Dia da Paz e Reconciliação: João Lourenço discursou pelo engrandecimento da cultura de paz em África
No lançamento do Dia da Paz e Reconciliação em África, que passa a ser comemorado a 31 de Janeiro, o Presidente da República, João Lourenço, fez um discurso a prestigiar o evento, que decorreu em formato virtual a partir da Sede da União Africana, na Cidade de Adis Abeba, República da Etiópia, em que foi destaque a reunião do Conselho de Paz e Segurança da Organização continental
Por: Na Mira do Crime
África passa a contar a partir de agora com um dia para a Paz e Reconciliação Nacional. Trata-se do dia 31 de Janeiro, que entra assim para a história do continente.
A data, que é uma iniciativa do Presidente angolano João Lourenço, o campeão para a Paz e da Reconciliação Nacional em África, foi projectada por altura da 16ª edição da Assembleia dos Chefes de Estado e de Governo da União Africana, em Malabo, na Guiné Equatorial.
O lançamento da efeméride foi feita partir de Addis Abeba, Etiópia, onde está a sede da União Africana. O Presidente João Lourenço liderou o lançamento da data.
Segundo Francisco da Cruz, embaixador de Angola junto da União Africana, a data prossegue a paz, estabilidade e desenvolvimento em África.
O evento foi marcado com a realização de uma reunião virtual, organizada pelo Conselho de Paz e da Segurança da União Africana.
O evento visa enaltecer os valores da paz e da cidadania e materializar a aliança de povos em torno da cultura da paz.
Há já algum tempo que a União Africana pretende implementar um plano de acção a favor de uma cultura de paz no continente africano e desenvolver um Movimento Pan-africano para uma Cultura de Paz e Não-Violência, através do estabelecimento de parcerias envolvendo, entre outros, Governos, Sociedade Civil, Comunidade artística e científica, sector privado e organizações internacionais.
Recorde-se que, no quadro dos esforços para a implementação de um Plano de Acção a favor de uma cultura de paz em África, realizou-se em Março de 2013, em Luanda, o Fórum Pan-Africano “Fundamentos e Recursos para uma Cultura de Paz”, co-organizado por Angola, a UNESCO e a União Africana.
Aquele evento preconizou, no final, a necessidade de promover os fóruns de reflexão para implicar todos os actores a nível nacional, sub-regional e regional, tendo feitoa o balanço das acções já tomadas, questionando os conceitos fundamentais que pudessem contribuir para a identificação de linhas de acção inovadoras para a cultura de paz em África.
O Fórum Pan-Africano para a Cultura da Paz enquadrou-se na Resolução n.º 1624 das Nações Unidas sobre a Aliança das Civilizações, como uma oportunidade sublime para demonstrar que é possível aproximar cidadãos africanos por uma cultura de paz; afastar os ódios entre Nações, tribos e grupos; encontrar pontos comuns nos seus traços culturais e esbater ódios e quaisquer outros estereótipos, principalmente entre as gerações mais jovens.
Discurso do Presidente da República de Angola
Irmãs e Irmãos Africanos:
Assinalamos hoje, pela primeira vez, o Dia da Paz e Reconciliação em África, instituído pela 16ª Assembleia Extraordinária de Chefes de Estado e de Governo da União Africana sobre o Terrorismo e Mudanças Inconstitucionais de Governo, realizada em Malabo, Guiné Equatorial, a 28 de Maio de 2022, durante a qual fui nomeado Campeão da União Africana para a Paz e Reconciliação no Continente.
Esta decisão constitui uma grande honra para mim, para o Governo e o povo angolano, por ser um reconhecimento da nossa experiência em matéria de construção da paz em Angola, que perdura há duas décadas.
Só é possível alcançar a paz e a reconciliação em África com acções voltadas à criação do espírito de confiança e de unidade na diversidade para a prevenção, gestão e resolução de conflitos.
Nesta data, permitam-me chamar a atenção para os graves problemas que enfrentamos em África onde, lamentavelmente, os conflitos armados agravam o flagelo da fome, da miséria e das doenças, provocam migrações forçadas das populações, afastam o investimento privado estrangeiro, aumentam o desemprego, assim como outros males que afectam o quotidiano de milhares de cidadãos de África.
Irmãs e Irmãos Africanos:
Deixemos definitivamente para trás o passado conturbado de desentendimento, de desarmonia e de discórdia que condicionou e comprometeu a execução de estratégias de desenvolvimento que ajudariam a impulsionar o nosso crescimento económico e colocar-nos a um nível aceitável de competitividade com outras regiões do mundo.
Devemos assumir a nossa responsabilidade colectiva no que respeita aos esforços a envidar para realizarmos um dos propósitos definidos na Agenda 2063 da União Africana, nossa organização continental, que consiste em alcançarmos o quanto antes o objectivo não concretizado de silenciar as armas no nosso continente.
Irmãs e Irmãos Africanos:
Coloca-se a cada cidadão africano, aos povos africanos, aos políticos e governantes africanos, às organizações da sociedade civil e demais instituições, a exigência de desarmarmos as nossas mentes para trabalharmos de mãos dadas e dentro do espírito de fraternidade que nos é característico, para pormos um fim aos conflitos que subsistem na África Ocidental, na África Central, na Região dos Grandes Lagos, na África Oriental e no Corno de África.
Congratulamo-nos com os esforços realizados por todas as partes envolvidas e que permitiram uma solução negociada que levará ao fim definitivo do conflito armado e ao estabelecimento da paz na Etiópia.
Importa reconhecer a necessidade vital de envidarmos todos os esforços ao nosso alcance para garantirmos o funcionamento eficaz das nossas jovens democracias, que não estando ainda ao nível das mais avançadas, contudo devem estar capazes de dissipar tensões e factores de discórdia que têm servido de pretexto para as inaceitáveis mudanças inconstitucionais de governo que se vêm sucedendo nos últimos tempos.
A nossa ambição é ver num futuro não muito longínquo o nosso continente economicamente forte e socialmente estável, que supere o analfabetismo, a fome e a miséria, que garanta emprego e bem-estar para os seus filhos.
Este velho sonho é realizável se todos juntos trabalharmos para alcançar uma paz definitiva em todo o continente, declarando tolerância zero ao terrorismo, aos golpes de Estado e às guerras inter-étnicas, inter-religiosas e entre países vizinhos.
Para que África seja um continente de paz, de reconciliação e desenvolvimento económico, depende sobretudo de nós, dos políticos, dos governantes e dos cidadãos africanos.
Que todas as nossas energias, talentos e recursos de todo tipo, sejam dedicados em primeiro lugar a favor do desenvolvimento económico e social dos nossos países.
Desejo a todos que se celebre esta data com júbilo e com uma forte crença de que virão seguramente dias de paz, de harmonia e de prosperidade para os povos africanos, se nos empenharmos o suficiente para alcançar este objectivo.











