NOTA NEGATIVA: Sociedade contesta pronunciamento de Laborinho em relação à morte de mais uma zungueira
O ministro do Interior, Eugénio Laborinho, ao afirmar que “não há excessos nas operações policiais que decorrem a nível do país”, para justificar a morte da vendedora ambulante, vulgo zungueira, mais uma, vítima do disparo efectuado por um agente da Polícia Nacional, no largo da Teixeira, Maianga, em Luanda, causou contestação em diversos círculos da sociedade que está revoltada com tais pronunciamentos. Nos últimos dias, o ministro Eugénio Laborinho tem sido notícia pela negativa por outros motivos a que se junta mais este, assinando assim a Nota Negativa da última semana.
Por: NA MIRA DO CRIME
Mais uma vendedora ambulante (zungueira) foi morta por disparos policiais, na sexta-feira (09), em Luanda, durante uma suposta “actividade de fiscalização”, como informou o Comando Provincial de Luanda da Polícia Nacional.
Reagindo ao facto, na segunda-feira (12), o ministro do Interior, Eugénio Laborinho, informou que o polícia que matou a tiro uma vendedora ambulante, na sexta-feira, está detido, mas descarta "excessos" por parte da polícia.
Para Eugénio Laborinho, “não há excessos na actuação da polícia, mas sim desrespeito da população pela polícia”.
"Não há excesso da polícia, a nossa sociedade é que tem que respeitar, porque um órgão de polícia, um policial em pleno exercício das suas funções tem que ser respeitado, porque é um agente policial que está aí para manter a ordem e a segurança públicas e qualquer um desses cidadãos sabe que a polícia está aí a cumprir o seu papel", disse o ministro.
Porém, ao que tudo indica, o Sr. ministro ter-se-á esquecido que, para a polícia ser respeitada, tem que respeitar o cidadão. Se são filhos do povo, como fez referência, têm que respeitar os progenitores, ou seja, o povo. São eles que despertam a ira do cidadão, pela forma como actuam, desalmadamente, roubando descaradamente o cidadão, geralmente as mamãs zungueiras. Quantas vezes essas situações têm acontecido? Quantas mulheres, mães de família, que procuram o sustento familiar nas ruas, têm sido barbaramente agredidas e mortas?
O Sr. ministro defende a necessidade do resgate de valores, num trabalho conjunto entre as autoridades e os cidadãos, afirmando que “um polícia é um cidadão, o polícia vem do povo, é filho de um cidadão normal, ele vem do nível camponês, operário, intelectual, etc", contudo essa teoria já vem de longa data e, depois de falado, é como se já estivesse feito e, dessa forma, dificilmente se vai realizar o resgate de valores.
Não se pode maldizer toda a corporação; há bons polícias, que sabem ser e estar, mas também há muitos que são impróprios. Como disse um oficial da corporação, “há muito lixo na polícia que já devia ter sido varrido, mas cada vez mais, ao alistarem novos efectivos, sem vocação e competência, por compadrio, familiarismo, gorgeta, entre outros esquemas, a corporação vai-se enchendo de gente que só fazem desrespeitar a farda da Polícia Nacional”.
O ministro garante que a polícia angolana é moderna, que todos os anos é feito um trabalho do ponto de vista cívico e patriótico ao efectivo, mas parece que esse esforço não está a dar resultados satisfatórios, considerando as várias falhas graves que se conhecem no seio da corporação, mas que talvez o Sr ministro não saiba.
Quanto ao inquérito que anunciou, “para poder apurar a responsabilidade daquilo que ocorreu”, será apenas mais um inquérito de fachada, para embaralhar , já que o comunicado do Comando provincial adianta que “os agentes sentiram-se ameaçados e efectuaram alguns disparos de dispersão, dos quais, um atingiu de forma ‘acidental’ e ‘mortal’ uma cidadã, seguindo-se um tumulto e vandalização numa esquadra policial móvel, oito automóveis e instalações da gabinete dos serviços de Fiscalização daquela circunscrição”.
É por demais sabido qual o “modus operandis” desses ditos “fiscais”, que não têm a postura própria de “agentes de fiscalização”; actuam como autênticos vândalos, desrespeitam, batem, roubam e alguns policiais alinham com eles. Essa é a verdade e deve ser dita!
Entretanto, há que concordar com o Sr. ministro quando diz que "não é aceitável que uma vendedora ambulante venda no passeio, venda nas pedonais, nas pontes aéreas”, entre outros locais impróprios. Mas é preciso ter em atenção o elevadíssimo índice de desemprego no país, é preciso que se criem condições de facto para que essas mulheres e muitos jovens deixem de fazer o que fazem.
Já basta o grande nível de delinquência e de prostituição que se alastra na nossa sociedade e que envolve um grande número de crianças e adolescentes. Precisa-se de soluções reais e não de promessas musculadas.
É verdade que é preciso manter a ordem. Mas manter a ordem com ordem, disciplina e humanismo!











