Entre o reforço e o esforço: Conheça os jovens do MPLA e UNITA que defraudaram e os que ajudaram na Campanha Eleitoral
A prestação da juventude do ainda partido no poder, durante os últimos cinco anos é, deveras, para esquecer, numa altura em que se apregoava o rejuvenescimento como sendo a melhor via adoptada para dar o KO ao Partido do Galo negro.
Por: Lito Dias
Para agigantar o partido nos desafios que se avizinhavam, o MPLA rejuvenesceu todas as suas estruturas, desde o Bureau Político ao Comité Nacional, este último alargado para próximo de um milhar.
Na prática, a estratégia não funcionou, antes pelo contrário, o partido quase caiu no abismo, sendo que a vitória de 51 por cento obtidos nas eleições de 24 de Agosto, deveram-se, em grande parte, ao esforço desenvolvido pelo próprio Presidente João Manuel Gonçalves Lourenço e membros próximos do seu staff.
Imaginava-se que a entrada em cena e em massa da juventude galvanizaria, de facto, o partido para os desafios que se afiguravam operosos, mas debalde.
A velha guarda do MPLA foi, mais uma vez, chamada para reactivar e preservar a mítica dos camaradas, o que os levou a não perder tudo.
“Os putos” dos gabinetes que defraudaram
Nelson Funete, por exemplo, teve tudo para dar certo, desde a era de Luther Rascova, tanto como responsável partidário, como administrador municipal. Contra todas as expectativas, não aguentou a pedalada, se comparado com outros jovens da UNITA da mesma idade.
Funete, longe das massas, acabou sendo um jovem dos gabinetes.
O regresso de Tomás Bica à real política, depois de um descanso impingido pela liderança de José Eduardo dos Santos, era reclamado por muitos políticos de renome, sobretudo ao nível da capital, e por jovens da JMPLA.
No entanto, o jovem do “Orar e trabalhar O processo é dinâmico e irreversível” não significou precisamente aquilo que esperava: foi uma decepção.
As maratonas e farras no Cazenga não chegaram para ajudar o partido dos “Camaradas” a ter um bom desempenho naquele ‘município-chave’.
Como administrador do Cazenga, e porque o município foi eleito para a realização de grandes actos de massas do maior partido na oposição, Bica adormeceu e não conseguiu contrapor a acutilância do Gelo Negro.
Esteves Hilário? Falar desta figura na política não soa bem e pode ser uma ofensa para quem entra por uma porta e sai por outra nas lides académicas.
Esteves, diga-se, é uma figura cujas cartadas na academia impressionam qualquer pessoa que conhece os quadros de Angola.
No entanto, a sua adaptação à política não surtiu efeito nenhum. Ainda que digam que o Comité Central não é constituído apenas por políticos.
Crispiniano dos Santos – em época eleitoral, nunca se procurou tanto pelo líder da JMPLA como em 2022, ano em que deixou os militantes do partido perplexos e os seus opositores relaxados.
Como jovem e líder de uma organização de massas, tinha muito a fazer para ajudar o seu MPLA a conquistar o coração da juventude angolana.
A cobertura mediática de suas actividades pela mídia, principalmente a estatal, não ajudou a convencer os jovens. Os gabinetes acomodaram-no ao extremo.
Falando de Patrícia Faria é falar daquela cantora que anima e contamina a sua alegria; aquela radialista em cuja voz muita juventude se inspira.
Quando o seu nome entrou na lista de candidatos a deputado do MPLA, foram ouvidos alguns comentários positivos, dada a sua dinâmica, que se pretendia também visível durante a campanha eleitoral. Mas isso não aconteceu e a expectativa ficou frustrada.
Joana Tomás é uma das jornalistas que já coleccionou prémios no mundo enquanto profissional.
Valências e mais valências, Joana foi cooptada pelo partido no poder, no sentido de dirigir a sua organização feminina, a OMA.
Apesar de estar quase invisível durante a campanha, Tomás ajudou o partido que governa a encher o pavilhão multiuso do Kilamba com centenas de mulheres, no último acto de massas da campanha eleitoral.
Os de ‘fora’ fizeram mais para o MPLA
Jovens como o Presidente do Conselho Nacional da Juventude (CNJ), Isaías Kalunga, bem como o Presidente do Movangola, Alciono Sawanga, arregaçaram as mangas e os dois juntos trabalharam mais do que toda máquina da JMPLA, no que a caça aos votos diz respeito.
Estas duas figuras, mesmo não tendo (de facto) algum cargo no MPLA, fariam toda diferença na máquina dos ‘Camaradas’, para recuperar a força da juventude que vai (está) moribunda.
“Os putos” de massas do Galo Negro que ajudaram
Na UNITA, apesar da lassidão de alguns seus jovens, há alguns que se destacaram pela positiva, ajudando o seu partido e o seu líder a conquistar mais militantes, traduzindo-se em grandes agentes de massas.
Nelito Ekuikui, em Luanda, mandou. Não tinha regra específica para realizar uma actividade de massas em qualquer lado, ao ponto de, já envaidecido, convidar o 1º Secretário do MPLA em Luanda, Bento Bento para o frente-a-frente, entretanto, negado por este.
Fruto do seu trabalho são os resultados eleitorais positivos que o partido do Galo Negro obteve em Luanda, cujo significado está gravado na história da política angolana.
Adriano Sapiñala, Secretário Provincial da UNITA em Benguela é um outro político que se notabilizou no cenário político angolano.
Com uso descontraído das redes sociais, onde cada ruído de uma folha era publicado, conseguiu conquistar muitos amigos, maioritariamente jovens.
Sapiñala é uma referência no seio do seu partido; não é por acaso que, a par de Nelito Ekuikui, são apelidados “os homens do presidente ACJ”.
Navita Ngolo – A “Jovita” como é chamada pelo Presidente do MPLA, conquistou o seu espaço em Luanda, mais precisamente na Assembleia Nacional, nas suas intervenções como Vice-presidente do Grupo Parlamentar do seu partido, mas é na província do Huambo onde atingiu o zénite da sua carreira política, nas vestes de Secretária Provincial.
Completou o trio com os de Benguela e Luanda, Sapiñala e Ekuikui, respectivamente.
Já agora, não é por acaso que João Lourenço disse, num desses discursos em sede da Assembleia Nacional, que gostava de ouvi-la a falar. Navita é, sem dúvidas, o exemplo para outras jovens da UNITA.
O Facto curioso é que tanto Nelito Ekuikui, como Adriano Sapiñala e Navita Ngolo, são filhos de generais reformados das extintas Forças Militares da UNITA.
Ausência notável
Jovens como Massanga Savimbi e Ginga Savimbi, filhos do fundador da UNITA, Jonas Savimbi, bem como Liberty Chyaka, embora em campo notou-se alguma letargia nestas figuras, que teriam feito muito mais e melhor se a entrega fosse idêntica ao ‘trio maravilha’ (Nelito, Adriano e Navita).











