General “Kamorteiro” era apontado ao mais alto nível como substituto do Chefe de Estado Maior General das FAA
Faleceu na madrugada deste domingo, 27, o general Abreu Muengo Ukuatchitembo “Kamorteiro”, no Hospital Militar Principal, em Luanda, para onde foi levado de urgência, depois de se ter queixado de um mal estar em casa, como informou fonte familiar
Por: NA MIRA DO CRIME
O general “Kamorteiro” foi um dos signatários do Memorando de Paz de 4 de Abril de 2002. Por altura da sua morte era o chefe de Estado Maior adjunto para a Área Operacional de Desenvolvimento das Forças Armadas Angolanas.
Nas últimas horas estava a ser apontado em meios militares ao mais alto nível como o escolhido por João Lourenço para substituir o general António Egídio dos Santos “Disciplina”, no cargo de Chefe de Estado Maior General das Forças Armadas Angolanas (CEMGFAA).
“Disciplina” encontra-se em fim de mandato e a padecer de uma enfermidade que afectou algumas das suas capacidades.
Segundo informações a que se teve acesso, entre os militares, era “Kamorteiro” o preferido, embora, refere-se, haja indicações consistentes de que o seu nome não era benquisto em órgãos da direcção do MPLA, atendendo a sua condição de “proveniente”, epíteto aplicado a militares oriundos das FALA, antigo braço armado da UNITA.
Entretanto, o Presidente João Lourenço, na sua qualidade de Comandante-em-Chefe das Forças Armadas tinha preferência por ele, por diversas razões, entre as quais o facto de ser o adjunto do CEMGFAA e exercia interinamente o cargo na ausência de “Disciplina” que se enconta no estrangeiro em tratamento médico.
Igualmente, se não fosse nomeado, seria uma quebra da norma que, nos últimos tempos, são os adjuntos que têm substituido os titulares do cargo de CEMGFAA.
O general “Kamorteiro” era geralmente considerado competente, com boa formação militar e académica, gozando de boa aceitação no meio militar, em especial devido a predicados que lhe eram reconhecidos, entre os quais, sentido de justiça e afabilidade no tratamento com subordinados.
Terá contribuido também, para a preferência dada a “Kamorteiro”, a indisponibilidade declarada pelo general Altino José dos Santos, actual comandante da Força Aérea, para que fosse nomeado Chefe de Estado Maior General, já que o seu nome era um dos mais visados, com o do general Adriano Mackenzie, pelos militares.
Informações a que se teve acesso revelam que sobressai cada vez mais nas Forças Armadas, sobretudo no seio dos oficiais, o espírito apartidário. O fenómeno é atribuído à presença cada vez mais numerosa, nas fileiras, de uma nova geração de oficiais que se consideram como “profissionais” no exercício de uma missão que apenas deve atender interesses nacionais.
A morte súbita do general “Kamorteiro” caiu como uma “bomba” nos meios castrenses e da sociedade e geral.











