Procuradores corruptos soltam traficantes de drogas detidos nos últimos anos pelo SIC
Uma vez mais, diante da realidade dos acontecimentos que diariamente se registam no nosso país, a Nota da semana é Negativa. É lamentável e deveras triste constatar que, actualmente, muitas instituições do país, incluindo as do poder judicial, estão “diabolizadas” e prestam à sociedade um serviço catastrófico que prejudica o esforço de todos pelo bem-estar comum e progresso nacional, deixando o país à mercê do eminente perigo da desestabilização e do caos.
Por: Na Mira do Crime
Um Estado submetido à vontades criminosas, controlado pelo crime e por delinquentes é um Estado entregue à “bicharada”, em que o bem vida perde importância e os cidadãos deixam de ser pessoas espiritual e fisicamente sãs, moralizadas, imbuídas do sentido de responsabilidade, de respeito pelo social e amor ao próximo.
Como já foi referido nesta rubrica anteriormente, “as famílias, enquanto núcleos da sociedade, ficam desestruturadas e geram indivíduos nocivos que, em vez de acrescentar mais valias à sociedade, criam problemas desestabilizantes, o caos social, o pânico, constrangindo a convivência harmoniosa das comunidades e emperram o desenvolvimento geral do Estado”.
O tenebroso estado em que se encontra uma boa parte das comunidades em Angola, algumas das quais vivem “sitiadas” e/ou submetidas a ambientes de terror, causados por indivíduos ou grupos, vulgo gangues, de delinquentes, que não respeitam nada e ninguém, tende em piorar.
Tais indivíduos assaltam, roubam, sequestram, violam mulheres e crianças, matam e impõem a sua “lei”, sem que sejam molestados e quando são, beneficiam de protecção e benesses e as cadeias são para eles como que locais para passar “curtas férias”.
Vem isto a propósito do mau trabalho que tem sido prestado por determinados magistrados do Ministério Público, entre procuradores distritais, municipais e outros, corruptos e indignos de tal posição, que, a seu belo prazer, em desrespeito à própria lei que dizem e/ou devem defender, mesmo diante de provas materiais, de factos constatados, de testemunhas, etc, pura e simplesmente soltam os criminosos ou, quando as evidências são por demais fortes, mandam-nos para uma “curta estadia” na cadeia e, dias depois, emitem os mandatos de soltura.
Esta não é a primeira vez que se aborda esta questão aqui. Contudo, pelo que tudo indica, em vez de isso levar a alguma contenção, a situação só tem piorado, e está a deixar bastante agastados e até desmoralizados, os efectivos policiais e de investigação criminal, que investigam os crimes, enfrentam os marginais, arriscam as suas vidas, alguns morrem e outros têm sido feridos, prendem os bandidos que entregam ao Ministério Público e dias depois, os mesmos são soltos, sejam eles gatunos, sequestradores, violadores, assassinos, traficantes de droga, de seres e órgãos humanos, contrabandistas de toda ordem, etc.
Tais procedimentos, que pressupõe conivência com os criminosos, corrupção e outros interesses obscuros, grande parte das vezes, ou sempre, impede a sequência das investigações, a descoberta de mais factos e a essência de determinados procedimentos criminosos, para se “cortar o mal pela raiz”.
Estas situações, em meio a tudo o que se tem propalado sobre a crise no sistema de justiça, atiram por terra todas justificações “esfarrapadas” que vêm a público, tentando fazer crer que o poder judicial em Angola é o “melhor do mundo”.
Nos últimos dias são muitas as notícias que demonstram a realidade sobre essas situações, incluindo o lamento de cidadãos lesados, vítimas de crimes hediondos que apelam para que se faça justiça porque os criminosos, horas ou dias depois de detidos, voltam ao convívio social como se nada tivessem feito e com maior vontade de retaliação.
A sociedade está bem recordada do desmantelamento, pelo Serviço de Investigação Criminal (SIC), de uma rede de nove indivíduos, dos quais oito funcionários da empresa Ghassist, que se dedicavam, há anos, na facilitação da saída de droga do tipo cocaína, das aeronaves provenientes do Brasil, para o exterior do Aeroporto Internacional 4 de Fevereiro.
Naquela operação, foi possível apreender seis quilos e 834 gramas de cocaína, que estavam escondidos no interior do quarto de banho de uma aeronave. Foi referido que os cidadãos envolvidos no tráfico têm entre 29 e 45 anos de idade.
Dos nove cidadãos envolvidos no crime, oito são funcionários da empresa Ghassist, responsável pela higienização do interior das aeronaves. Destes, cinco são motoristas e três operadores de limpeza que trabalhavam na companhia há quatro e oito anos, respectivamente.
O desmantelamento da organização criminosa começou a ser feito algum tempo antes da operação, tendo-se apurado que alguém, oriundo do aeroporto de Guarulhos, em São Paulo, Brasil, antes de sair da aeronave colocava a droga nos compartimentos do WC e depois saía do Aeroporto 4 de Fevereiro, como se nada tivesse acontecido. Depois de todos os passageiros saírem da aeronave, os trabalhadores de limpeza, devidamente instruídos pelo mandante, entravam no WC, recolhiam a droga, camuflavam dentro dos sacos de lixo e entregavam aos motoristas.
Por estranho que pareça, algum tempo depois de detidos, sem que todos os procedimentos criminais tenham sido concluídos e julgados, os elementos já se encontram em liberdade.
Na mesma esteira está a chamada “rainha da droga”, uma cidadã angolana, de 40 anos, traficante de cocaína do Brasil para Angola e que enviava também para a Namíbia.
Segundo o SIC, a “rainha da droga” é a mulher que presumivelmente mais droga introduziu no território angolano e namibiano e que tinha como cúmplice o seu esposo, um cidadão nigeriano de 40 anos, que foi também detido com ela.
As autoridades policiais afirmam que o esquema de tráfico era orientado a partir da residência do casal, no município do Cazenga e, desde o Brasil, davam as coordenadas, em colaboração com outros membros do grupo.
A droga era introduzida nas aeronaves da TAAG e retirada, já no aeroporto internacional 4 de Fevereiro, em Luanda, com a colaboração de funcionários da Ghassist, empresa prestadora de serviços na TAAG, já detidos.
A detenção do casal ocorreu na sequência de investigações que culminaram com a detenção de funcionários da Ghassist e mais um indivíduo, já referidos, que por meio de um esquema devidamente delineado, facilitava a introdução das drogas no interior das aeronaves provenientes do Brasil.
A “raínha da droga” tem antecedentes criminais, nomeadamente dois processos-crime registados em 2014 e 2015.
Pelo menos 11 pessoas, incluindo o casal e os funcionários da Ghassit, integrantes desta rede de tráfico de drogas foram detidos. Porém, actualmente, todos se encontram em liberdade na maior das calmas.
Num momento em que Angola está a ser classificada a nível internacional como um “narco-estado”, é caso para se perguntar a quantas anda realmente a justiça em Angola. Quem são os tais procuradores e afins? Foi dito recentemente que o sistema de justiça foi “invadido” por gente imprópria! Até quando?











