Estado da Nação: Angolanos ansiosos em ouvir do PR o retrato do país real
A questão das autarquias deverá ser a questão de realce do discurso de João Lourenço para demonstrar de facto como será a gestão do país daqui em diante, afirmam analistas. Das questões mais apontadas por diversas individualidades da sociedade civil angolana, entre políticos, jornalistas, religiosos, académicos e entidades de outros sectores, o combate à fome e a miséria, o fornecimento de água potável e energia eléctrica às comunidades, a melhoria das condições do sector da saúde e da educação, bem como o combate à malária, deverão ser das mais visadas no primeiro discurso sobre o estado da Nação
Por: Na Mira do Crime
A intervenção do Chefe de Estado, que emana de um imperativo constitucional e, geralmente, marca o ponto alto da cerimónia de abertura da Sessão Legislativa, desta feita a primeira, da V Legislatura da Assembleia Nacional, tem sido motivo de debates, troca de opiniões e tema principal das conversas dos cidadãos e não só, gerando muita ansiedade e expectativa.
Para alguns analistas do cenário político angolano, o discurso do Presidente da República não deverá fugir da linha discursiva e das promessas que fez durante a campanha eleitoral e que foi reiterada no seu discurso de tomada de posse.
Na opinião dos mesmos, essa linha é perceptível na escolha que fez na nomeação, manutenção e recondução dos elementos que compõem o Governo.
A Nação espera que João Lourenço seja claro na sua alocução, apresente o quadro real da situação do país, transmita dados verdadeiros, explique as medidas a serem implementadas pelo Executivo neste novo ciclo, bem como as políticas públicas preconizadas para a resolução dos principais problemas, para promoção do bem-estar dos angolanos e para o desenvolvimento geral, entre outros, destacando-se a questão das autarquias locais.
“Que o seu discurso não seja apenas uma compilação do que prometeu na sua campanha eleitoral e dos pontos de vista teóricos dos seus assessores e/ou membros do seu Executivo. Que seja um momento ímpar para que possa resgatar a simpatia dos cidadãos e contrapôr a corrente da crescente impopularidade em que, tanto ele, como o seu partido, caíram”.
Alguns políticos da oposição, contactados para emitirem uma opinião, preferiram não comentar o que “ainda não ouviram”, embora tenham uma ideia do que vai ser dito. “É melhor ouvir, ver, para crer e depois falar”, disseram.
Ao que deixam a entender, o que se espera mesmo, “é que o Governo se empenhe e se evite falar muito, se deixe de discursos baratos, enganadores, para que as melhorias almejadas se concretizem, ao contrário do que aconteceu no mandato anterior”.
O combate à corrupção e conexos deve continuar, mas sem o rótulo de ser paliativo, político, selectivo e camuflador, diz-se nos bastidores.
As autárquicas, já prometidas algumas vezes, têm sido preteridas com justificações como “falta aprovar isto e aquilo”, “a Covid-19 não permitiu”, deixando o tempo passar, mas que, para alguns sectores da sociedade, o que tem faltado é seriedade e vontade política, por “medo das consequências”.
Como já se disse, o discurso deste ano sobre o Estado da Nação, ante o clima político pós eleições, é aguardadocom muita ansiedade pela sociedade; é grande a expectativa sobre o que vai ser dito pelo Presidente da República no início do seu segundo mandato. Espera-se que corresponda às expectativas e não deixe dúvidas no ar, sobretudo no que respeita aos assuntos que mais apoquentam os cidadãos, bem como no que tange às autarquias.
Para o cidadão comum o discurso do Presidente da República “tem que ser realista e não um discurso de laboratório com dados supostos e imprecisos”, que retrate a verdade sobre “o real estado da Nação, sem cenários utópicos e inexistentes”.
Os analistas afirmam também que, tem que haver mais debate político de qualidade e quantidade. “O Presidente da República lançou o lema ‘trabalhar mais e comunicar melhor’, então que assim seja, o país não pode continuar adiado, sem estratégias inteligentes e práticas para salvá-lo do caos em que se encontra e não se afunde cada vez mais”.
Entre tanta ansiedade e expectativa, “a montanha náo pode voltar a parir um rato”, rematam!











