Manifestações: Oposição ‘abandona’ UNITA de ACJ e decide tomar posse na Assembleia
Esta quinta-feira, horas antes da apresentação do acórdão do Tribunal Constitucional sobre o contencioso eleitoral, a UNITA, FNLA, PRS, BD e CASA-CE realizaram uma reunião conjunta, onde decidiram realizar manifestações "ordeiras' em todo país, para contestar os resultados eleitorais. No entanto, 24 horas depois, há sinais evidentes de que há vozes dissonantes para cumprir esse desiderato.
Por: Lito Dias
Essas forças políticas na oposição, apesar da concertação feita, começam a dar sinais de que não remam para o mesmo sentido.
A FNLA, por exemplo, denota satisfação pela conquista de mais um deputado, pelo que poderá, sem muitos rodeios, tomar posse na Assembleia Nacional.
Também, nas próximas horas, anunciará a sua saída do plano de manifestações inspirado pela UNITA.
Sabe-se que na concertação, ficou patenteada a ideia de os deputados não tomarem posse, devendo as manifestações servirem para pressionar o presidente João Lourenço a negociar.
No mesmo pensamento, segundo a nossa fonte, está o PRS que está a estudar a possibilidade de abandonar a lógica das manifestações.
A se confirmar, a filosofia de que a oposição está a ser pressionada pela sociedade no sentido de se opor aos resultados publicados pela CNE e validados pelo TC, será apenas seguida pela UNITA e BD que reclamam vitória e pela CASA-CE que perdeu todos assentos parlamentares.
Ainda que se pretenda manifestações pacíficas e ordeiras, prevê-se que elas venham a ser repelidas pelas forças da ordem, tendo em conta o seu objectivo que é o de "repor a verdade eleitoral" fora dos resultados anunciados pela entidade responsável, no caso o Tribunal Constitucional.
Faça de dois gumes: Que ganhos a UNITA terá nas manifestações?
As autoridades angolanas que parecem alérgicas à manifestações, não permitirão seguramente que elas se realizem, por mais ordeiras e pacíficas que elas venham a ser.
A UNITA que é a percursora dessas manifestações tem pouco tempo para se definir.
Está numa encruzilhada em desponta um caminho muito sinuoso para a vitória e outro mais largo para o fracasso.
Se os deputados da oposição não tomarem posse e não justificarem a ausência no prazo legal, perdem os mandatos, sem beliscarem o funcionamento da Assembleia Nacional que, assim, passaria a funcionar como uma assembleia do povo, típica de partidos únicos.
Optando por esta via, questionar-se-á onde é que a oposição faria a luta política para forçar a alteração das leis e dos sistemas que propiciam as irregularidades.
Se reconsiderar a sua posição e os deputados da oposição decidirem tomar posse, estariam, sim, a legitimar os resultados e a consequência seria o descrédito por parte dos que votaram na 'mudança", ou complicar às alianças que ACJ foi feito com vários actores da sociedade, em troca de um lugar no Parlamento.
Ou ainda, como se diz, comprometeria o perdão de vários cidadãos com casos na justiça, que supostamente teriam o perdão em caso de victória da UNITA.
Quanto à questão das regalias dos deputados que se levanta, isso pode ser visto como um falso problema, pois, são consequências da lei, aprovada por todos os partidos com assunto parlamentar, à data da sua aprovação e, lembre-se, por unanimidade.
A UNITA, se tiver em atenção estas duas hipóteses, deverá fazer tudo para escolher a menos gravosa para o partido e para o país.
Quanto ao recurso prometido às instâncias extra muros, o político Carlos Candada, teria dito, numa das suas publicações que seria um expediente sem qualquer eficácia e, por isso, desperdício de tempo e meios.
Salvo se existem informações e garantias longe dos olhares de todos. Voltando às manifestações, estas poderão ser uma faca de dois gumes, pelo que não se afiguram boa opção.
Se acontecerem, que sejam espontâneas e não convocadas oficialmente pela direcção da UNITA.











