Angola celebra a Páscoa coincidentemente com a Paz e Reconciliação Nacional
Comemora-se neste domingo (9) a Páscoa, em louvor à ressurreição de Jesus Cristo. Segundo as Sagradas Escrituras (Bíblia), Jesus Cristo ressuscitou três dias depois de ter sido crucificado. A Páscoa é celebrada também pela reunião da família, sendo um momento de harmonia, de confraternização, de alegria e paz
Por: Na Mira do Crime
Nos últimos anos, em Angola, a celebração da Semana Santa coincide com as comemorações do ”Dia da paz e da Reconciliação Nacional”, que se assinala a 4 de Abril. Em todo o mundo cristão, incluindo o nosso país, milhares de fiéis vão à igreja rezar pela paz e pela união entre os homens.
A Semana Santa, descrita como “a última semana que Jesus Cristo, o Filho de Deus, esteve presente nesta vida Mortal, no corpo de Homem vivendo entre nós, em sua época, por volta de 33 anos”, é uma tradição religiosa cristã que celebra a Paixão, a Morte e a Ressurreição de Jesus Cristo. Ela se inicia no Domingo de Ramos, que relembra a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém e termina com a ressurreição de Jesus, que ocorre no domingo de Páscoa.
Muitos costumes ligados ao período pascal têm origem nos festivais pagãos da primavera. Outros vêm da celebração do Pessach, ou Passover, a Páscoa judaica, que é uma das mais importantes festas do calendário judaico, celebrada por 8 dias e comemora-se o êxodo dos israelitas do Egipto, da escravidão para a liberdade.
É um ritual de passagem, assim como a “passagem” de Cristo da “Morte para a Vida”.
Em português, como em muitas outras línguas, a palavra Páscoa origina-se do hebraico Pessach. Os espanhóis chamam a festa de Pascua, os italianos de Pasqua e os franceses de Pâques.
A Páscoa nunca calha no mesmo dia todos os anos. O dia da Páscoa é o primeiro domingo depois da Lua Cheia que ocorre a 21 Março, ou depois deste dia (data do equinócio). Entretanto, a data da Lua Cheia não é a real, mas a definida nas Tabelas Eclesiásticas.
A igreja, para obter consistência na data da Páscoa decidiu, no Conselho de Nicea, em 325 d.C, definir a Páscoa relacionada a uma Lua imaginária, conhecida como a “lua eclesiástica”.
A quarta-feira de Cinzas ocorre 46 dias antes da Páscoa e, portanto a terça-feira de Carnaval, ocorre 47 dias antes da Páscoa. Esse é o período da quaresma, que começa na quarta-feira de cinzas.
Com esta definição, a data da Páscoa pode ser determinada sem grande conhecimento astronômico. Mas a sequência de datas varia de ano para ano, sendo no mínimo em 22 de Março e no máximo em 24 de Abril, transformando a Páscoa numa “festa móvel”.
De facto, a sequência exacta de datas da Páscoa repete-se aproximadamente em 5.700.000 anos no nosso calendário Gregoriano.
A partir do ano 2000 até 2010, a Páscoa foi celebrada nos seguintes dias: 2000 - 23 de Abril; 2001 - 15 de Abril; 2002 - 31 de Março; 2003 - 20 de Abril; 2004 - 11 de Abril; 2005 - 27 de Março; 2006 - 16 de Abril; 2007 - 08 de Abril; 2008 - 23 de Março; 2009 - 12 de Abril e 2010 - 04 de Abril (dia da Paz e Reconciliação Nacional em Angola).
Entretanto, existem alguns símbolos que marcam a comemoração da Páscoa e apresentam um significado específico. Os principais são o cordeiro, o sino, o círio pascal, o girassol, o pão e o vinho. O cordeiro foi sacrificado em homenagem à libertação do Povo de Deus, os hebreus, pois fugiram do Egpito onde eram escravizados.
Moisés sacrificou um animal para representar o sacrifício do seu povo durante vários anos. Para os cristãos, o cordeiro representa Jesus Cristo, crucificado e sacrificado pelos nossos pecados.
Como muitas igrejas possuem sinos, este também tornou-se num símbolo da Páscoa, pois o seu som festivo anuncia o ressurgimento de Jesus e a sua ressurreição no Domingo de Páscoa.
O círio pascal é uma vela acesa, que significa o renascimento, a “Luz de Cristo” que ilumina os corações dos homens, tendo Jesus ressuscitado das trevas. No círio pascal aparecem os símbolos alfa e ômega, demonstrando que Deus é o “Princípio e o Fim” de tudo.
O girassol é a forma de mostrar que a humanidade deve seguir a luz de Deus, assim como essa flor segue a luz do sol, onde quer que o sol esteja a flor está voltada para o seu lado.
O pão e o vinho tornaram-se figuras importantes na Páscoa, pois Jesus sabia que passaria por todo aquele sofrimento e que morreria na Cruz. Assim, chamou os seus discípulos e fez a Santa Ceia, oferecendo-lhes pão e vinho.
São diferentes os significados místicos e religiosos que envolvem a data em cada nação e com eles, também variam as tradições e restrições para a comemoração. “Por ser uma data ligada à ideia de renovação da natureza e de vida nova, a celebração da Páscoa é fundamentada na comida”, segundo especialistas.
O termo “Páscoa” tem uma origem religiosa que vem do latim “Pascae”. Na Grécia Antiga, este termo também é encontrado como Paska. Porém, a sua origem mais remota é entre os hebreus, onde aparece o termo Pesach, cujo significado é passagem.
Reza a lenda que, originalmente, egípcios, gregos e romanos tinham a Páscoa como a festa da passagem do inverno para a primavera, que trazia com ela o bom tempo, a abundância das colheitas e a fartura à mesa. Já para os judeus, o Pessach, que significa passagem, simboliza a fuga do Egipto em busca da “Terra prometida”, em busca da liberdade.
Entre as civilizações antigas os historiadores encontraram informações que levam a concluir que uma festa de passagem era comemorada entre povos europeus há milhares de anos atrás. Principalmente na região do Mediterrâneo, algumas sociedades, entre elas a grega, festejavam a passagem do inverno para a primavera, durante o mês de Março.
Geralmente, esta festa era realizada na primeira lua cheia da época das flores. Entre os povos da antiguidade, o fim do inverno e o começo da primavera, era de extrema importância, pois estava ligado a maiores possibilidades de sobrevivência em função do rigoroso inverno que castigava a Europa, dificultando a produção de alimentos.
Com o surgimento do Cristianismo, algumas nações acabaram por adicionar elementos, tanto da tradição pré-cristã, quanto do judaísmo. “A ideia da passagem continua, só que desta vez associada a Cristo que vai de humano à divindade e todas as mudanças influenciaram os hábitos alimentares”.
O que se come na Páscoa?
Originalmente, come-se peixe durante a semana que antecede a Páscoa em sinal de sacrifício. Já no domingo, Páscoa, é mais comum o consumo de carne de porco. Mais recentemente, em países como o Brasil e Portugal, começou-se a comer peixe também no domingo. O consumo de bacalhau é uma actualização. O uso do peixe tornou-se muito comum pelo seu sabor marcante. “Com um pedaço pequeno é possível fazer uma refeição farta usando outros produtos mais baratos, como batata e couve”, afirmam os especialistas.
Entre os europeus, árabes e judeus, há o costume de comer cordeiro no domingo de Páscoa. “Esse hábito é carregado de referências cristãs, pois o cordeiro simboliza o próprio Cristo e também os sacrifícios que eram feitos com o animal”.
O bacalhau é muito apreciado em alguns países, não só na Páscoa, mas durante o ano inteiro. É um produto tão versátil que permite inúmeras receitas. Durante a Semana Santa, geralmente, não se come carne, mas quem não liga para a tradição religiosa costuma preparar assados como o folar, um tipo de empadão recheado de frango. As amêndoas de páscoa, cobertas com açúcar ou chocolate, são consumidas na ocasião.
O coelhinho da Páscoa e os ovos
A figura do coelho está simbolicamente relacionada à esta data comemorativa, pois este animal representa a fertilidade. O coelho se reproduz rapidamente e em grandes quantidades. Entre os povos da antiguidade, a fertilidade era sinónima de preservação da espécie e melhores condições de vida, numa época onde o índice de mortalidade era altíssimo. No Egipto Antigo, por exemplo, o coelho representava o nascimento e a esperança de novas vidas.
Mas o que a reprodução tem a ver com os significados religiosos da Páscoa? Tanto no significado judeu quanto no cristão, esta data relaciona-se com a esperança de uma vida nova. Já os ovos de Páscoa (de chocolate, enfeites, jóias), também estão neste contexto da fertilidade e da vida.
A figura do coelho da Páscoa foi trazido para a América pelos imigrantes alemães, entre o final do século XVII e início do XVIII.
Como surgiu o chocolate
Quem sabe o que é “Theobroma”? Pois este é o nome dado pelos gregos ao “alimento dos deuses”, o chocolate. “Theobroma cacao” é o nome científico dessa delícia chamada chocolate. Quem o baptizou assim foi o botânico sueco Linneu, em 1753. Mas foi com os Maias e os Astecas que essa história toda começou. O chocolate era considerado sagrado por essas duas civilizações, tal qual o ouro.
Chegou à Europa por volta do século XVI, tornando-se rapidamente popular aquela mistura de sementes de cacau torradas e trituradas, depois juntada com água, mel e farinha. Vale lembrar que o chocolate foi consumido, em grande parte da sua história, apenas como uma bebida.
Em meados do século XVI, acreditava-se que, além de possuir poderes afrodisíacos, o chocolate dava poder e vigor aos que o bebiam. Por isso, era reservado apenas aos governantes e soldados.
Aliás, além de afrodisíaco, o chocolate já foi considerado um pecado, remédio, ora sagrado, ora alimento profano. Os astecas chegaram a usá-lo como moeda, tal o valor que o alimento possuía.
Chega o século XX e os bombons e os ovos de Páscoa são criados, como mais uma forma de estabelecer de vez o consumo do chocolate no mundo inteiro. É tradicionalmente um presente recheado de significados. E não é só gostoso, como altamente nutritivo, um rico complemento e repositor de energia. Apesar disso, não é aconselhável, porém, consumi-lo isoladamente.











