De bestiais a bestas: Desabamento da CASA-CE deixa Fernandes e Sebastião ao relento
O surgimento da Convergência Ampla de Salvação de Angola- Coligação Eleitoral (CASA-CE), politicamente falando, foi fenomenal, mas eivado de astúcias e incidências que só o tempo veio expor. O derrube do seu principal percursor, Abel Chivukuvuku, foi, sem sombras de dúvidas, o anúncio da derrocada daquela que já foi a terceira força política, até às eleições de 24 de Agosto último.
Por: Lito Dias
Ao se apelidar um fenómeno, está-se a falar justamente da forma como emergiu, em 2012, há quatro meses das eleições, tendo obtido oito deputados.
Liderada, na altura, por Abel Chivukuvuku, a Coligação viria a repetir a proeza cinco anos depois ao dobrar o número de deputados para 16.
Dentro da organização, nunca se chegou a admitir que Chivukuvuku era o maestro e dono de todos lances.
Pelo contrário, era acusado de pretender transformar a Coligação num clone da UNITA, ao propor para Secretários Provinciais indivíduos provenientes do maior partido da oposição.
Apesar disso, os dirigentes da CASA-CE vergavam-se diante de Abel, considerando-o a figura de consenso para liderar o projecto.
No entanto, o pior estava para vir. O processo de transformação da coligação em partido político destapou os mal-entendidos e tudo que estava escondido debaixo do tapete.
Não tardou; despoletou um cenário que, embora parecesse simples, propiciou a rotura interna entre os independentes liderados por Abel Chivukuvuku e os detentores de partidos políticos com maior expressão, como eram os casos do PALMA, de Manuel Fernandes, e do PADDA de Alexandre Sebastião André.
Estes sentiram-se grandes e que poderiam desmamar-se de Abel, longe de pensarem que estavam a desenhar o tombo.
Humilhantemente, os independentes foram exonerados dos seus cargos de forma faseada.
Depois de Abel, André Mendes de Carvalho "Miau", foi chamado para liderar uma casa já ‘fissurada’. O que o almirante não sabia, porém, é que os seus ‘cônjuges’ já tinham tudo programado para o ´assalto’ ao cadeirão máximo.
Numa liderança turbulenta, sem miar, “Miau” foi afastado do cadeirão em menos de dois anos no cargo.
Numa conferência de imprensa, em Luanda, o político ‘arranjado’ por Abel dizia que foi alvo de uma "conspiração" levada a cabo pelos líderes de quatro partidos que o convidaram a liderar a coligação depois do afastamento de Abel Chivukuvuku, em fevereiro de 2019.
Manuel Fernandes e Alexandre Sebastião André começavam, assim, a fazer o seu caminho rumo à ascensão.
Cidadãos atentos já vaticinavam um descalabro, mas não da dimensão que se assistiu.
Ascensão? Sim! Atingidos os seus objectivos, Fernandes assume a liderança da CASA-CE e Sebastião assume a chefia do Grupo Parlamentar, embora metade dele, já que a outra metade era dos independentes e decidiram não integrar em nenhum grupo parlamentar. Queriam caminhar sozinhos
A ansiedade da dupla mostrar o seu potencial era tanta que reagia com tamanha repugnância a qualquer proposta que visasse juntar-se a outras forças políticas.
Nem mesmo, a criação da Frente Patriótica Unida (FPU), liderada pela UNITA atraiu os dirigentes da coligação que consideravam o projecto uma aventura e "que não teria pernas para andar".
Durante a campanha eleitoral, viu-se algumas enchentes nas suas actividades políticas, mas, afinal, eram falsas por não se traduzirem em votos.
Aliás, alguns comentaristas afirmaram que a CASA-CE terá falhado no detalhe. Ou seja, nunca deveria atirar farpas a outras forças políticas da oposição, no caso concreto ao maior partido da oposição.
Abel Chivukuvuku e pares, depois de verem inviabilizado o seu projecto político, o PRA-JA Servir Angola, imigraram para a FPU, onde, mais uma vez, foi bem-sucedido.
Pelo menos, garantiu o regresso à Assembleia de uns, a manutenção de outros e a entrada de mais alguns.
Visto desta maneira, conclui-se que a liderança da CASA-CE jogou muito mal, ao ponto de ser punida no dia voto, e ter sido o grande perdedor, dentre os concorrentes. Despediu-se da pior maneira da Assembleia.
"Está difícil digerir essa situação, nem mesmo há ambiente para reunir quem quer que seja", disse uma fonte próxima da sua direcção.
O recurso à UNITA
Recentemente, Manuel Fernandes disse à imprensa que a coligação estava aberta à várias soluções para se ultrapassar este período e aparecer em grande nas próximas eleições.
Dentre várias soluções, o político, que é líder do partido PALMA, não excluiu a hipótese de bater a porta da UNITA para acertos políticos.
Aliás, no momento de crise, ele não hesita escolher aliados como o Galo Negro.
Em 2008, quando o seu partido encontrava-se incorporado na coligação dos Partidos da Oposição Civil (POC's), Manuel Fernandes apelou o voto na UNITA, precisamente na eleição em que este partido baixou de 70 para 16 deputados.
Conservada como é, a UNITA, nas condições actuais, não fará uma boa recepção aos membros da CASA-CE, muitos deles, conforme se diz, ligados aos serviços de segurança do Estado.











