólares consecutivamente, como foi o caso dos catamarãs.
Para tal, na altura, o Estado pagou 79 milhões de dólares, por quatro embarcações que, segundo especialistas ligados ao sector, o preço real não execederia 10 milhões de dólares.
Houve um esquema de sobrefacturação bastante alto, de 69 milhões de dólares, que foram parar a mãos indevidas, com agravante de as embarcações que chegaram ao país, por partes, serem de ocasião, quer dizer, usadas. Em poucos dias avariaram e ficaram a apodrecer.
O ministro Ricardo também enveredou pelo mesmo caminho e, mais recentemente, muito se questionou sobre o destino que deu aos 150 milhões de dólares pagos pela multinacional Dubai Ports World (DP World) pela assinatura do contrato para a gerência do Terminal Multiusos do Porto de Luanda.
Com governantes assim, em vez de o país avançar, continua a regredir. Uns poucos “abocanham tudo” e a maioria esmagadora do povo angolano continua atolada na mais atroz miséria.
Para fazer jus as suas afirmações e promessas, neste seu segundo mandato, o Presidente João Lourenço tem que dizer “basta”, exonerar todos “mafiosos” que deambulam impunemente nos órgãos de decisão do Esatdo, nomeadamente, no Executivo, e submetê-los à justiça!











