Ministro não tuge nem muge: CA da Angola Telecom espezinha a lei e continua a vingar-se de forma maldosa dos trabalhadores
AngolaTelecom continua a ser acusada de estar a retaliar, sem apelo nem agravo, trabalhadores que terão participado na greve realizada anteriormente. Os trabalhadores estão simplesmente a ser “postos na rua” ao arrepio da lei
Por: NA MIRA DO CRIME
Depois da greve, considerada ilegal pelo Conselho de Administração (CA) da Angola Telecom, os trabalhadores que aderiram, calculados em 300, foram sofrendo retaliações.
Segundo Lourenço Francisco Afonso, secretário-geral do Sindicato dos Trabalhadores dos Correios, Telecomunicações e Afins, de Luanda, a retaliação aos trabalhadores começou durante a greve e continuou depois, com a empresa a rescindir contratos de trabalhadores participantes à greve que foram obrigados a deixar de trabalhar e o processo continua depois da paralisação.
Trabalhadores há que só lhes é permitido assinar o livro de ponto e voltam para casa sem trabalhar, mas, disse o sindicalista, nas últimas horas teve conhecimento de que uma trabalhadora foi notificada para não voltar à empresa e, igualmente, os seguranças também foram notificados para não permitir a entrada da mesma na empresa porque o contrato dela foi rescindido.
A referida trabalhadora, identificada por Adriana Panda, é uma jovem, considerada entre os colegas como dinâmica e que nunca deu motivos de queixa, porque é muito dedicada ao trabalho, apenas terá “pecado” por ter aderido à greve e agora puseram-na na rua.
Lourenço Francisco Afonso avança que há um grande número de colegas na lista para serem alvos do mesmo processo.
“A lista é longa, mas enquanto estão a mandar embora trabalhadores experientes, temos informações de que a directora dos Recursos Humanos está a enquadrar novas pessoas. Estas evidências demonstram que o Conselho de Administração está a vingar-se dos trabalhadores que fizeram greve e sempre denunciamos isso, mas ninguém quis ouvir, talvez as instâncias superiores estivessem a duvidar de nós, mas está aqui a realidade, estão a despedir pessoas de forma ilegal e estão a enquadrar outras”, referiu.
O sindicalista acrescenta que há ainda a questão de transferências, ou seja, “trabalhadores com mais de 20 ou 30 anos de casa, pelo facto de terem aderido à greve estão a ser transferidos para outras áreas; trabalhadores da área financeira mandados para a área técnica, alguém que sempre esteve ligado à área administrativa transferido para a área técnica, e vice-versa, é muito complicado, é difícil; há economistas que sempre trabalharam na área de finanças e foram transferidos para a vila de Catete, para trabalhar numa loja contentorizada, de cerca de dois metros quadrados, e ficar ali num balcão, sem saber se é para atender o quê. Tudo isso que a empresa está a fazer é só para se vingar dos trabalhadores, a pontos de nem valorizar as competências académicas ou técnicas dos trabalhadores, por exemplo, um economista, que vive na Samba, ser colocado numa loja de contentores em Catete porque aderiu à greve?
Uma gestora de clientes, transferida para o balcão de uma loja, sem condições de trabalho, para ficar o dia todo de pé, sem computador, sem nada, e depois no final do dia assina o ponto e volta para casa?”, questiona.
Continuando, explica que os actos de má-fé do Conselho de Administração têm consequências nefastas para a empresa, está a provocar o absentismo que, por seu lado, afecta a produtividade em termos de receitas.
“Tudo o que está a ser feito, fere a lei 23/91 de 15 de Junho, nos termos do artigo 22, que diz que durante e depois da greve, 90 dias depois da greve, o empregador não pode rescindir contratos ou transferir, mas o empregador está a fazer tudo isso e muito mais, pessoas estão a ir para a rua, para o desemprego”, sublinha, acrescentando que “há ainda a situação de trabalhadores que estão a ser coagidos para irem para a reforma, embora ainda tenham tempo para trabalhar, mas porque participaram na greve, estão a empurrar de forma compulsiva essas pessoas para a reforma”.
Uma trabalhadora, que se negou a assinar o documento para a tal reforma compulsiva, foi alvo de um processo disciplinar que vai responder no dia 14 do corrente mês, tendo-lhe sido aplicada 14 faltas, uma situação deveras lamentável.
De acordo com o sindicalista, “uma coisa é o que está a acontecer de facto no interior da Angola Telecom, e outra é o que o Conslho de Administração propala através da comunicação social. Como é que numa altura destas, em Dezembro, mês das festas, das famílias, manda-se trabalhadores para a rua, rescinde-se contratos à revelia, quando deviam ter pensado num presente de Natal.
Infelizmente, o presente de Natal, as boas festas, é o desemprego, por terem participado na greve.
Sinceramente, a situação na Angola Telecom está difícil e nós sempre denunciamos todas estas arbitrariedades mas, ao que parece, aqui em Angola não há ninguém que tenha autoridade suficiente para chegar junto do Conselho de Administração da Angola Telecom e pôr um basta nos abusos, na prepotência e desobediência às orientações superiores”, lamenta.
“Há dor, há gemidos, há sofirmento na Angola Telecom, os trabalhadores estão exaustos e apelamos para a intervenção de quem de direito, intervenção ao mais alto nível, para se pôr côbro a esta situação, porque tudo isto está a acontecer sob o olhar atento do Sr. ministro das Telecomunicações, Tecnologias de Informação e Comunicação Social (MINTICS), Mário Oliveira, que embora conhecendo os desmandos que estão a acontecer na Angola Telecom, não toma nenhuma atitude, enquanto governante e até parece que aplaude o mau trabalho efectuado pelo PCA e pela senhora directora dos Recursos Humanos”, aponta o sindicalista, garantindo que não vai parar e continuará na luta pela defesa dos direitos e da dignidade dos trabalhadores da Angola Telecom!











