Campeão da Paz: João Lourenço mantém a mística de Angola e recebe convite de Joe Biden
João Lourenço não deixa cair a mística de Angola como país que se empenha a fundo na mediação e resolução de conflitos em África, com maior ênfase para a Região dos Grandes Lagos, desempenhando um papel de tal modo preponderante que, além de preservar a sua soberania e promover o desenvolvimento, Angola não tem poupado esforços para a solução das questões de Paz e Segurança africana, quer a nível regional como internacional. A sua condição de “parceiro privilegiado” não pode passar despercebida e Joe Biden não podia deixar de convidar o Presidente angolano, apelidado o “Campeão da Paz”.
Por: NA MIRA DO CRIME
Depois de alguns reveses que alimentaram especulações sobre um encontro entre o Presidente de Angola, João Lourenço, com o Presidente dos Estados Unidos da América, Joe Biden, por “desencontros” acontecidos depois de tentativas efectuadas pelo Chefe de Estado angolano que, durante o seu primeiro mandato, não foi recebido oficialmente pelo homólogo norte-amaricano, desta feita, fruto de maior visibilidade política, de afirmação e de maturidade em relação aos assuntos internacionais, com destaque para os de maior impacto global, começando pelo continente africano, em que se vai afirmando na mediação e resolução de conflitos em vários países, primando pela paz e pela estabilidade do continente e do Mundo, João Lourenço, logo no início do segundo mandato, depois da sua reeleição à Presidente da República de Angola, foi convidado por Joe Biden, para uma cimeira restrita que terá lugar entre 13 e 15 de Dezembro, em Washington.
Depois da aproximação tentada no mandato anterior, o Presidente João Lourenço vai integrar um grupo de 10 Presidentes de países africanos que vão marcar presença numa cimeira restrita com o Chefe de Estado norte-americano, Joe Biden.
Embora não seja de ignorar o mérito de João Lourenço, o convite é um sinal de extrema relevância que destaca Angola na nova ordem diplomática mundial. 6
Presidente angolano seguro e confiante
O Presidente João Lourenço, participou e discursou no 8° Fórum Internacional de Dakar sobre Paz e Segurança, cujo lema escolhido para esta edição é "A África face a choques exógenos: desafios à estabilidade e soberania".
O Chefe de Estado angolano teva igualmente uma participação activa no Painel de Alto Nível, um dos pontos mais alto do fórum, em que se analisaram algumas questões relacionadas com os vários desafios do continente africano.
Na segunda-feira, 25 de Outubro, após a sua participação no dia inaugural do referido evento, o Presidente da República, João Lourenço, concedeu uma entrevista à enviada especial da Rádio França Internacional (RFI) ao evento, a jornalista Lígia Anjos, durante a qual mostrou-se optimista quanto a uma solução pacífica do conflito Rwanda - República Democrática do Congo (RDC), de que Angola é mediadora.
João Lourenço, que também é Presidente em exercício da Conferência Internacional sobre a Região dos Grandes Lagos (CIRGL) referiu que o optimismo resulta de alguns passos positivos já dados, para a resolução do conflito.
Pela importância do momento, e do conteúdo, da entrevista em causa, concedida à RFI à margem do Fórum Internacional de Dakar sobre a Paz e Segurança em África, transcreve-se na íntegra
RFI: A África lusófona é convidada de honra nesta 8.ª edição do Fórum Internacional de Dakar. Por que motivo?
Presidente João Lourenço: Nós pensamos que terá sido pelo facto de a Cimeira de Malabo, ocorrida em Maio, ter-me colocado na posição de campeão da paz e segurança do continente. Uma vez que a matéria principal deste fórum de Dakar é paz e segurança, penso que faz todo o sentido que o campeão da paz e segurança do continente fosse o convidado especial desta edição.
RFI: Angola é o mediador do conflito Rwanda-RDC. Houve um encontro neste verão em Luanda. Há soluções à vista?
Presidente João Lourenço: Nós estamos bastante optimistas, no geral, mais concretamente em relação a este conflito. Temos razões de sobra para estarmos optimistas, uma vez que alguns passos positivos já foram dados, no sentido da resolução do conflito, nomeadamente, e como citei na sala, o facto de ter havido troca de prisioneiros, com a nossa mediação. Para além do facto de ter decorrido, em Luanda, a reunião da Comissão Bilateral ou Mista entre os dois países ou, ainda, o facto de os dois Chefes de Estado terem voltado a falar, pelo menos telefonicamente. Eles têm falado com alguma regularidade e não só por telefone, ainda agora em Nova Iorque, à margem da Assembleia das Nações Unidas, falaram os dois, na presença do Presidente francês, Emmanuel Macron. Estamos satisfeitos e acreditamos que, o mais rápido possível, vamos chegar a um desfecho do conflito.
RFI: O que falta fazer para acabar com o conflito?
Presidente João Lourenço: O que falta fazer é, com certeza, acabar com o conflito, mas falta pouco, pouco, pouco. Eu fiquei de ir a Kinshasa, na primeira oportunidade que puder, propus ir a Kigali e, quem sabe, terminarmos em Luanda.
RFI: Quando é que isso vai acontecer?
Presidente João Lourenço: Logo que seja possível. Os nossos calendários estavam condicionados a este período eleitoral, que já terminou. A partir de agora, vamos retomar com força este dossier.
RFI: O Senhor Presidente também falou, aquando da última questão que lhe foi colocada no painel, durante a abertura do Fórum, sobre o conflito que assola Moçambique. Moçambique não esteve neste fórum e vive uma situação muito problemática há vários anos...
Presidente João Lourenço: Sim, com certeza. Lamentavelmente, Moçambique está a atravessar um mau momento, e, com isso, todo o mundo está a sofrer, porque, se Moçambique estivesse em paz, o mundo estaria já a beneficiar do gás produzido ali, em Cabo Delgado. Não esteve presente, mas estamos aqui nós para o representar.
RFI: O Presidente senegalês, Macky Sall, referia-se ao facto de existir uma escassez de cereais, devido ao conflito que vive a Ucrânia. Lembrou que o preço do petróleo também está a aumentar. Angola pode jogar um papel importante, pois é o segundo maior país produtor do ‘ouro negro’ em África?
Presidente João Lourenço: Sim, podemos jogar um papel importante, visto que somos o segundo maior produtor de petróleo no continente africano. O mundo está aflito, podemos assim dizer, com a problemática da energia. Angola não só pode contribuir com combustíveis fósseis, mas também estamos a estudar com uma empresa alemã a possibilidade da produção de hidrogénio verde em Angola, que é uma fonte de energia limpa e exportável para a Europa e para quem precisar dela.
Felizmente, temos importantes cursos de água. A produção energética em Angola é, sobretudo, hidroeléctrica, não é poluente. É uma fonte limpa. Estamos também a fazer importantes investimentos no solar, começámos na província de Benguela, já foram inaugurados dois importantes parques. Vamos fazer um investimento bem maior do que o de Benguela, no Sul de Angola, nomeadamente: no Namibe, na Huíla e no Cunene.
RFI: Que tanto sofrem com a seca...
Presidente João Lourenço: Com certeza. Já temos garantido o financiamento americano, com a garantia do banco americano. É um projecto que vai iniciar-se em breve.
RFI: Uma última questão relativa às eleições autárquicas: para quando?
Presidente João Lourenço: Quando houver condições. Como sabe, o Pacote Legislativo Autárquico não está terminado. Enquanto isso, não posso assanhadamente - se me permite a expressão - convocar eleições.











