NOTA NEGATIVA: Que lições tirar da “manifestação” de 31 de Março?
O dia 31 de Março de 2023 fica marcado na memória dos angolanos pela negativa, sobretudo para os habitantes de Luanda. Entre dúvidas, expectativa, medo e muita especulação, a sexta-feira 31, que muitos consideraram ser de mau agouro por ser o contrário de 13, por tanta balbúrdia que se criou à volta da realização de “uma manifestação contra o governo angolano” que atingiu “contornos alarmantes” em meios da sociedade, principalmente, nas comunidades das periferias, é a Nota Negativa, entre vários assuntos, registada na última semana.
Por: Na Mira do Crime
Luanda amanheceu, na sexta-feira, 31 de Março de 2023, apesar de um clima pesado de maus presságios, calma e cinzenta, com ameaça de chuva em algumas zonas, tendo anteriormente chovido em outras.
Entre o "fica em casa" ou "vamos bumbar", os motes que mais “intoxicaram” psicologicamente os cidadãos nos últimos dias, com campanhas de todo tipo, sobretudo nas redes sociais, criando nas pessoas sentimentos vários, de dúvida, angústia, apreensão e, em algumas comunidades, de terror, imposto por marginais que ameaçavam pacatos cidadãos a aderirem ao proclamado “protesto silencioso”, ameaçando retaliar, caso alguém ousasse sair de casa ou fosse trabalhar.
Em meio a isso, enquanto se apelava ou se impunha que os cidadãos devessem “ficar em casa”, circulava outra imposição para que os cidadãos se juntassem a grupos que estariam a ser organizados em cada município para saírem à rua em manifestação contra o Governo semeando o “caos” em Luanda.
Segundo um “comunicado” posto a circular na Internet e não só, porque as orientações também eram passadas de pessoa para pessoa, levando a diversas compreensões nos meios sociais, a alegada manifestação seria subdividida em diferentes grupos, partindo de pontos diferentes da cidade, seguindo itinerários próprios para chegar a alvos predefinidos “de clara importância polı́tica e estratégica”, tal como o aeroporto, órgãos de comunicação social como a Rádio Nacional de Angola, Televisão Pública de Angola e TVZimbo, assim como o Palácio Presidencial, Assembleia Nacional, a sede da Sonangol, a base da Marinha de Guerra, o Banco Nacional de Angola, entre outros objectivos que poderiam ser visados durante o trajecto dos grupos.
Ainda de acordo com o citado “comunicado”, o plano, que não terá resultado, visava transformar Luanda num “campo de batalha”, com distúrbios de toda ordem, incluindo confrontos com as autoridades, situação que, a concretizar-se, poderia “pintar” a capital com sangue de gente inocente, tal é o “plano macabro” dos mentores desta tentiva de rebelião.
Implantar o “caos” em Luanda, como tem sido frequentemente aludido em círculos ditos próximos dos perpretadores da desgraça alheia, seria o primeiro objectivo, a que se seguiriam outros, que incluiam ataques e a destruição de comités municipais do MPLA, postos de abastecimento de combustı́vel e a rede de câmaras de vigilância citadina.
Caso tais intenções resultassem, poderia descambar numa tragédia sem precedentes, em que inocentes cidadãos, principalmente jovens, seriam as principais vítimas.
A este propósito, a questão que não pode ser calada é: Que benefícios e/ou rendimentos podem trazer aos cidadãos, à sociedade em geral, ou seja, ao país em si, um semelhante cenário “apocalíptico”? Quem se beneficia com isso? Os que querem a todo custo ver Angola a xafurdar no chiqueiro; os que querem o poder; os que querem enriquecer à custa do sangue inocente?
Para atingir as suas pretensões fazem-se passar por “defensores” do povo, por quem é “mais amigo do povo”, os que têm os melhores ideais, em suma, os “salvadores da Pátria”, que vão acabar com a miséria, as doenças e “milagrosamente” vão instalar o progresso e fazer o país acontecer à medida dos sonhos de cada um.
Porém, é esse mesmo povo, o pacato cidadão, o jovem desesperado que não tem emprego, os sacrificados, os meliantes, que são dominados por ideias absurdas, aliciados por benesses quiméricas, que são empurrados para o fogo, enquanto os ditos cujos, que não passam fome, ficam a “assistir o filme” em camarote.
A manifestação é um direito consagrado na Constituição da República. Todo cidadão é livre de se manifestar, de fazer valer os seus direitos, de exigir melhores condições de vida e tudo mais, desde que seja no âmbito dos parâmetros da lei, da moral, da ética, do urbanismo e respeito pela vida humana.
Usar os outros, o povo, como “cobaias” para atingir fins inconfessos e diabólicos, não é de bom tom e muito menos para se chegar ao desenvolvimento do país e criar o bem-estar do Povo Angolano.
Estamos todos de acordo que o país não está bem, que a governação tem tido falhas, algumas das quais gritantes, que se impõem mudanças em várias vertentes, entre outras insuficiências, mas, para que isso aconteça, não pode ser da maneira como os “inteligentes especialistas” de “manifestações” têm engendrado as suas manobras nefastas.
Não pode ser à custa de mais sangue inocente dos cidadãos que só querem viver a sua vida, criar e educar os seus filhos, trabalhar em prol do desenvolvimento nacional para se alcançar o bem comum.
A situação não está fácil, há coisas que poderiam ser melhores, que deveriam beneficiar mais os cidadãos em geral, em vez de só “meia dúzia” de elementos das elites no poder.
Tudo isso pode ser revertido, mas não com mais derramamento de sangue, violência, barbaridades, distúrbios, destruição de bens e infra-estruturas públicas.
Cerca de 30 anos de guerra civil não ensinou nada? Comemora-se a 04 de Abril o Dia da Paz, devemos fazê-lo com conflito, ódio, sangue e desestabilização?
Continuar a emporcalhar a imagem de Angola no exterior e afastar o interesse e o investimento estrangeiro, é que vai trazer mais valias para os angolanos?
Desenvolver o país também é ensinar boas práticas às novas gerações, incutir nelas o patriotismo, o amor ao próximo, mostrar-lhes o correcto e o errado, as vantagens do trabalho honesto, das ideias salutares, do empenho na materialização dos sonhos em proveito da criatividade para melhorar o bem vida, num ambiente de harmonia, de concórdia, de respeito, compreensão, entre as diferenças de cada um e de todos.
Que exemplos salutares estamos a passar para as nossas crianças e os jovens? A intransigência, a violência, a maldade e falta de seriedade? Que país teremos então?
Que se façam jornadas de protesto, que se reivindique por melhores condições de trabalho, de vida, que se exija mais honestidade, mais e melhor trabalho de quem governa, mas sem ultrapassar limites, sem espezinhar o que é legal e correcto, sem que, para que isso aconteça se manipule situações, se incuta medo, terror na população e se ponha em risco a vida de quem se diz defender.
Tem que haver mais diálogo, mais troca de ideias, mais humildade de todos quantos se envolvam no activismo, na política e na defesa dos interesses dos cidadãos e de todo país.
Apesar de Luanda ter ficado um tanto ou quanto “desmovimentada” neste 31 de Março, porque muita gente não foi trabalhar, por receio dos distúrbios muitas famílias não deixaram os filhos irem à escola, incluindo as nossas mamãs, as Zungueiras, e muitos que ganham o seu pão na rua todos dias, abstiveram-se de o fazer.
De certeza que muitas crianças neste dia dormiram com fome. Assim é bom?!











