Miala ou Nandó? Camaradas procuram possível sucessor de João Lourenço para 2027
Evidências descritas por habilitados observadores do panorama político angolano, sobre o fim do segundo mandato do Presidente da República, apontam para dois cenários: Irá João Lourenço querer candidatar-se para um terceiro mandato, ou, caso não, quem será o candidato do MPLA às próximas eleições? Eis a questão que alimenta acesos debates em diversos círculos da sociedade angolana e não só
Por: Na Mira do Crime
Sendo o último mandato de João Lourenço, o MPLA terá que apresentar um novo candidato à Presidente da República nas próximas eleições, uma figura que seja de consenso dos seus militantes e não imposto.
Entretanto, nos últimos dias, são reiterantes alusões ao facto de, o partido no poder, por orientação do seu líder, João Lourenço, pretender que se faça uma nova revisão à Constituição vigente, visando um terceiro mandato presidencial, embora ele próprio já tenha descartado publicamente que esteja à procura de um terceiro mandato, porque, como disse, “da possibilidade de qualquer revisão constitucional, não se está a falar necessariamente da possibilidade de alteração do número de mandatos que o Chefe Estado em funções pode ou deve ter”.
A este propósito, atendendo que em política “o que é hoje pode não ser amanhã”, os cidadãos estão apreensivos ante a possibilidade de que tal aconteça.
No seio do MPLA, figuras de topo do partido, não concordam com outra revisão que efectue uma mudança constitucional cuja finalidade seja a realização de um terceiro mandato, por considerarem que a liderança de João Lourenço “afundou” o partido.
Pelo sim, pelo não, há rumores cada vez mais consistentes que aludem à preparação, nos bastidores, de um cenário que poderá ter como desfecho um terceiro mandato.
O segundo cenário apontado pelos observadores é: quem poderá ser o próximo candidato do MPLA às próximas eleições?
Tendo em conta que o objectivo do MPLA, que governa o país desde que ascendeu à independência, é a manutenção do poder indefinidamente, a figura que vai substituir João Lourenço terá que congregar toda “mística” para que assim aconteça.
Os novos e mais jovens quadros que ingressaram nos seus órgãos de direcção, os que têm sido catapultados para cargos de decisão, em substituição dos “mais velhos”, só veem o partido como o “trampolim” para a riqueza, para a ostentação e mordomias.
O espírito de angolanidade, de patriotismo, de humanidade, deixou de fazer parte dos seus ideais. Agora só vale ser rico, seja a que preço for e quanto mais rápido melhor, porque “o resto não tem pressa”.
Com dirigentes deste calibre, imbuídos de espírito egoísta e maldoso, na nova geração do MPLA dificilmente se encontrará o candidato ideal a ser o próximo líder e Chefe de Estado.
Recorde-se que Agostinho Neto foi um visionário quando indicou para sua substituição, o quadro mais jovem, entre todos os companheiros da sua geração. Ao indicar José Eduardo dos Santos, então com 38 anos de idade, com o país submetido a uma guerra atroz e fratricida, Neto fez a escolha certa.
Diga-se o que se disser, mas a história não mente e contra factos não há argumentos. O jovem José Eduardo dos Santos aguentou a guerra, manteve a integridade territorial do país e nos momentos mais críticos do país, defendendo a independência, a soberania nacional e alcançou a Paz.
Quem será o substituto de João Lourenço?
Nos corredores do edifício da Ho chi Min continua a incerteza de quem, de facto, em 2027 vai substituir o actual presidente dos Camaradas, João Lourenço na luta pelo cadeirão máximo da Presidência da República.
JLO mostra claramente que não pretende mudar a Constituição para o favorecer, mas há correntes que deixam tudo em aberto e dizem que não é bem assim.
Se tudo continuar neste figurino, o actual Chefe de Estado fica desde já impossibilitado de concorrer a um terceiro mandato, e abre brechas para os seus fiéis e inimigos.
Engana-se quem pensa que as alas “Lourencistas” e “Eduardistas” criadas pela luta contra corrupção levada a cabo por João Lourenço, e que acabou por atingir na sua maioria membros do seu partido, está ultrapassada.
No seio dos Camaradas há quem ainda sonha em ter uma Angola igual a de José Eduardo, em que era só chegar nas finanças ou ao BPC com nome do chefe e saquear tudo e mais alguma coisa.
Desta forma, formam-se fileiras para ver que está melhor capacitado para enfrear o aludido combate contra corrupção. Por outro lado, há quem ainda tem esperança que Angola seja uma verdadeira mãe para todos, e consiga sustentar todos os seus filhos de maneira justa.
Conta-se nos dedos da mão, no MPLA, quem de facto tem perfil para substituir o actual Chefe de Estado e levar o país a bom porto.
No seio da juventude quase que não há referências, porém, há quem diz que em 1977 foi pior, mas um jovem quase ‘desconhecido’ tomou as rédeas do barco e segurou o leme.
Recentemente falou-se na hipótese de Álvaro de Boavida Neto concorrer ao cadeirão máximo do partido. Este peão Eduardista e que já mostrou publicamente que é seguidor fiel de José Eduardo dos Santos, perde porque não tem seguidores internos. Não basta apenas amar Eduardo, é preciso ter links interno, e isto falta ao Boavida.
O ex-secretário geral do MPLA e governador do Bié, mostra um saudosismo claro do tempo das ‘vacas gordas’, onde nada era questionado. Mas isto é insuficiente, é preciso ter estrada.
Outra figura que mostra intenção de concorrer com JLO é a empresária Isabel dos Santos.
A filha do ex-Presidente da República, José Eduardo dos Santos, já se pronunciou quanto a isto e avança que tem intenções de assim proceder.
No entanto, os variadíssimos processos que tem às costas, levam-na mais para a cadeia do que para a presidência.
O recente anúncio de Higino Carneiro, revelando a sua intenção de ser o candidato do MPLA às próximas eleições presidenciais está a “agitar as águas”, tanto a nível dos militantes do partido como da sociedade em si.
Para a opinião pública e a maioria dos cidadãos, Higino Carneiro é conotado com a corrupção que desgraçou e continua a desgraçar o país.
Igualmente, é visto como uma figura que não reúne as qualidades para ser Presidente da República de Angola.
Muitas cogitações têm sido feitas sobre o assunto, destacando-se alguns nomes ligados ao regime.
A vice-presidente do MPLA e o secretário-geral, respectivamente, Luísa Damião e Paulo Pombolo, foram prontamento descartados.
Igualmente, a vice-Presidente da República, Esperança da Costa, é vista como não tendo perfil nem para o cargo que exerce actualmente.
Outra visada é Carolina Cerqueira, presidente da Assembleia Nacional, que apesar da reconhecida competência, também foi posta de lado, assim como a ministra das Finanças, Vera Daves.
Um quadro do MPLA, de reconhecida competência, já com uma considerável estrada política e governamental, é Adão de Almeida, ministro de Estado e chefe da Casa Civil da Presidência da República.
Porém, os vaticínios descrevem-no como sendo mais um elemento complementar, executivo, mas não um líder.
O actual líder da Bancada Parlamentar do MPLA, Virgílio de Fontes Pereira, competente quanto baste, é considerado um bom animador político, mas não possui a “aura” para ser o mais alto mandatário do país.
Muitas outras figuras têm sido analisadas, entre diversos generais e outros dirigentes governamentais e partidários, mas a maioria, senão todos, estão conotados com a corrupção e procedimentos ilícitos que têm lesado os cidadãos, a vida humana e o Estado.
Alguns arriscam ao actual Chefe da Casa Militar do Presidente da República, general Francisco Pereira Furtado, mas a ‘brutidez’ política e falta de elegância atiram-no rapidamente para o estaleiro.
Assim sendo, no círculo dos camaradas, dois nomes são os mais referenciados como “ideais” para substituir João Lourenço na liderança do país e, um deles, ser o cabeça-de-lista do MPLA às próximas eleições gerais de 2027.
Os preferidos são o general Fernando Miala, director-geral do Serviço de Informação e Segurança de Estado (SINSE) e Fernando da Piedade Dias dos Santos “Nandó”, ex-presidente da Assembleia Nacional e também antigo primeiro-ministro e vice-Presidente da República no consulado de José Eduardo dos Santos.
É um indivíduo perspicaz, com capacidade de liderança, suficientemente experiente e conhecedor dos meandros do regime.
Entre prós e contras, as probabilidades apontam mais para Miala que, nos últimos tempos é descrito como tendo assumido “um papel cada vez mais activo no funcionamento do sistema”. Enquanto chefe do principal serviço de informação, SINSE, tem a seu cargo a supervisão de todo o aparelho de segurança, sendo o “zelador” do regime para manter a sua “estabilidade”.
É caso para perguntar: Depois de Agostinho Neto, José Eduardo dos Santos e João Lourenço, quem se seguirá na liderança do MPLA e, quiçá, do país?!!











