‘Aventura’ política de Quintino Moreira rendeu cerca de 1 bilhão e 200 mil Kwanzas
O Tribunal Constitucional (TC) oficializou a extinção das forças políticas que, nas últimas eleições, não obtiveram pelo menos 0,5% dos votos validamente expressos. O não cumprimento deste pressuposto levou à extinção dos partidos políticos Aliança Patriótica Nacional (APN) e Partido Nacionalista para Justiça em Angola (P-NJANGO).
Por: Lito Dias
É a estreia do P-NJANGO, liderado por Dinho Chingunji que, a três meses das eleições, viu a sua formação política a ser oficializada e começar a fazer todos os arranjos possíveis para concorrer.
Portanto, Dinho estreou-se a concorrer e estreou-se, também, a ser extinto sete meses depois da sua oficialização.
Numa eleição em que saiu na última posição, o político, forjado nas escolas da UNITA, tem poucas alternativas de ressurgir, sozinho, daqui a cinco anos, embora ele próprio considere possível voltar com outra formação política, antes de 2027.
Quanto às vantagens deste 'passeio' na política nacional, fica o facto de ter dado a cara e deixado a sua marca. Embora, eventualmente, não tenha beneficiado directamente dos mais de 1,2 mil milhões de Kwanzas dados pelo Estado para custear a preparação e a campanha eleitoral, alguns dos seus colaboradores esfregam as mãos de contente por terem amealhado muita coisa.
Aliás, ao que se sabe, as contas deste partido continuam a ser feitas junto da Comissão Nacional Eleitoral.
O facto de aparentemente haver uma simpatia entre este e o partido no poder, isso não foi suficiente para mimizar os efeitos legais.
Um Quintino que estudou bem a lição
O líder da APN, Quintino Moreira, é, na verdade, um bom exemplo para todos aqueles que pretendem entrar na vida política sem pensar grande.
Sabe determinar os objectivos quando ele acaba sendo o beneficiário preferido.
Participou nas últimas quatro eleições que o país já realizou; por isso, teve igual número de financiamentos de gênero, além daqueles que recebia "pela porta de trás", por atacar o maior partido na oposição em sede da Assembleia Nacional.
Em 2008, surgiu com a Nova Democracia -União Eleitoral , uma coligação de partidos, pelo meio do qual foi eleito deputado. Em 2012, a coligação foi extinta tendo, nos anos seguintes, criado a Aliança Patriótica Nacional com a qual concorreu em 2017, sem obter assento parlamentar.
Agora, em 2022, numa eleição difícil, em que o político teve de se confrontar com peripécias de toda ordem, o seu partido não trouxe a alegria que tanto apregoava. Os tão almejados assentos parlamentares ficaram longe dos resultados obtidos, a favor da extinção.
Contas encorajadoras
Depois da Nova Democracia e APN, é normal que, dentro de cinco anos ou menos, Quintino Moreira reapareça com outra formação política e consiga concorrer nas eleições de 2027.
Apesar de não ter dado muito nas vistas nas suas participações em actos eleitorais, o político ganhou muito com o financiamento de que os partidos políticos têm direito.
Una fonte próxima de Quintino disse a este jornal que o político, no período das eleições, tem tido o controlo das verbas, gizando todos esquemas possíveis para rentabiliza-las. "E parece que essa estratégia tem dado certo", reconhece a fonte, que refere que a sua gestão tem permitido que, depois das eleições, o partido consiga ainda ficar com "qualquer coisa para mantê-lo".
Para além de dinheiro, a fonte fala em viaturas de marca Toyota -Hiace que têm sido transformadas em táxi. "Não é mal nenhum, desde que tudo seja justificado na hora de prestação de contas junto da CNE.
De 2008, 2012, 2018 a 2022, a epopeia de Quintino pode servir de exemplo para aqueles políticos que não têm grandes objectivos, mas procuram incessantemente pela sobrevivência, fazendo política.
Se, tal como este o fez, em cada cinco anos consegue 1,2 mil milhões de Kwanzas do financiamento do Estado, contas bem feitas mostram que dá para ficar sempre com alguma coisa.
14 anos depois, Quintino de hoje não é justamente o mesmo que se teria se estivesse fora das lideranças políticas.
Além deste jornal saber, alguns partidos já começam a perfilar com olhos fitos nas próximas eleições.
O surgimento de novas organizações políticas ganha uma velocidade cruzeiro na véspera das eleições, para evitar muitos gastos em actividades políticas.
Nas últimas eleições, tivemos o caso de partidos que realizaram os primeiros comícios só na fase da campanha eleitoral.
Com o enterro da APN, Quintino Moreira tem a possibilidade de repensar a sua estratégia eleitoral que não tem poupado ataques a alguns colegas da oposição, sobretudo a UNITA.
Na sua estreia no parlamento, sobretudo de 2009 a 2011, a coligação era muito querida pelo partido governante ao ponto de ter sido agraciada com ofertas em dinheiro e viaturas, tudo por causa do seu posicionamento em relação ao partido do Galo Negro, na Assembleia Nacional.
Já nas vestes de líder da APN, Quintino foi duramente criticado pela UNITA por ter criado uma bandeira parecida à sua.
O acirrar dos ânimos levou este partido a apresentar queixa ao Tribunal Constitucional, mas não passou disso mesmo.











