Polícia no Belas faz ‘jogo sujo’ para encarcerar o rapper e activista “Kamesu”
Está detido desde a madrugada do dia 31 de Março, na Esquadra 51, situada no município de Belas, em Luanda, o rapper e activista angolano “Kamesu”.
Por: Belchior Resende
Na madrugada do mesmo dia, o rapper havia postado na sua conta do Facebook que estava retido pelo facto dos agentes da autoridade, durante uma abordagem, terem encontrado panfletos de contestação contra o regime, que dia antes havia usado numa performance enquanto actuava numa das casas de Luanda.
Depois de terem apresentado todos os documentos, o também activista ficou retido na Esquadra 51, sem qualquer acusação formal.
De acordo com informações postas a circular nas redes sociais, na manhã desta quarta-feira, 05, o advogado do rapper, Zola chegou à referida Esquadra com a sua equipa de trabalho (Isabel e Jaime) e foram ter com a secretaria da Procuradora, onde foram informados que não havia processo contra o Kamesu naquela esquadra.
“Pacientemente, o advogado dirigiu-se à secretaria central (esquadra dos contentores, na centralidade do Kilamba) e na Direcção de Investigação de Ilícitos Penais (DIIP), onde a informação foi a mesma: não há processo em nome deste detido".
De seguida, regressaram à esquadra 51 para saber o que realmente se passava, aí, foram informados que a Procuradora não seguiria o caso.
Por volta das 10horas, chegou na referia Esquadra o rapper San Kaleia com a mãe de Kamesu, e juntos permaneceram à espera de alguma resposta.
Às 12h13, foram informados que a Polícia dará sequência ao processo que será remetido para julgamento sumário no Tribunal da Comarca de Belas, no Benfica.
Aí o grupo dirigiu-se juntamente com a "patrulha" que transportava o Kamesu. Às 14h10 formalizaram a acusação, mas o rapper não aceitou assinar o "auto de notícia" porque contia inverdades.
“Mesmo na presença do seu advogado foi ameaçado e coagido a assinar um documento que não concordava, mas, felizmente, os dois permaneceram firmes e o Kamesu não assinou”.
O grupo de apoio ao rapper Continuou paciente, até que, às 16h39 min, foram informados numa conversa com o técnico do Tribunal que não haveria julgamento, porque os agentes não apresentaram as provas materiais do crime (cartazes, álbum discográfico e documentos pessoais do pai que ele tinha no carro).
“Solicitaram que um de nós fosse com os mesmos à esquadra 51 para pegar as tais provas”. Pedido que foi prontamente negado.
“Minutos depois nos apercebemos que, infelizmente, o magistrado já não se encontrava no Tribunal, tendo abandonado pela porta do fundo enquanto estavam preocupados em perceber o que realmente se passava”.
“Ficamos sem o julgamento sumário e sem a soltura. Mas, mesmo assim, por volta das 17h e tal, conseguimos conversar com o nosso mano durante longos minutos e providenciamos comida e água para aguentar essa noite”, concluíram.











