Executivo demarca—se da perseguição enquanto jornalistas exigem pela primeira vez liberdade na rua
Centenas de Jornalistas de todo o país saíram à rua, este sábado, 17, em protesto aos atropelos à Constituição da República de Angola, que, em termos miúdos, consagra a liberdade de expressão e de imprensa, premissas que não podem se sujeitar a qualquer censura prévia seja de natureza política ou ideológica.
Por: Matias Miguel
O dia 17 de Dezembro de 2022 ficou cravado na história de Angola, como um dia histórico, por ser o único desde que há memória, em que os jornalistas de Angola, numa só voz, saíram à rua em prol da liberdade, como corolário de perseguições a profissionais da classe e de assaltos de que foi alvo a sede do Sindicato dos Jornalistas Angolanos (SJA), onde foram furtados computadores.
Face ao acontecimento, o SJA não tem dúvidas de que se tratou de um ataque à liberdade de imprensa, que qualifica como grave e assustador para o Estado que se quer democrático.
Teixeira Cândido, secretário do SJA, falando em nome da classe, deixou claro que a liberdade de imprensa "é um pressuposto da existência do jornalismo e do Jornalista; sem liberdade não existe jornalismo", assegurou, sustentando que o jornalismo existe num contexto de liberdade e independência.
Acrescentou que recusar esses valores é negar a existência da profissão.
"Custe o que custar, estamos aqui para marcharmos contra o assalto à nossa sede e às residências de jornalistas. Na defesa da liberdade de imprensa, o SJA tem dialogado com todas as instituições do Estado, dirigentes, assessores do Presidente da República, Partidos Políticos; o SJA nunca foi uma caixa preta", garantiu, sublinhando que o sindicato é parte deste Estado.
"Idealizamos uma democracia à altura dos melhores exemplos, nos identificamos como grupo de pressão; a nossa função é exigir, mas também sugerir", vincou.
"Essa é a nossa identidade, hoje e amanhã, por isso, investir no medo não nos fará recuar um palmo, pode fazer recuar um, dois, três jornalistas ou mesmo uma redacção, jamais todos", disse, referindo que ainda que o preço desta luta possa significar pagar com a própria vida, a luta pela liberdade não vai parar.
Apelo à uma investigação séria
Com o Executivo, na pessoa do seu titular, a declinar qualquer responsabilidade pelos assaltos a sede do SJA e intimidação de jornalistas, resta apenas aos serviços de investigação fazerem o seu papel e trazerem a público os responsáveis pela trapaça.
João Lourenço solidarizou-se com a marcha, e negou que tenha sido o Estado a sufocar a liberdade de imprensa e de expressão, considerando a existência da classe, tendo pedido os serviços afins a fazerem o seu trabalho.
As palavras do Chefe de Estado acalentaram a Presidente da Carteira e Ética Profissional, Luísa Rogério, para quem, as palavras de João fazem renascer a ideia de que o Estado é gente de bem, "por isso, deve fazer o seu papel.
Quem alinha na mesma lógica é o Secretário-Geral do SJA, Teixeira Cândido que, com as palavras do Presidente da República, espera que se faça uma investigação para se responsabilizar criminalmente aqueles que atentam contra o disposto na CRA.











