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'Disciplina' já era - Força Aérea quebra hegemonia do Exército no comando das FAA, ex-chefe da BRINDE é o novo adjunto do Estado Maior General

'Disciplina' já era - Força Aérea quebra hegemonia do Exército no comando das FAA, ex-chefe da BRINDE é o novo adjunto do Estado Maior General


O Presidente da República e Comandante-em -Chefe das Forças Armadas Angolanas (FAA) assinou, esta sexta-feira, um decreto a exonerar o General de Exército, António Egídio de Sousa e Santos, do cargo de Chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas Angolanas.

Por: Lito Dias

No mesmo decreto, o Comandante-em-Chefe das FAA nomeou o General de Aviação, Altino Carlos José dos Santos para o cargo de Chefe do Estado Maior General das FAA, depois de, no decreto anterior, o ter exonerado do cargo de Comandante da Força Aérea Nacional.

Esta medida traz inovações na estrutura das Forças Armadas Angolanas que, desde a sua fundação, a 09 de Outubro de 1991, nunca teve um Chefe do Estado-Maior General, que não fosse do Exército.

Noutras palavras, a Força Aérea Nacional e a Marinha de Guerra Angolana foram sempre preteridas, por ter havido a ideia de que o exército era o ramo que mais se empenhou durante a guerra.

No papel, desde 2012 que a comissão indigitada para elaborar a Lei das Carreiras Militares estabeleceu, teoricamente, que os oficiais da Força Aérea e da Marinha de Guerra Angolana pudessem, também, ser indicadas para o mais alto cargo das FAA, devendo ser General da Aviação e Comandante da Armada, respectivamente.

Mas, devido a interferências politico-partidárias esta Lei foi aprovada apenas em 2020, pela Assembleia Nacional.

Antigo Chefe da BRINDE substitui Kamorteiro

 Em outro decreto e usando das suas prorrogativas constitucionais, João Lourenço exonerou o General José Luís Caetano Higino de Sousa do cargo de Director Geral do Serviço de Inteligência Externa; tendo para esse cargo indicado Matias Bertino Matondo.

O Presidente da República exonerou o Tenente-General Artur Santos Vinama do cargo de Conselheiro do Chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas Angolanas e nomeou-o para o cargo de Chefe do Estado Maior General Adjunto para a Área Operacional e Desenvolvimento, em substituição do falecido general Abreu Muengo Kamorteiro.

O general Artur Vianama incorporou nas FAA em 2002, vindo das Forças Militares da UNITA, onde se tornou numa figura incontornável na estrutura dos serviços de segurança.

É o único general que mais tempo fez à frente da secreta do Galo Negro, tendo comandado a famigerada BRINDE, os Serviços Gerais de Informação (SGI), a Brigada de Informação Geral (BIG) e a temida BRD.

O Presidente da República nomeou ainda o General Adão Adriano António, para o cargo de Presidente do Conselho Superior de Disciplina Militar do Estado-Maior General das Forças Armadas Angolanas.

Trata-se de um cargo deixado vago em virtude da morte, por doença, do general Samuel Sapingala 'Samy', falecido há dois anos. O decreto Presidencial incidiu também na chefia do exército cujo Comandante passa a ser o General João Serafim Kiteculo.

Na mesma senda, foram indicados também o Tenente General João Cruz da Fonseca, para o cargo de 2º Comandante do Exército; General Virgínio António da Cunha Pinto, para o cargo de Comandante da Força Aérea Nacional; Tenente General Emanuel Mendes Vasconcelos, para o cargo de 2º Comandante da Força Aérea Nacional; Vice-Almirante Noé Rodrigues João Magalhães, para o cargo de 2º Comandante da Marinha de Guerra Angolana.

O General Sequeira João Lourenço, foi indicado para o cargo de Chefe Adjunto da Casa Militar do Presidente da República.

Trata-se do irmão do próprio Presidente da República que deve, agora, endossar a dinâmica de asseguramento da Cidade Alta, por ser, como é evidente, homem de confiança do Chefe de Estado.

Zé Grande ficou 'pequeno'

Informações a que este jornal teve acesso indicam que o Representante Especial da União Africana (UA) para a República Centro-Africana (RCA), o angolano Matias Bertino Matondo, foi proposto, nesta quinta-feira, 19, para exercer o cargo de Director-Geral do Serviço de Inteligência Externa (SIE), em substituição de José Luís Caetano Higino de Sousa, "Zé Grande”.

O general Zé Grande, segundo a nossa fonte, declinou todas as propostas que lhe foram feitas, desde a de Ministro da Defesa Nacional, Chefe do Estado-Maior General a de Chefe da Casa de Segurança do Presidência da República.

Altino Carlos José dos Santos vai ter uma emissão espinhosa, no crónico processo de reedificação e restruturação das FAA, onde se tem verificado poucos avanços.

Tal como este jornal frisou na véspera das remodelações, os problemas não são poucos.

Vai se deparar com militares com mais de 10 anos na mesma patente; militares que gastam dinheiro do Estado em formação na Rússia, mas que acabam reformados tão logo voltam ao país; há uma mão cheia de problemas que clamam por uma solução urgente.

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