Presidente João Lourenço condena actos anti-democráticos e apela à reposição da ordem
Presidente angolano condena os actos de rebelião no Brasil. Pouco mais de uma semana depois de a comunidade internacional ter presenciado a tomada de posse do Presidente brasileiro eleito, eis que Brasília volta a estar na boca do mundo, mas por motivos bastante negativos. Na tarde de domingo, as sedes dos três poderes do Estado - o Congresso, o Supremo Tribunal e o Palácio do Planalto - foram invadidas e atacadas por apoiantes de Jair Bolsonaro, depois de os mesmos, há algum tempo, terem pedido às forças armadas para realizar um golpe do Estado que depusesse Lula da Silva
Por: NA MIRA DO CRIME
O Presidente da República, João Lourenço, condenou, na noite de domingo (08), os actos anti-democráticos registados no Brasil, expressando, na página oficial da Presidência da República no Facebook, a mais vigorosa e firme condenação aos actos anti-democráticos contra instituições que representam e simbolizam a democracia brasileira.
“Consideramos estas manifestações lamentáveis e reveladoras de um elevado grau de intolerância não compatível com as regras do jogo democrático, em que os resultados legitimados pelo voto popular devem ser reconhecidos e aceites por todos”, reforça o estadista angolano.
De acordo com o Chefe de Estado angolano, as eleições recentemente realizadas no Brasil foram reconhecidas mundialmente como livres, justas e transparentes, não fazendo assim qualquer sentido as reivindicações actuais.
João Lourenço, na sua qualidade de Presidente em funções da CPLP, expressa a convicção de que o Governo brasileiro, com o qual manifesta solidariedade, exerça a sua autoridade e reponha, sem demora, a ordem democrática no país.
Recorde-se que manifestantes, apoiantes do ex-presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, conseguiram, domingo (08), furar um bloqueio das autoridades e invadir o Senado, o Palácio do Planalto e o Supremo Tribunal Federal (STF).
Enquanto isso, o Presidente Lula da Silva, depois de alguma hesitação, acabou por decretar a intervenção federal até ao dia 31 de Janeiro e, cinco horas depois, a situação foi dominada pelas forças de segurança. Foram detidas cerca de 300 pessoas depois de horas de violência, de aparente conivência policial e de agressões a jornalistas.
Enquanto Lula da Silva condenou os atacantes num discurso inflamado, considerando os invasores "nazistas, fascistas e vândalos", o ex-presidente demarcou-se da violência e falou em acusações "sem provas".
As autoridades brasileiras estão a levar a cabo medidas várias para identificar quem invadiu as sedes dos Três Poderes no domingo último. Entre outras, está a criação de um email dedicado exclusivamente à recepção de denúncias e informações sobre os bolsonaristas que causaram estragos no Congresso, no Palácio do Planalto e no Supremo Tribunal Federal.
O emial junta-se a outras medidas na área da tecnologia como o recurso à geolocalização ou às imagens captadas por câmaras de segurança para identificar tais elementos.
O acampamento de apoiantes de Jair Bolsonaro junto ao Quartel General do Exército já começou a ser desmontado, com o apoio de quase 1.000 militares do Exército brasileiro. Segundo o portal g1, pelo menos 40 autocarros com apoiantes do antigo presidente foram vistos a abandonar o local, enquanto que muitos tentaram desmontar as suas tendas antes de as autoridades chegarem.
O g1 e a CNN Brasil mencionam também que foram detidas 1.200 pessoas pela Polícia Federal.
Os bolsonaristas estavam acampados há mais de 60 dias em frente à sede do Exército, onde pediam diariamente por uma intervenção militar que travasse ou restringisse a presidência de Lula da Silva, alegando teorias da conspiração sobre uma suposta fraude eleitoral.
O gabinete do presidente Lula da Silva, localizado no interior do Palácio do Planalto, não foi invadido pelos manifestantes graças ao sistema de segurança. Em declarações aos jornalistas, citado pela CNN Brasil, o ministro da Secretaria de Comunicação Social, Paulo Pimenta, garantiu que o escritório de Lula saiu intacto do ataque.
Segundo o que contou Paulo Pimenta, o gabinete tem vidros blindados e um sistema de segurança autónomo, que impediu qualquer acto de vandalismo. No Supremo Tribunal Federal, o gabinete da presidente, Rosa Weber, foi completamente destruído.
O ministro das comunicações também deu conta de que "quem entrou no Planalto, conhecia o Planalto", comentando o roubo de armas do interior do edifício que serve de sede para o poder executivo no Brasil.
Sobre os relatos de apoiantes de Bolsonaro que vandalizaram os edifícios com matéria orgânica, à semelhança do que aconteceu no Capitólio, Paulo Pimenta confirmou que foram identificadas fezes e urina de bolsonaristas no interior do Planalto, cujas amostras servirão para identificar os invasores.
O jornal brasileiro Estadão publicou um vídeo que demonstra as autoridades de Belo Horizonte, no estado de Minas Gerais, a desmontar um acampamento de bolsonaristas que estava montado em frente ao Comando da 4.ª Região Militar do Exército. As imagens mostram os apoiantes do antigo presidente a rezar e a chorar, à medida que a polícia vai derrubando o acampamento.
O mesmo jornal também dá conta de que, antes de as autoridades acabarem com o ajuntamento, jornalistas no local tinham sido agredidos pelos apoiantes de Bolsonaro. Vários jornalistas, brasileiros e estrangeiros, apontaram para situações semelhantes e hostilidades para com a imprensa, por parte dos apoiantes do antigo presidente.
Muitas são as reações da comunidade internacional à bárbara invasão das sedes do Congresso, Supremo Tribunal e Palácio do Planalto, ocorrida no domingo, por bolsonaristas. O chanceler alemão, Olaf Scholz, considerou que este tipo de ataques "não podem ser tolerados".
As organizações não-governamentais (ONG) Human Rights Watch e Amnistia Internacional divulgaram uma nota condenando ataques de apoiantes do ex-presidente Jair Bolsonaro a edifícios públicos, em Brasília, em actos classificados como terroristas pelas autoridades locais.
"Os actos de violência e vandalismo que ocorreram em Brasília no dia 08 de Janeiro de 2023 constituem um ataque inaceitável contra as instituições democráticas brasileiras por pessoas que buscam negar o direito dos brasileiros ao voto e de eleger os seus representantes, inclusive pedindo uma intervenção militar", frisou a Human Rights Watch (HRW).











