“É a conversar que os homens se entendem”: Audiência do PR ao líder da UNITA alivia tensão popular e tranquiliza sociedade
Adalberto Costa Júnior foi recebido pelo Chefe de Estado no Palácio Presidencial. No fim da audiência o líder da UNITA disse que “é um indicador de que há condição de diálogo”. A sociedade angolana em geral congratulou-se e aplaudiu o encontro
Por: Alves Pereira
O Presidente da República, João Lourenço, recebeu em audiência, esta quinta-feira, 06 de Outubro, o líder da UNITA, Adalberto Costa Júnior.
Foi o primeiro encontro realizado, depois das eleições gerais realizadas a 24 de agosto último. No fim do encontro, o presidente da UNITA defendeu mais diálogo com as instituições.
Um clima tenso, angustiante, instalou-se em Angola depois das eleições gerais, sobretudo, depois da divulgação dos resultados finais.
Entre incitamentos acusações diversas e alegações de fraude, houve incitamentos à violência, a pontos de determinadas pessoas preferirem mesmo à instalação do caos, mesmo sabendo que tal situação poderia levar à perda de milhares de vidas.
Porém, as eleições são como um jogo da democracia em que participam várias equipas e respectivos jogadores.
Ora, no desporto, quando duas equipas se defrontam, os seus jogadores são adversários e não inimigos.
Depois do jogo, quem ganhou, quem perdeu, são todos amigos, parabeniza-se quem ganhou e encoraja-se quem perdeu.
Na política, em democracia, tem que ser assim também. Deve reinar o “fair play”, porque todos são filhos da mesma Mãe – Pátria.
Quem ganhou deve reconhecer o mérito e a capacidade de quem perdeu, deve integrá-lo para dar a sua contribuição, porque a “união faz a força” e a pessoa inteligente e íntegra, concilia, une, em prol de um objectivo maior; não quebra, não menospreza e não cria dificuldades que podem acabar por dificultar o seu próprio desempenho.
Assim sendo, quando se aventavam variadas hipóteses, se acusava o Presidente da República reeleito de ser arrogante, de não primar pela harmonia, pela unidade dos angolanos e também se estava a “atirar pedras” ao líder da UNITA por “fraquejar” e não enveredar por atitudes musculadas, eis que os dois homens encontraram-se e conversaram como devem fazer os homens que têm responsabilidades acrescidas e que sabem que o bem comum, a paz e a estabilidade da Nação estão acima das suas veleidades e de tudo mais.
A sociedade angolana respirou de alívio, pôs-se de pé e aplaudiu os dois líderes políticos.
João Lourenço, enquanto vencedor das eleições e Presidente da República reeleito, ao receber em audiência o seu principal adversário Adalberto Costa Júnior escreveu nesta quinta-feira, 06 de Outubro de 2022, uma página airosa no livro da Democracia Angolana.
Sendo a Democracia entendida como «Governo do Povo», a mesma não pode nem deve esgotar-se apenas na participação do povo no sufrágio universal (eleições), para eleger os seus representantes governamentais e à Assembleia Nacional (parlamento), independentemente de os votos que são atribuidos aos partidos políticos propiciarem condições de vitória ou derrota.
O gesto de João Lourenço, correspondido por Adalberto, é sinónimo de que os angolanos, além de darem uma lição a África e ao Mundo, têm tudo para aplicar políticas que se coadunem com a realidade existente no país, em prol da paz, da estabilidade, da democracia e da harmonia nacional, para catapultar o desenvolvimento e o consequente bem-estar dos cidadãos, ou seja, de todo o povo angolano e de quantos escolheram Angola para viver e trabalhar.
Neste âmbito, o Governo deve ser um órgão que acompanha os interesses do seu povo e prima pela sua evolução, partindo do princípio de que não deve jamais esquecer que a excelência da sua actuação governante, não consiste em teorias e formas encenadas, mas sim, em ser benéfico e apropriado à natureza e ao carácter da nação para o qual se institui, não só do ponto de vista político, económico e social, mas essencialmente cultural, considerando que a identidade cultural é mais importante que a identidade política, segundo especialistas, já que é através da cultura que se traçam as políticas de Estado no interesse da Nação.











