NOTA POSITIVA - Março Mulher e o empoderamento feminino fundamental no desenvolvimento nacional
A mulher angolana está a conquistar cada vez mais espaço, exercendo um papel de protagonista em diversos sectores, desde públicos, aos políticos e sociais, de tal forma que o seu empoderamento é fundamental para o Estado. Por mais um Março-Mulher, o Na Mira do Crime rende homenagem a todas mulheres, atribuindo esta Nota Positiva por tudo quanto têm feito pelas famílias, pelas comunidades, não poupando esforços, pelo seu sacrifício, coragem, abnegação, espírito criador e muito amor em prol do nosso país e da nossa identidade.
Por: Na Mira do Crime
Desde que Angola se tornou independente que, de 2 a 8 de Março se realiza a Jornada da Mulher. O mês de Março é, por excelência, o Mês da Mulher, principalmente em Angola, por se comemorar, no dia 2, o Dia Nacional, ou seja, o Dia da Mulher Angolana e, no dia 8, o Dia Internacional da Mulher. Por isso, é comum chamar-se a este mês, “Março – Mulher”.
A 2 de Março, o país rende homenagem às heroínas angolanas Deolinda Rodrigues, Irene Cohen, Engrácia dos Santos, Lucrécia Paim e tantas outras, cujo papel desempenhado na luta de resistência ficou gravado nos anais da história de Angola.
Porém, as heroínas angolanas são as mulheres que todos os dias movimentam a sociedade, a todas horas, desde a mais simples camponesa, a zungueira que anima as ruas e o meio ambiente com os seus cânticos e pregões, a vendedora do mercado, a doméstica, a zeladora de infância, a professora, a operária, a motorista, a secretária, a enfermeira, a médica, a engenheira, a economista, cientista, a jornalista, a polícia, a militar, a advogada, a juíza, a política, governante, deputada, e sobretudo, a mãe, esposa, avó, irmã, prima, tia, comadre, madrinha, todas as mulheres, porque sem elas o mundo não seria mundo e os homens seriam simples vegetais, ou nem isso.
As mulheres angolanas fazem acontecer conquistando mais espaço e está presente nos poderes Legislativo, Executivo e Judicial, fruto da própria meritocracia.
Em Angola, a mulher é o maior segmento da população e ainda sofre, em certa medida e em determinados meios, com as heranças históricas do sistema social patriarcalista no seu dia-a-dia.
Desta forma, persistem muitos obstáculos à participação plena e igualitária das mulheres na tomada de decisões, a nível comunitário, do agregado familiar e na vida pública do país.
De acordo com estudos, “as principais barreiras derivam de costumes e comportamentos sociais discriminatórios, normalizados, difíceis de quantificar e de desconstruir”-
Porém, o Executivo angolano, entre outros sectores da sociedade civil, têm destacado a importância do estudo das questões de género para que seja possível adoptar, a nível do país, práticas e atitudes que garantam a mulheres e homens as mesmas oportunidades de emprego, acesso a cargos públicos e defesa dos direitos políticos.
Muito se poderia abordar aqui sobre a participação igualitária no processo de tomada de decisões, formulação de políticas sociais e económicas, assim como de igualdade de oportunidades de acesso a serviços e recursos sociais e económicos no âmbito da dimensão da consciencialização, entendida como a compreensão clara da diferença entre sexo e género, e de que os papéis de género são culturais e socialmente construídos, podendo, portanto, ser alterados.
Ao longo dos tempos a mulher sempre foi julgada como sexo frágil. Analisando-se o contexto histórico, percebe-se como ela tem sido tratada desde o princípio.
Até meados do século passado, por exemplo, a mulher não tinha um papel social definido, não possuía direito ao voto e nem ao trabalho remunerado, dedicando-se, exclusivamente, à família.
A mulher, desde o princípio, era considerada um ser inferior de acordo com as tradições herdadas através dos tempos.
Por muitos anos, ela teve pouca participação na sociedade, sendo fadada aos mandos do seu “senhor”. O marido era o “chefe” do lar, mandava e desmandava, sendo assim definido por ele o que era certo ou errado e, portanto, o que era bom para a mulher e para aquele agregado familiar.
Tudo isso acontecia de forma natural, geração após geração. A filha casava-se e era, mais uma vez subordinada, mas agora do seu marido, e assim, ela repassava os seus costumes para a sua mais nova família tal como recebera dos seus progenitores.
Após tantas lutas, a mulher tem conseguido o seu espaço como cidadã que possui direitos e deveres iguais.
A este propósito, o Presidente da República, João Lourenço, em mensagem dirigida às mulheres pelo 2 de Março, Dia da Mulher Angolana, destacou “a acção abnegada e desinteressada a favor do bem-estar do povo, seja na esfera privada ou no desempenho das mais variadas funções de responsabilidade em todos os domínios da vida pública e social, que conferem à mulher um valor que merece respeito, carinho e solidariedade”.
Assim, aqui ficam felicitações a mulheres como a Primeira-Dama da República, Ana Dias Lourenço, que tem feito um trabalho vistoso com a campanha “Nascer Livre Para Brilhar”, que tem ajudado centenas de mulheres gestantes portadoras do vírus HIV, a ter a oportunidade de nascer sem que o bebé esteja contaminado.
A esta grande mulher, juntam outras como é o caso de Esperança da Costa, vice-Presidente da República; Carolina Cerqueira, presidente da Assembleia Nacional; Dalva Ringote Allen, ministra de Estado para Área Social; as deputadas Mihaela Weba, Florbela Malaquias, Maricel Capama, Elisandra Wassuca, a Deputada Albertina Navita Ngolo, entre outras; a jornalista Maria Luísa Rogério, presidente da Comissão da Carteira e Ética; a também jornalista Joana Tomás, actual secretária-geral da OMA; a Palmira Leitão Barbosa, ministra da Juventude e Desportos; a Académica Rosa Cruz e Silva; a Comissário de Polícia, Engrácia Costa; a médica e Comissário de Polícia Rosa Bessa; as governadoras provinciais, Mara Quiosa, de Cabinda, Lotti Nolika, do Huambo, Gerdina Ulipamue Didalewa, do Cunene e Deolinda Satula Vilarinho, da Lunda Norte; a ministra das Finanaças, Vera Daves; a Dra Milca Cuesse Caquesse, recentemente nomeada administradora do Município de Luanda; e muitas outras mulheres de mérito a todos níveis, em nome dos milhões de mulheres angolanas anónimas, que não deixam de ser todas de mérito.
Actualmente, a figura da mulher, de elemento secundário, passou a ser uma realidade extremamente importante na sociedade, onde ela exerce cada vez mais um papel de protagonista, embora ainda sofra com as heranças históricas do sistema social patriarcalista no seu dia-a-dia, principalmente nas comunidades mais conservadoras.
Com o tempo, graças à maior clarividência e visão realista da importância da mulher por parte de todo um conjunto de factores, ela tem conseguido aumentar o seu espaço nas estruturas sociais, abandonando a figura de mera dona de casa e assumindo postos de trabalho, cargos importantes em governos, empresas e estruturas hierárquicas menos submissas. Em determinados casos, passou a ser a comandante da sua família e até da comunidade em que está inserida.
Embora o papel da mulher na sociedade esteja a tornar-se cada vez maior e melhor, ainda existem muitos desafios a serem enfrentados.
É preciso, pois, combater a cultura machista na sociedade e isso não significa “combater os homens”, melhorar o acesso das mulheres aos postos de trabalho e cargos elegíveis, promover melhores salários, efectivar o direito da mulher sobre o seu próprio corpo e sobre a sua liberdade individual, além de efectivar a protecção de mulheres ameaçadas no quotidiano.
Os desafios são grandes, mas quanto menor for a resistência das pessoas no sentido de questionar ou combater as pautas femininas, mais ampla e melhor será a efectivação de uma sociedade mais igualitária. Trata-se de uma missão a ser concluída por toda a sociedade, tanto pelas mulheres quanto pelos homens.
Que tal andarmos todos em sintonia, com mais compreensão, tolerância e amor? Bem-haja todas as Mulheres, tudo de bom com a Bênção de Deus!











