Presidente da República testemunha investidura de Lula da Silva
O Chefe de Estado angolano, João Lourenço, testemunhou, este domingo, 01, a investidura do Presidente eleito do Brasil, Luís Inácio Lula da Silva, numa cerimónia que contou com mais de trezentas mil pessoas.
João Lourenço, acompanhado da primeira-dama da República, Ana Dias Lourenço, juntou-se a outros Chefes de Estado e de Governos, convidados para a cerimónia, que teve início às 18h30 de Angola (14h30) de Brasília.
Durante o cortejo, o novo Presidente do Brasil, Lula da Silva, o Vice-Presidente, Geraldo Alckmin, e respectivas esposas fizeram-se transportar, da Catedral para o Congresso Nacional (Parlamento), num veículo descapotado.
No Congresso Nacional, Lula da Silva assumiu, pela terceira vez, a condição de Presidente da República Federativa do Brasil, e na mesma ocasião também tomou posse o Vice-Presidente, Geraldo Alckmin.
No plenário da Câmara, o Presidente e o Vice-Presidente do Brasil receberam cumprimentos de senadores e deputados, bem como de alguns Chefes de Estado e de chefes de Governo e convidados.
Presente no acto estiveram 60 delegações de vários países, sendo Angola uma delas.
Um Brasil de todos
No discurso de posse, Lula da Silva comprometeu-se em tudo fazer para, com o Vice-Presidente, melhorar a condição de vida dos brasileiros.
"Hoje a nossa mensagem ao Brasil é de esperança e reconstrução", afirmou o novo Chefe de Estado.
Segundo o Presidente Lula da Silva, a partir de agora todos os esforços do seu Governo vão ser concentrados para reerguer "este edifício de direitos e valores nacionais".
Disse ainda que o diagnóstico que recebeceu do Gabinete de Transição de Governo é estarrecedor.
Afirmou que foram esvaziados os recursos da saúde, assim como os da educação, cultura, ciência e tecnólogia, além da destruição do meio ambiente.
"Não deixaram recursos para a merenda escolar, a vacinação, a segurança pública, para a protecção às florestas, a assistência social", notou.
Ainda de acordo com o Presidente empossado, foi desorganizada a economia, os financiamentos públicos, o apoio às empresas, aos empreendedores e ao comércio externo.
Diante do desastre orçamental, prosseguiu o Chefe de Estado, foi apresentado ao Congresso Nacional propostas que permitam apoiar a população que necessita do Estado para, simplesmente sobreviver.
Face à essa situação, prometeu retomar a política de valorização permanente do salário mínimo e acabar, mais uma vez, com o que chamou de "vergonhosa" fila do Instituto Nacional de Segurança Social (INSS).
No seu discurso, Lula da Silva também prometeu mais diálogo entre o Governo, centrais sindicais e empresariais, sobre uma nova legislação trabalhista, bem como a liberdade de empreender.
Diálogo activo com as nações
Outra aposta deste novo Governo brasileiro é a retomada da economia e da liderança no combate à crise ambiental.
O plano de Governo prevê a retomada da integração sul-americana, a partir do Mercosul, da revitalização da Unasul e demais instâncias de articulação soberana da região.
Com esta base, Lula da Silva quer reconstruir o diálogo com os Estados Unidos, a Comunidade Europeia, a China, os países do Oriente e outros actores globais.
O novo Presidente do Brasil pretende, igualmente, contribuir para o fortalecemento dos BRICS, da cooperação com os países da África, rompendo o isolamento a que o país foi relegado.
"O Brasil tem de ser dono de si mesmo, dono de seu destino. Tem de voltar a ser um país soberano. Somos responsáveis pela maior parte da Amazônia e por vastos biomas, grandes aquíferos, jazidas de minérios, petróleo e fontes de energia limpa", apontou.
Com soberania e responsabilidade, o Presidente quer, de igual modo, compartilhar essa grandeza com a humanidade.
A relevância da eleição no Brasil refere-se, por fim, às ameaças que o modelo democrático tem vindo a enfrentar.
Apontou a existência do que considerou "uma onda de extremismo autoritário que dissemina o ódio e a mentira por meios tecnológicos que não se submetem a controlos transparentes".
Lula chora ao falar sobre desigualdades sociais
O novo Presidente do Brasil, Luís Inácio Lula da Silva, chorou ao falar sobre desigualdades sociais ao se dirigir à nação.
Lula da Silva que falava no Palácio Planalto, ressaltou que a marca do seu novo governo será o combate a todas as formas de desigualdade no país.
Além do combate à desigualdade social, Lula destacou que o Governo combaterá também o racismo, a desigualdade de gênero e que actuará pela protecção dos povos indígenas, por meio dos ministérios da Desigualdade Racial, da Mulher e dos Povos Originários.
“Dessa luta fundamental surgirá um país transformado, um país de todos, por todos e para todos, um país generoso e solidário, que não deixará ninguém para trás”, garantiu.
Durante a sua intervenção voltou a agradecer todos aqueles que participaram da vigília de Curitiba (PR), quando ficou 580 dias preso em decorrência de investigações da Operação Lava Jato.
Lula reiterou ainda no discurso à Nação, que não existem dois brasis, e que governará para os 215 milhões de brasileiras e brasileiros.
“Vou governar para todas e todos, olhando para o nosso luminoso futuro em comum, e não pelo retrovisor de um passado”, destacou.
Povo dá faixa à Lula
Na sequência da ausência do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e do vice-presidente Hamilton Mourão, na cerimónia de investidura, o novo Presidente recebeu a faixa presidencial do povo brasileiro.
A faixa presidencial foi entregue ao Presidente por um grupo de pessoas representando o povo brasileiro e a sua diversidade cultural.
O grupo foi composto por crianças, jovens e adultos, incluindo um indígena de 90 anos.
A cerimónia de tomada de posse de Lula termina com uma cerimônia de recepção, no Palácio de Itamaraty, de chefes de Estado, de Governo e convidados.
C/Angop











