Presidente João Lourenço discursa no Fórum de Negócios Japão-Angola e reúne com o Imperador Naruhito
O Presidente da República, João Lourenço, no âmbito da sua visita oficial de quatro dias ao país do Sol Nascente, teve um encontro esta segunda-feira (13) como o Imperador Naruhito, com quem analisou questões de interesse comum, no quadro do estreitamento da cooperação entre os dois países. Antes, discursou no Fórum de Negócios Japão-Angola, tendo apontado os sectores do petróleo, gás, agropecuária, pescas, indústria, turismo, saúde e educação como importantes para o investimento dos empresários japoneses
Por: Na Mira do Crime
O Presidente da República, João Lourenço, efectua, desde domingo (12), uma visita oficial ao Japão, a convite das autoridades locais. O programa da visita, que termina quarta-feira (15), inclui encontros com o Imperador japonês, Naruhito, o primeiro-ministro, Fumio Kishida, e empresários locais.
Assim, João Lourenço, encontrou-se, esta segunda-feira (13), em Tóquio, com o Imperador japonês, Naruhito, com quem analisou questões de interesse comum, no quadro do estreitamento da cooperação entre os dois países.
O encontro entre as duas individualidades marcou o ponto mais alto do segundo dia da visita oficial de quatro dias que o Presidente João Lourenço efectua ao Japão, a convite das autoridades locais.
O Chefe de Estado angolano fez-se acompanhar no encontro com o Imperador pela Primeira-Dama da República, Ana Dias Lourenço.
No quadro da lei japonesa, o Imperador age como Chefe de Estado em ocasiões diplomáticas, sendo o Japão uma monarquia constitucional onde o poder do Imperador é muito limitado. A Constituição do país o define como "símbolo do Estado e de unidade do povo". Não possui poderes relacionados ao Governo.
O poder, concedido por soberania popular, está concentrado, principalmente, na figura do Primeiro-Ministro japonês e de outros membros eleitos.
Ainda na segunda-feira, na capital japonesa, o Chefe de Estado angolano concedeu audiências a várias individualidades ligadas ao sector empresarial local.
O Presidente João Lourenço manteve um encontro com o presidente da NEXI, Atsuo Kuroda, empresa japonesa especializada em seguros para o comércio e investimentos, a que se seguiu audiências ao vice-governador do Banco Japonês para Cooperação Internacional (JIBIC), Kazuhiko Amakawa, e ao vice-presidente da Agência Para Cooperação Internacional (JCA), Junich Yamada.
Com estas três entidades o Presidente angolano analisou questões ligadas aos investimentos das respectivas empresas em Angola.
Segunda-feira a noite, o Presidente angolano participou num jantar de gala oferecido pelo Imperador japonês.
PR discursa no no Fórum de Negócios Japão-Angola
Ainda segunda-feira (13), o Chefe de Estado angolano, apelou, em Tóquio, capital do Japão, aos empresários japoneses para investirem nas mais diversas áreas de negócios em Angola, afirmando que Angola pretende desenvolver todos estes sectores, mas com maior destaque para o sector agro-industrial, visando aumentar a oferta de emprego, alcançar a auto-suficiência de bens no mercado interno e diversificar as exportações.
João Lourenço garantiu que o Governo angolano dará todo o apoio necessário às intenções de investimento dos empresários japoneses nos diversos sectores da economia angolana.
Assumindo que Angola está a implementar importantes reformas para se tornar num país cada vez mais aberto ao mundo, sobretudo com um ambiente de negócios mais acolhedor do investimento privado nacional e estrangeiro, o Presidente salientou que “como resultado destas reformas, Angola dispõe hoje de um ambiente de maior transparência, de boa governação, com acções claras de combate contra a corrupção e a impunidade”.
O estadista angolano reiterou que o país respeita e protege a propriedade privada e a sã concorrência entre os agentes económicos, defende e assegura a melhoria na circulação internacional de capitais, dos rendimentos e dos dividendos, realçando que o Governo angolano vai continuar a aprofundar as reformas iniciadas, sobretudo para promover o desenvolvimento do capital humano nacional e o desenvolvimento sócio-económico do país.
Manifestando interesse nas linhas de financiamento japonês ressaltou que, para a plena realização destas tarefas, “é vital a participação do sector privado que consideramos ser o motor para o crescimento e desenvolvimento do nosso país”, argumentando que as instituições financeiras do Japão apresentam termos e condições de financiamento favoráveis, com juros baixos e prazos de reembolso suficientemente largos.
“O Governo angolano tem muito interesse em trabalhar com as autoridades japonesas na estruturação de linhas de financiamento”, afirmou na sua intervenção diante de empresários de vários sectores do Japão, considerada a terceira maior economia mundial.
Como fez questão de referir, financiamentos com característica do género vão apoiar o esforço de diversificação da economia nacional no que respeita à expansão e modernização das infra-estruturas do país e, também, para potenciar o sector empresarial privado.
O povo japonês e o povo angolano partilham diversas características similares, como a capacidade de resiliência para ultrapassar grandes obstáculos, lembrou João Lourenço.
O Japão, país insular no Oceano Pacífico, pela coragem e capacidade, ultrapassou consequências nefastas de uma guerra devastadora, ao se reerguer das cinzas e construir uma das mais sólidas e modernas economias do mundo.
Angola, disse o estadista angolano, viveu muitos anos de conflito armado e o seu povo demostrou, igualmente, ter capacidade de resiliência para ultrapassar o choque negativo que a guerra acarreta às nações.
“É por este motivo que Angola e o Japão são solidários com todas as soluções de paz que se possam encontrar para os diversos conflitos que hoje se registam em diversos locais do mundo” considerou, lamentando o caso do conflito entre a Rússia e a Ucrânia, que coloca em risco a paz e segurança mundiais.
“O mundo precisa de desenvolvimento e sustentabilidade e de nações que cooperem neste sentido. Tenho a certeza que a relação de cooperação entre Angola e o Japão representa bem este modelo de relacionamento estável e com foco no desenvolvimento sócio-económico”, explanou.
Angola e Japão pretendem incrementar a cooperação nos domínios político, económico e cultural, sobretudo no processo de industrialização e superação de desafios nas áreas da agricultura e do desenvolvimento dos agro-negócios, petróleo e mineração.
O Japão, terceira maior economia mundial, possui a décima maior população do mundo com cerca de 125,4 milhões de habitantes.
Recorde-se que a cooperação bilateral com o Japão começou em 1988 como Ajuda de Emergência, por via da UNICEF. No âmbito da reconstrução nacional de Angola, o Japão tem estado a realizar a assistência, no quadro de organizações internacionais, em segmentos como ajuda alimentar, bem como assistência aos agricultores e à pobreza.
Discurso do Presidente João Lourenço no Fórum de Negócios Angola-Japão
-Excelência Senhor Yamada Kenji, Ministro de Estado das Relações Exteriores do Japão;
-Excelência Senhor Kanji Yamada, Vice Ministro dos Negócios Estrangeiros do Japão;
-Excelência Satomi Ryuji, Vice-Ministro Parlamentar da Economia, Comércio e Indústria do Japão;
-Excelentíssimo Senhor Nobuhiko Susaki, Presidente da Organização para o Comércio Externo do Japão, JETRO;
-Excelentíssimo Senhor Atauo Kuroda, Presidente da Agência de Seguros do Japão para as Exportações, NEXI;
-Excelentíssimo Senhor Junich Yamada, Vice-Presidente da Agência para a Cooperação Internacional do Japão, JICA;
-Excelentíssimos senhores membros do Governo do Japão e de Angola;
-Ilustres empresários japoneses e angolanos;
- Ilustres convidados;
-Minhas senhoras, meus senhores.
É com elevada satisfação que tenho a honra de participar neste Fórum de Negócios Japão-Angola, que constitui uma boa ocasião para aprofundarmos o diálogo e trocarmos pontos de vista sobre as diversas oportunidades de investimento que existem em Angola e no Japão.
Uma palavra especial de reconhecimento e agradecimento vai para a Organização para o Comércio Externo do Japão (JETRO), por ter organizado, em associação com a nossa Agência de Investimento Privado e Promoção das Exportações (AIPEX) este evento, que reúne membros dos governos do Japão e de Angola, bem como empresários japoneses dos mais diversos sectores de actividade que, com a sua presença, demonstram a sua firme vontade de investir em Angola.
Minhas Senhoras, Meus Senhores;
Sendo o Japão a terceira maior economia mundial, aberta ao mundo e com um grande volume de importações, as empresas angolanas podem beneficiar deste aspecto da economia japonesa exportando para este mercado produtos de que temos ou venhamos a ter vantagens comparativas para além das já tradicionais matérias-primas.
A cooperação entre Angola e o Japão tem estado assente numa base de complementaridade com ganhos para ambas as partes e, sobretudo, com a visão de alcançar e reforçar o desenvolvimento económico e social de ambos os países.
É com base neste clima de cooperação que Angola tem beneficiado do know-how e do apoio financeiro do Japão, em diversos domínios quer públicos como privados.
Angola vem beneficiando, ao longo dos anos, de várias linhas de crédito japonesas para financiar projectos de investimento público de grande impacto na nossa economia.
Foram reabilitadas e apetrechadas, com equipamento de ponta, três fábricas têxteis, nomeadamente a Textang II em Luanda, a África Têxtil em Benguela e a SATEC no Kwanza Norte.
Estas fábricas estão hoje a funcionar normalmente sob gestão de empresas privadas, na sequência da recuperação de activos do Estado que se encontravam indevidamente nas mãos de particulares que as deixaram paradas durante vários anos.
Estes projectos vão contribuir para o desenvolvimento da cadeia de valor do sector têxtil de Angola, podendo fazer do nosso país um importante produtor e exportador de tecidos e produtos de confecções de elevado padrão de qualidade.
A entrada em funcionamento destas unidades industriais vai fomentar a produção local de algodão, assegurando a oferta da matéria-prima fundamental para a indústria têxtil angolana.
Com base no projecto de cooperação com a Agência de Cooperação Internacional do Japão, em Agosto de 2019 foi concluída a obra da segunda fase de reabilitação do Porto do Namibe, tendo sido assinado, no mesmo ano, o contrato de empreitada do Projecto Integrado da Baía do Namibe, que está a ser desenvolvido pela empresa japonesa Toyota Tsusho.
Este projecto inclui a construção do terminal de contentores do Porto do Namibe, para além da reforma e reconstrução do terminal de exportação de minério de ferro no Sacomar, na mesma província do Namibe.
Com estes investimentos, espera-se um incremento no volume das exportações e das importações de vários produtos, com efeitos positivos no desempenho da economia nacional e daquela região do país.
No sector das telecomunicações, é importante ressaltar a participação da empresa japonesa NEC Corporation e do JBIC, que tornaram possível a instalação dos Sistemas de Cabos Submarinos do Atlântico Sul (SACS), que conectam Angola e o Brasil e que entraram em funcionamento em Outubro de 2018.
Muitos outros projectos de investimento público e privado estão a ser implementados por empresas japonesas em Angola e, ao longo deste fórum de negócios, certamente que teremos a oportunidade de falar deles.
Caros Empresários; Minhas Senhoras e Meus Senhores;
Angola está a implementar importantes reformas visando tornar-se num país vez cada mais aberto ao mundo, sobretudo com um clima de negócios mais acolhedor do investimento privado nacional e estrangeiro.
Como resultado destas reformas, Angola dispõe hoje de um ambiente de maior transparência, de boa governação, com acções claras de combate contra a corrupção e a impunidade.
Somos um país que respeita e protege a propriedade privada e a sã concorrência entre os agentes económicos e que defende e assegura a melhoria na circulação internacional de capitais, dos rendimentos e dos dividendos.
Vamos continuar a aprofundar as reformas iniciadas, sobretudo para promover o desenvolvimento do capital humano nacional e o desenvolvimento sócio-económico do país.
Para a plena realização destas tarefas, é vital a participação do sector privado que consideramos ser o motor para o crescimento e desenvolvimento do nosso país.
Convidamos os empresários japoneses a investir em Angola nas mais diversas oportunidades de negócios, com realce para os diversos sectores de actividade económica para além da extracção de petróleo e gás, em sectores produtivos como a agropecuária, as pescas, a indústria, o turismo e os serviços, mas também em sectores com impacto social como são os casos da Saúde e da Educação.
Angola pretende desenvolver todos estes sectores mas com maior destaque para o sector agroindustrial, visando aumentar a oferta de emprego, alcançar a autossuficiência de bens no mercado interno e diversificar as exportações.
Neste sentido, o Governo angolano dará todo o apoio necessário às intenções de investimento dos empresários japoneses nos diversos sectores da nossa economia.
Os Governos de Angola e do Japão estão a trabalhar incansavelmente na negociação e aprovação do Acordo de Proteção Recíproca de Investimentos (APRI), instrumento de cooperação que gostaríamos de ver concluído durante esta minha visita ao Japão, como sinal da importância que damos ao investimento privado dos empresários angolanos no Japão e dos empresários japoneses em Angola.
Aproveito esta oportunidade para saudar as diversas intenções e projectos de investimentos que empresas japonesas têm manifestado interesse em desenvolver em Angola, como a do Grupo Toyota Tsusho, que tenciona instalar em Angola uma linha de montagem de veículos e fábrica de peças sobressalentes.
Este e outros projectos serão apoiados pela nossa Agência de Investimento Privado e Promoção das Exportações (AIPEX), bem como pelos diversos departamentos ministeriais e entidades do Governo.
Como regra, as instituições financeiras do Japão apresentam termos e condições de financiamento favoráveis, com juros baixos e prazos de reembolso suficientemente largos.
O Executivo angolano tem muito interesse em trabalhar com as autoridades do Japão na estruturação de linhas de financiamento com estas características para apoiar o esforço de diversificação da economia nacional no que respeita à expansão e modernização das infra-estruturas do país e, também, para potenciar o sector empresarial privado.
Excelências; Minhas Senhoras e Meus Senhores;
O povo japonês e o povo angolano partilham diversas características similares, como a capacidade de resiliência para ultrapassar grandes obstáculos.
O Japão, um país insular no Oceano Pacífico, é o berço de um povo que o mundo admira pela sua cultura milenar mas, sobretudo, pela coragem e capacidade demonstradas em ultrapassar as consequências nefastas de uma guerra devastadora, ao se reerguer das cinzas e ter construído uma das mais sólidas e modernas economias do mundo.
Angola viveu muitos anos de conflito armado e o nosso povo demostrou igualmente ter capacidade de resiliência para ultrapassar o choque negativo que a guerra acarreta às nações.
É por este motivo que Angola e o Japão são solidários com todas as soluções de paz que se possam encontrar para os diversos conflitos que hoje se registam em diversos locais do mundo, como é o caso do conflito entre a Rússia e a Ucrânia, que colocam em risco a paz e segurança mundiais.
O mundo precisa de desenvolvimento e sustentabilidade e de nações que cooperem neste sentido. Tenho a certeza que a relação de cooperação entre Angola e o Japão representa bem este modelo de relacionamento estável e com foco no desenvolvimento sócio-económico.
Convido mais uma vez os empresários de ambos os países a aproveitarem este clima de cooperação que vimos construindo e consolidando, para transformarem as oportunidades de investimentos existentes em riqueza e prosperidade para os nossos povos e nações.
Arigató (Muito obrigado, em japonês)!











