NOTA NEGATIVA: Nelito Ekuikui Vs CNJ ou a “entrega do ouro ao bandido”
Um assunto que marcou os destaques noticiosos dos últimos dias e continua a ser motivo de várias análises e muita especulação, em círculos da sociedade, principalmente nos meios juvenis, incluindo no seio dos militantes da própria JURA, é a anunciada saída da organização juvenil do partido UNITA do Conselho Nacional da Juventude (CNJ) que acusa este órgão de ser instrumentalizado pelo MPLA. Nelito Ekuikui, recentemente eleito para secretáro-geral da JURA, ao que tudo indica, só agora “descobriu” essa “estrondosa” situação, que tem sido motivo de muita polémica desde que o CNJ foi institucionalizado há mais de duas décadas. Apesar de se viver a Semana Santa, a Nota é Negativa!
Por: Na Mira do Crime
O secretário-geral da organização juvenil do partido UNITA, Nelito Ekuikui, acusou esta semana o MPLA de instrumentalizar o Conselho Nacional da Juventude (CNJ), razão que o levou a suspender a participação da JURA neste órgão.
“Nós estamos a contestar a instrumentalização do Conselho Nacional da Juventude (CNJ) pelo MPLA, particularmente pelo Presidente da República (João Lourenço)”, afirmou Nelito Ekuikui.
Tal decisão está a merecer diversas leituras por parte dos cidadãos que levantam dúvidas. Sendo legítima a posição de Ekuikui, ela é benéfica para as pretensões da própria UNITA que o líder da JURA disse que é um “partido político interessado e vocacionado para o poder”, acrescentando que “não pode estar numa organização que legitima acções para a manutenção do poder do MPLA“?
Ao deixar de integrar a CNJ, esta organização vai melhorar e voltar a ser o que devia ser desde que foi criada? Acredita-se que não. Aliás, a presença da JURA no seu seio, fazendo parte dela, concordando com o que ache correcto, discordando com situações impróprias, chamando a atenção para atropelos ao seu estatuto e deveres, é que seria fundamental para impedir ou, ao menos, minimizar os “estragos” que a actual condição de “departamento juvenil” do MPLA possam causar à democracia e à juventude em si.
Nelito Ekuikui, mal se sentou no “cadeirão – mor” da JURA, partiu logo para esta decisão, sem ao menos auscultar outras opiniões, olhar para as condições de vida, para as necessidades, dos próprios jovens ligados à UNITA. Afinal, todos fazem parte de um todo que é o grande conjunto da Juventude Angolana.
O ilustre deputado Ekuikui, que tem todas as mordomias, casas e carros de luxo, dinheiro, entre outras benesses, não passa fome, não tem problemas de saúde, tudo proporcionado pelo Estado, esqueceu-se que a melhor forma de ultrapassar ou vencer um adversário é jogando com ele. Estando fora do campo não pode dar-lhe réplica; isto é básico!
Como se diz em uma das nossas línguas nacionais, “tunga ne wejia oh kifwa kie” (trabalha, ou convive, com ele e conhecerás o seu cáracter, ou o seu hábito). Quer isto dizer que ao retirar a JURA do CNJ, Ekuikui “entregou o ouro ao bandido”.
Fica de fora e não saberá o que se maquina, nem terá como contrapor, em fórum próprio, as ilegalidades cometidas dentro do órgão. Além de que não é a melhor forma de ajudar o CNJ a transformar-se “numa verdadeira plataforma de defesa dos direitos da juventude angolana”.
O secretário-geral da JURA e deputado, Nelito Ekuikui, deveria conversar mais e aconselhar-se com um dos seus colegas de bancada parlamentar, o deputado Joaquim Nafoia, que é um dos percursores da criação do CNJ.
Na altura, Joaquim Nafoia, um jovem dinâmico, clarividente e decidido, então membro da direcção do Partido de Renovação Social (PRS) e secretário nacional da JURS, o órgão juvenil daquele partido, empenhou-se a fundo para que o MPLA deixasse de interferir nas decisões do CNJ.
Pela sua frontalidade contra o facto, tentando fazer com que o CNJ fosse realmente a plataforma da juventude angolana, seguindo os reais propósitos para que fora criada e beneficiasse os jovens angolanos independentemente da sua posição social e muito menos pela cor partidária, Joaquim Nafoia foi alvo de vários atentados, que visavam eliminá-lo fisicamente.
Muito se pode dizer sobre a trajectória de Joaquim Nafoia no CNJ pela JURS, como as suas contestações à composição das delegações de jovens que se deslocavam ao exterior, por exemplo, para os festivais mundiais da Juventude e que era muito duvidosa, pois apenas beneficiava militantes da JMPLA e parentes de altos dirigentes do partido no poder. Estes, quando chegassem ao destino desmarcavam-se e as delegações regressavam sempre com menos 20 ou 30 jovens que, assim se dizia, “fugiram e ficaram por”. Esta situação repetiu-se várias vezes.
Contudo, Nelito Ekuikui parece que fez uma “descoberta inédita”; encontrou a localização do “inferno”. As suas acusações sobre o desvio do CNJ do seu foco principal não espanta mais ninguém, assim como o aproveitamento que o MPLA, ao longo dos tempos faz das instituições nacionais, tendo ou não cunho partidário.
A juventude é a força da Nação, é nela que reside o futuro, a continuidade dos feitos do passado e do presente, pelo que precisa de ser melhor acompanhada, precisa de dirigentes clarividentes e que se revejam com propriedade na sua causa; precisa que os órgãos que dizem zelar pelos seus direitos o façam com isenção, com sentido de Estado, com dignidade, respeito e patriotismo.
Ao afirmar que “vamos transformar a JURA na plataforma capaz de congregar a juventude angolana no sentido de fazer a alternância e permitir que a juventude consiga salvaguardar os seus direitos, direito ao trabalho, direito à habitação, direito à educação”, é positivo, mas que não seja apenas uma manifestação de vaidade, é preciso trabalho, sério e abnegado.
É preciso ponderar seriamente antes de se dar passos que podem levar ao descalabro em vez do sucesso!
Sublinhe-se que, o Conselho Nacional de Juventude (CNJ) foi criado como uma plataforma apartidária gozando de personalidade jurídica própria sem fim lucrativo, constituída por diversas organizações juvenis, na condição de parceiras, entre as quais, filantrópicas, políticas, estudantis, desportivas e culturais de âmbito nacional; 18 conselhos provinciais, 164 conselhos municipais, 43 conselhos distritais e 517 conselhos comunais de Juventude.
O CNJ é uma Instituição de Utilidade Pública, por via da Resolução nº 35/08, Iª Serie- nº75, configurando-se num espaço de consulta, coordenação e concertação entre as organizações juvenis dos diferentes segmentos sociais.











