O balanço é pesado - Agressão física e sexual de crianças preocupa INAC
Do último trimestre do ano 2022 a 26 de Janeiro de 2023, o índice de agressão física e violência sexual a menores de idade tem aumentado, o que deixa preocupada a direcção do Instituto Nacional da Criança (INAC).
Por: Débora Manuel
De acordo a Directora adjunta da instituição, Elisa Gourgel, os casos têm aumentado porque "o amor esfriou, os pais que deviam dar a protecção aos seus filhos são os mesmos que põem a sua segurança em risco.
Segundo a responsável, existem casos em que os pais agridem os filhos com objectos cortantes, outros ainda aquecem as facas para queimar as mãos porque a criança roubou 2000, 100 ou ainda 50 Kwanzas, práticas que, em alguns casos, termina em morte.
Salientou que também existem casos em que os pais acusam os próprios filhos de feiticeiros. "Houve um caso que chegou até nós recentemente em que a mãe sonhou que a filha de 14 anos estava a dar-lhe de comer no sono, esta, por sua vez, agride a filha e, de seguida, vai à igreja e conta ao pastor, e o homem de Deus, sem mais e menos, diz: a tua filha é feiticeira; ela quer matar-te; ela tem que jejuar comigo, e nessa de jejuar o pastor acabou abusando a menor sexualmente até engravidar", contou Elisa Gourgel.
Outro caso de agressão física resulta do facto dos pais mimarem demasiadamente os filhos. "Eles ficam ultrapassados, e acabam não obedecendo os pais e esses, por sua vez, partem para agressão física", sublinhou.
A exposição dos menores nas ruas a pedirem esmolas, ainda que os pais tenham condições de montar um negócio faz com que muitas dessas crianças sejam aliciadas por adultos com 2000 Kwanzas e, de seguida, são abusadas sexualmente, segundo a responsável do INAC.
Ela relata ainda que houve um caso em que uma adolescente foi abusada sexualmente pelo vizinho e o pai, ao invés de protegê-la acabou também por abusá-la, já que ele alimentava a ideia diabólica de que antes da filha casar, envolver-se-ia primeiro com ela. Como resultado, a adolescente está grávida, desconhecendo-se, ao certo, o autor da gravidez.
Outro caso que se tornou comum tem que ver com pais que recorrem às práticas supersticiosas para serem alvos de promoções no local de serviço. Para isso, tal como referiu o INAC,são orientados a envolverem-se com os filhos dos 6 meses aos 6 anos. "Houve um caso que aconteceu no Andulo recentemente em que o pai abusou do filho de 1 ano para ser promovido no local de serviço, a criança teve que ser socorrida imediatamente numa das unidades sanitárias de Luanda", ilustrou.
Outra situação ainda viral na sociedade angolana prende-se com homens que, mesmo tendo uma ou mais mulheres, procuram pelas adolescentes "porque gostam das cartozinhas e as ditas manga de 10".
Revelou a existência de cafetões, sobretudo mulheres que têm casebres, onde aliciam menores, consomem drogas e incentivam a prostituição. Fruto dessas práticas, muitos adolescentes ficam traumatizados e atingem níveis irreversíveis.
O que é o insólito, mas recorrente é ter-se algumas mães a encobrirem os maridos, com medo de perderem as regalias, tais como: casa, carros, dinheiro e acabam culpando as próprias filhas.
A Directora adjunta do INAC aconselhou os adultos a não tocarem nas partes íntimas das crianças e aconselhou também os pais a levarem os filhos para a igreja e cuidarem bem das crianças porque são o futuro dessa sociedade.











