Cansado e solitário: Abel Chivukuvuku caminha entre o Projecto PRA-JA e a FPU
Sete meses depois das quintas eleições angolanas, onde o político Abel Epalanga Chivukuvuku esperava estrear como candidato de um partido por si criado, apesar dos travões do Tribunal Constitucional, continua ainda a sonhar com a legalização do Projecto PRA-JA Servir Angola. Um exercício que já não é bem visto pela maioria dos seus seguidores que devem, a qualquer momento, pedir a Abel para retirar da sua agenda o referido projecto que nem tem personalidade jurídica.
Por: Mara Márcia
Uma fonte próxima do processo avançou que o hipotético projecto PRA-JA Servir Angola, depois de ter sido chumbado pelo TC, na véspera das eleições, só serviu para negociar com a UNITA a quota dos seus membros na lista de candidatos a deputado.
"Ultrapassada esta fase, não vemos porque levantar mais o fantasma desse projecto, numa altura em que já estamos engrenados na lógica da FPU liderada pela UNITA", disse, sublinhando tratar-se de incongruência falar-se em nome dos maninhos na Assembleia Nacional e, fora, falar-se de uma coisa que não existe.
"Até as nossas próprias famílias ficam confusas, não nos compreendem", rematou.
Abel dissociou-se da UNITA em 2012, altura que fundou a coligação CASA-CE, na companhia de outros políticos que o adulavam à farta.
Depois de "fazer a cama" para os seus correligionários, foi escorraçado em 2018, tendo a sua saída se repercutido na divisão em dois do Grupo Parlamentar da coligação.
Algo desesperado, o político esboçou o PRA-JA Servir Angola, um projecto reprovado pelo Tribunal Constitucional logo à nascença.
Sobre as motivações do Chumbo, muito se disse a respeito e alega-se mesmo existir uma mão invisível. Foi nessa altura em que algumas figuras do MPLA o contactaram para negociar uma eventual aderência ao partido no poder.
Sem concessões de ambas as partes, o caso foi encerrado. Quando o assunto é poder, Chivukuvuku não tem muitos limites.
Com as eleições de 2022 à vista, Adalberto Costa Júnior entra em campo, recolhendo alguns farrapos do seu partido, da sociedade civil e de forças políticas interessadas, para engendrar uma aliança que ficou registada como Frente Patriótica Unida (FPU).
O projecto de Abel vê na FPU uma sublime ocasião para sobreviver politicamente, e começa e entabular contactos, negociando a quota que teria na eventual lista de candidatos a deputado.
"Ele está cansado" Se a maioria dos apoiantes já se sente cansada, de tantas voltas sem sucesso aparente, Abel não foge a regra. Aliás, ele já não é o mesmo de 2012.
A fonte que temos a citar fez questão de sublinhar que a vida é dinâmica e a idade não perdoa.
"Nem sempre atingimos os nossos objectivos, tal como os definimos", adverte, lembrando que a questão da FPU nunca esteve nos planos de Abel, mas hoje é uma realidade e "absorveu uma boa parte dos seus membros".
Há algumas semanas, disse que iria processar judicialmente algumas administrações municipais que inviabilizarem a legalização do PRA-JA, um pronunciamento que levou a sociedade a concluir que mantém acesa a chama de formar o seu partido.











