Governadores de faz-de-contas: Elementos que sujam a governação e causam o retrocesso do país
Se os governadores provinciais de Angola fossem dirigentes empenhados, capazes, visionários e realmente preocupados com o desenvolvimento do país, com o bem-estar dos cidadãos e com a sua própria afirmação pessoal, o país há muito teria ultrapassado o estado de retrocesso, de carências múltiplas e de mendicidade internacional a que está votado. Afinal, quem são os governadores provinciais e porque são nomeados? Eis a questão!
Por: Alves Pereira
O estado de retrocesso, de miséria em que Angola se encontra, tem sido analisado sob diversos ângulos, não só por organizações internacionais, mas também por ONG’s e especialistas angolanos que seguem ao pormenor os assuntos dos panoramas político, social, económico e produtivo do país.
Em geral, apesar de diferenças analíticas, as conclusões são coincidentes e apontam o fraco desenvolvimento do país, que alguns consideram mesmo inexistente, porque há mais retrocessos que avanços, à consecutiva degradação a que estão votadas todas as províncias do país, sem excepção.
Províncias que anteriormente já tinham um franco desenvolvimento no domínio da produção, transformação e fabricação de bens, proporcionando à sua população, ao país, níveis de vida aceitáveis, hoje por hoje, tudo regrediu e as suas gentes “mergulharam” na miséria.
“Se houve um tempo em que a guerra servia de justificação para tudo, até para o que não se fazia, actualmente, depois de duas décadas de paz, tal pensamento e a inactividade que se vive na maioria dos sectores em cada província já não colhe. Passou o tempo de discursos vãos, para desviar a atenção, de esboços que não se materializam no terreno; é tempo de acção, de produzir e fazer acontecer. Não se compreende o que fazem os governadores, já é tempo de serem autónomos em termos de pensar, criar, inovar e materializar as intenções, os projectos, interagindo mais com o cidadão e com aqueles que têm conhecimento de causa, querem trabalhar, mas têm sido impedidos por circunstâncias inadmissíveis”, comenta o analista Licílio Santos.
A nomeação de governadores provinciais em Angola, segundo as análises citadas, é baseada, principalmente, nas conveniências político-partidárias, na lealdade e confiança no círculo partidário, submissão e obediência cega às orientações superiores pela garantia da manutenção do sistema.
“Os governadores são nomeados e depois ficam ‘amarrados’ à normas estabelecidas; devem pautar-se pela ‘cartilha’ e, qual marionetes, só se movem sob comando; é ‘proibido’ ter ideias próprias, o mínimo passo tem que ser autorizado para que seja dado; ‘governa’ mais para o partido que propriamente pela governação em si, pelo povo, pelo progresso e desenvolvimento local e nacional”, referem.
Para os analistas, tanto os governadores provinciais, como os administradores municipais, distritais, etc., seguem todos o mesmo modelo estabelecido, o mesmo padrão de trabalho, que só se diferencia, do superior ao inferior, pelo nível de cada cargo.
Os respectivos titulares desses cargos passam mais tempo “aquecendo” os cadeirões em que se sentam, exigem mordomias de “chefe”, enquanto o tempo passa, quanto mais rápido melhor, para que o ciclo chegue ao fim e se prepare a “artilharia” para tomar de “assalto” mais cinco anos no poder.
Com este tipo de governação, em meio a muita propaganda enganosa, o país “não ata e só desata”.
“Não há criatividade, não há iniciativas próprias de acordo com as realidades locais, não se aproveitam realmente as potencialidades, as mais valias que podem ser adquiridas com trabalho honesto, abnegado e virado para o progresso”.
As análises referidas sublinham também que a mui propalada “diversificação da economia” não passa de mais um chavão que, na realidade, não se tem aplicado na dimensão do que tem sido divulgado.
“O recurso ao petróleo continua a ser a maior preocupação do sistema, apesar de querer ‘camuflar’ o interesse com promessas de diversificar a economia”, consideram, acrescentando que “basta ver a aflição, a preocupação dos diversos sectores da governação quando o preço do petróleo baixa e a exuberante satisfação quando é ao contrário, ou seja, quando sobe”, alegam.
Desta forma, com as atenções mais voltadas para o petróleo, as demais actividades ficam relegadas para plano inferior.
A governação actual das províncias não satisfaz as exigências do país e deixa antever um futuro bastante nebuloso, partindo do princípio de que do progresso de cada província depende o desenvolvimento a todos níveis do país.
De acordo com os analistas, Angola é das maiores potências em recursos naturais no mundo.
“Infelizmente, os dirigentes do país, ou ignoram a realidade, ou são tão míopes que não conseguem enxergar o que têm diante dos próprios olhos, só pensam no imediato, naquilo que podem conseguir rapidamente, encher os seus próprios bolsos, marimbando-se para o que der e vier”.
“Angola, pelas suas potencialidades, pelas suas riquezas naturais, não é país para ‘mendigar’ ajuda, pedir ‘batatinhas’ e empréstimos constantes a nível internacional. Angola devia sim ser credor de outros países mais carentes e necessitados. O mais grave em tudo isso, é que o país tem recebido diversas ajudas e doações internacionais para ultrapassar necessidades a vários níveis, como da saúde, da educação, para combater a miséria, fome, entre outros, mas dos recursos recebidos, nem a metade é disponibilizada para os sectores que deviam ser beneficiados. Quanto aos elevadíssimos empréstimos e a velha questão dos excedentes do petróleo, os valores adquiridos com os diamantes, a madeira e muitos outros recursos, não há uma distribuição real, adequada, ou seja, grande parte desses recursos continuam a beneficiar fins obscuros e que nada têm a ver com o desenvolvimento do país e dos angolanos”, descrevem.
Nos últimos tempos, depois da realização das eleições gerais do ano passado, 2022, ao dar início ao seu segundo mandato, o Presidente João Lourenço ordenou a transferência de competências dos ministérios para os governos provinciais para constituir uma mais-valia na governação e para permitir maior brevidade na resolução dos problemas das comunidades.
Foi igualmente garantido que a transferência de competências para essas circunscrições conferiria ainda mais poderes aos titulares dos cargos administrativos, desafogaria o governo central, e assim manter sobre todos uma rigorosa inspecção, com o Tribunal de Contas a fazer a sua parte com rigor e realismo para que a coisa pudesse avançar.
Infelizmente “as coisas” continuam a não “marcar passo” e tudo permanece na mesma.
A transferência de competências, por si só, não é o que vai mudar o paradigma vigente e sim uma mudança radical no sistema com que as províncias são governadas, o que só será possível com autarquias reais e democráticas, em que os edis sejam escolhidos pela competência e vontade de fazer mais e melhor e não por alinhar na “equipa” A, B ou C.
Há governadores provinciais que foram mantidos no poder apesar de muito contestados pelas populações, isto desde o tempo da “outra senhora”.
Outros há que, embora recentemente nomeados, já estão a ser alvos de muita crítica e denúncias de corrupção, deixa-andar e nepotismo.
O mesmo acontece nos municípios, com destaque para os da província de Luanda. A sociedade acreditava que no actual ciclo, os governadores e administradores estariam imbuídos em fazer um bom trabalho, usando devidamente os recursos do Estado em prol do desenvolvimento das suas províncias e das respectivas comunidades.
Porém, pelo que se constata, o que está a ser feito em grande parte das províncias são outros pressupostos que nada têm a ver com progresso e bem-estar dos cidadãos.
Governadores ou “pimpeiros”?
Parafraseando o Presidente da República, João Lourenço, “o mérito, o profissionalismo, a transparência, o rigor e o espírito de serviço público são os parâmetros que devem guiar a nomeação dos governantes a nível central, provincial e local”.
A este propósito, a sociedade não entende a nomeação de determinados governadores e de outros que, no passado, já demonstraram incapacidade, entre acusações diversas de aproveitamento ilícito da coisa pública.
Para que “a reforma da administração pública esteja centrada na simplificação de procedimentos e na valorização do capital humano”, é necessário que os governantes que são nomeados para desempenhar cargos aos diversos níveis possuam carácter e idoneidade à altura de corresponder aos desafios que o país impõe.
Ernesto Muagala: Transladado da Lunda Norte, onde só deu provas de incompetência, passando o tempo a dormir à “sombra da bananeira”, para a província do Moxico, em substituição de outro contestadíssimo, Gonçalves Muandumba, a sua nomeação deixou uma “pulga atrás da orelha”, por ser visto como uma pura “marionete”, um absoluto incompetente.
Na óptica da opinião pública, Muangala devia, pura e simplesmente, deixar a governação, pelo menos a nível de províncias e ficar a “hibernar” em casa ou a tomar conta dos netos, se os tiver.
Adriano Mendes de Carvalho: Com passagens pelo Palácio da Mutamba como governador de Luanda e pelo de Ndalatando, província do Cuanza Norte, de acordo com a opinião pública, este dirigente pautou-se sempre pela “cartilha”, mostrou não ter estofo para tais lides, foi vendo a “caravana” a passar, enquanto que os problemas das respectivas edilidades ficaram a “marinar”.
Gastou mais energia nas vestes de activista (primeiro secretário provincial) do seu partido do que propriamente com a governação.
Talvez, por esse motivo, tenha merecido a confiança para “resgatar” e devolver a posição de destaque que o MPLA já teve nas terras de Nkulumbimbi.
Job Pedro Castelo Capapinha: Como tem sido referido, por onde passa este elemento não deixa saudades, não só pela sua arrogância, mas sobretudo pela incapacidade e/ou negligência com que desempenha os cargos para que tem sido nomeado.
Quando foi nomeado para o Cuanza Sul, o espanto foi enorme em meios da sociedade, bem como da opinião pública em geral.
Não fazia sentido, o Presidente, que levantou a bandeira da luta contra a corrupção, o peculato, o nepotismo, a impunidade, entre outros, nomear para governar o Cuanza Sul alguém, com uma folha de serviços tão desabonatória.
Indivíduos como Job Capapinha, ou “Capapoeira”, como agora é chamado no Cuanza Sul, porque em vez de asfaltar as ruas previstas em projectos cabimentados, mandou executar uma terraplanagem, para justificar os gastos, e depois só ficou a poeira a complicar mais a vida dos cidadãos, mancham a imagem do Executivo e do país, decepcionando os populares.
Entre muitos outros escândalos revelados então, nos últimos dias, Capapinha protagonizou mais uma que, segundo fontes bem informadas, irritou sobremaneira a direcção do MPLA e valeu-lhe um valente “puxão de orelhas” dos seus camaradas que não gostaram nada da brincadeira.
Capapinha, falando na abertura de um seminário da comissão de auditoria e disciplina do MPLA no Cuanza Sul, afirmou, em jeito de lamentação, que o “MPLA perdeu milhões de dólares com redução de deputados à Assembleia Nacional e poderá perder mais nas autárquicas”.
Assim, descartou a “rápida realização” das eleições autárquicas em Angola, tentando justificar que “o problema não está nas autarquias; vai sim haver, é um preceito constitucional, nós vamos cumprir, mas não é isso que preocupa neste momento o nosso povo, o que preocupa neste momento o nosso povo são condições básicas para viver com ou sem autarquias”.
Este pronunciamento de Job Capapinha, considerado de “infeliz” pelos camaradas, mereceu sérias críticas da opinião pública.
O governador do Cuanza Sul deu a entender que em 21 anos de paz, só agora se apercebeu que deve apoiar-se mais as populações, em vez de se gastar “milhões e milhões” como tem sido feito.
“Faz ainda os campos, abre lavras e vai ver se o povo não vive bem, vive sim”, afirmou.
Analistas do cenário político angolano têm manifestado o seu desagrado quanto à manutenção de um indivíduo que já deu provas da sua desonestidade e malabarismo.
“Como é que um partido como o MPLA, experiente, recheado de indivíduos capacitados, que quer continuar no poder e a governar o país, comete tantos ‘erros de palmatória’, continuando a permitir que sejam nomeados incompetentes e trapaceiros para cargos relevantes no Governo, mesmo depois de provas dadas nesse sentido”, questionam.
José Carvalho da Rocha: Na mesma linha negativa segue-se o governador da província do Uíge. Anteriormente, recordam os analistas, “enquanto ministro das Telecomunicações e Tecnologias de Informação, José Carvalho da Rocha foi protagonista do maior fiasco de todos os tempos, com o caso do bastante estranho desaparecimento em órbita daquele que foi exaustivamente propalado como o primeiro satélite angolano, denominado ANGOSAT 1”.
Pelas notícias que circularam quando foi nomeado para o cargo de governador da província do Uíge, em substituição do falecido Sérgio Luther Rescova, a sociedade em geral, principalmente os cidadãos uigenses, não receberam de bom grado a informação, pelo que, em pouco tempo, já clamavam para que José Carvalho da Rocha fosse exonerado.
Segundo os naturais da província do café, a sua manutenção na liderança da província “irá afundá-la ainda mais”.
Os cidadãos consideraram que se Rocha não fôr afastado, fruto das suas actuações negativas, “é o nome do Presidente João Lourenço que estará em causa enquanto titular do Poder Executivo”.
Actualmente, José da Rocha é visto pela opinião pública como mais um que foi nomeado por “conveniência” e não demonstra vontade própria no exercício de governador da província do Uíge, necessitada de múltiplas atenções!
José Martins: O governador do Cuando Cubango, além de ser acusado de incompetente, trapaceiro e manipulado, é também acusado de tribalista.
Segundo o que foi noticiado então, pouco antes da realização das eleições gerais de 2022, José Martins foi chamado a Luanda pelo Bureau Político do MPLA, pelo facto de querer efectuar alterações no executivo local “com teor tribal”.
Pelo que vazou para a comunicação social, apesar dos “raspanetes” que recebeu e a proibição de efectuar as exonerações que pretendia a favor do seu grupo de confiança, José Martins é acusado localmente de desvio de fundos públicos, uso e abuso de poder, nepotismo e de estar envolvido com intriguistas e trapaceiros.
Recorde-se que o actual governador do Cuando Cubango, por altura da sua nomeação, era alvo de um processo-crime que corria os seus trâmites na PGR mas, entretanto, foi arquivado.
Em Menongue, capital da província, o governador José Martins, é descrito por fontes locais como uma “marionete” ao serviço de interesses obscuros e protector de esquemas e “empresas fictícias” de “marimbondos” e de ex-governadores que por lá passaram e deixaram montando uma enorme “teia de malabarices” que sugam as riquezas locais, sendo ele próprio detentor de algumas dessas pseudo-empresas, embora geridas por “testas-de-ferro”, entre seus familiares e amigos.
Os projectos, nomeadamente os ligados ao PIIM, têm sido os que mais geram polémicas, porque em meio a uma fiscalização duvidosa, começando pelo próprio José Martins, são como uma porta aberta que tem facilitado, com rótulo “legal”, o assalto aos cofres do Estado.
Daí que haja grande apetência das elites no poder, incluindo de filhos, irmãos, entre outros familiares, de membros do Governo central e de antigos governadores, bem identificados, que disputam entre si a hegemonia para sugar maior quantidade de recursos das ditas “terras do progresso”.
Segundo informações, depois das eleições gerais de Agosto último, os projectos prometidos e que tinham arrancado a bom ritmo, simplesmente estagnaram.
A distribuição de energia eléctrica e água potável aos cidadãos e a reabilitação e iluminação das ruas, ficaram nos “diversos”.
Embora alguns projectos tenham arrancado no âmbito do Plano Integrado de Intervenção nos Municípios (PIIM), ao que se sabe, tudo não passou de “milho atirado aos pardais”, porque o prazo prometido não foi cumprido e das obras, na sua maioria, nada se sabe.
Pedro Makita Júlia: O Cuanza Norte tem como governador, Pedro Makita Júlia, que trocou o “cadeirão” do governo provincial do Zaire pelo daquela província.
Desde que foi nomeado, na sequência das eleições gerais de 2022, só tem causado a insatisfação dos cidadãos locais, principalmente, na sua capital, Ndalatando, onde o desagrado popular é expresso publicamente.
O facto deve-se à “má-fama”, que o precedeu, pela sua (des)governação no Zaire, causando desânimo nas populações das terras do Mbinda.
Em meio ao seu fraco desempenho político, permitindo que a oposição se sobrepusesse ao MPLA nas eleições gerais, de facto, Pedro Makita não era benquisto no Zaire, cujas populações o acusavam de ser um governador que só “aquecia” o cadeirão principal do governo provincial, querendo simplesmente manter-se no posto e vendo pelo “binóculo” a solução dos muitos problemas que aquela província enfrenta.
Agora no Cuanza Norte, a sua posição continua a mesma. “Entre ter governador e não ter, a situação é a mesma; nada se faz, nada muda e os problemas sociais dos cidadãos aumentam a cada dia”, comentam agastados os cidadãos.
Marcos Nhunga: O antigo ministro da Agricultura e ex-governador de Cabinda, Marcos Nhunga, foi mandado para a província de Malanje. Consta que terá sido “lesado” pela derrota do MPLA nas urnas nas terras do Mayombe.
Aliás, era-lhe já atribuído, no seio do partido, algum “abrandamento” político, considerado como consequência de não querer “pisar” um campo que tem dividido a sociedade local.
Daí que a direcção do MPLA lhe tenha apontado um “fraco calibre político” na actuação governamental, por não se coadunar com a função de líder partidário, tendo em conta que os governadores provinciais em Angola são ao mesmo tempo os primeiros secretários provinciais do partido, o que os obriga a uma maior acção político-partidária que propriamente de governação.
No caso de Marcos Nhunga, geralmente reconhecido como um tecnocrata, a sua actuação não foi do “gosto” dos camaradas, ou seja, do partido no poder.
Em Malanje, província onde encontrou uma vasta lista de problemas deixada pelo seu antecessor, Kwata Kanawa, e também limitado animicamente pela forma como foi “deposto” em Cabinda, a população malangina não espera por nada de novo.
O que se constata até ao momento é uma governação letárgica e dependente de “ordens superiores”.
Luís Manuel Nunes: O governador de Benguela, que foi lançado nas lides da governação pelo Presidente João Lourenço ao nomeá-lo para governador da Huíla e depois transladado para as “Acácias Rubras”, é descrito como tendo feito um “bom trabalho” nas terras da “Senhora do Monte”.
Dotado de visão empreendedora, é um reconhecido empresário que vai juntando a governação aos negócios, embora de forma camuflada, tirando dessa dupla actuação os maiores benefícios em detrimento dos programas do governo.
Luís Nunes é o sócio principal da empresa (grupo) Omatapalo, com fortes ligações ao poder.
De acordo com abalizadas análises, o governador de Benguela, que está na gênesis da empresa, esta tem sido muito visada nos comentários feitos a propósito da sua “surpreendente” escalada, pelas suas “notórias ligações” ao regime.
Enquanto dirigente do partido no poder (MPLA), Luís Nunes faz parte de um cı́rculo de relações com figuras como o próprio Presidente da República.
Embora se diga em sua defesa que “depois da sua nomeação para governador”, tenha renunciado os negócios, “dedicando-se única e exclusivamente à governação de forma exemplar e equidistante”, análises apontam que, grande parte, senão todos os governantes angolanos, sem excepção, são empresários, candongueiros e detentores de vários negócios que têm a frente “testas-de-ferro”.
“Tudo não passa de pura camuflagem para mostrar que respeitam a Lei da Probidade Pública que impede os titulares de cargos públicos de exercer actividades de carácter privado, sobretudo remuneradas, ou seja, um membro do Executivo não pode exercer funções de gerência numa sociedade comercial”, afirmam.
Contudo, nos bastidores, a situação é bem diferente. É caso para dizer que Benguela está a ser governada com prioridade para os negócios privados das elites no poder!
Archer de Sousa Mangueira: O governador da província do Namibe, Archer Mangueira, antigo ministro das Finanças e que também já esteve em outros cargos ao mais alto nível, tal como assessor económico do Presidente José Eduardo dos Santos entre Dezembro de 2001 e Janeiro de 2010, é descrito como sendo dos poucos que vão fazendo a diferença em termos de governar uma província.
Mais traquejado com lides governamentais, não se deixa “manobrar” facilmente e, desde que chegou àquela província do litoral sul de Angola, entre algumas críticas, tem levado a sua “embarcação” por “águas calmas” rumo a “porto seguro”.
Igualmente, tem sabido interagir com a população, juntando o útil ao agradável, com o resgate das tradicionais feiras, do Mar e outras, e o Namibe, nos últimos dias, tem melhorado aos vários níveis.
Correcções estão a ser efectuadas, os cidadãos sentem as melhorias e Archer Mangueira, que foi um tanto contestado no princípio, aos poucos está a captar as simpatias da sociedade local.
Nuno Mahapi Dala: A província da Huíla, além das suas diversas potencialidades, é das mais belas do país. Rica em agro-pecuária e horto-frutícolas, é também dona de um parque industrial que já foi bastante promissor e agora, como os demais, um pouco por todo país, está votado ao abandono com diversas unidades fabris destruídas e/ou em completa degradação.
A Huíla teve uma indústria transformadora de bom nível e fabricava-se de tudo: desde as frutas e hortícolas em calda ás compotas, marmeladas, manteiga, enchidos de carne, fiambres e carnes enlatadas.
Igualmente fabricava uma cerveja que era única e muito apreciada, que era feita a partir da massambala, uma gramínea de produção local, que serve para alimentação animal (aves) e também humana.
Um exemplo do que se pode fazer com produtos da terra sem recorrer aos importados.
Nuno Mahapi Dala substituiu no cargo de governador Luís Nunes, agora em Benguela, e continuou na mesma senda de programas para resolução dos problemas que a província enfrenta.
Activo quanto baste e conhecedor da realidade local tentou dar o seu melhor em prol da província e suas populações. Contudo, nos últimos tempos, a província da Huíla, cujo território é riquíssimo em matérias naturais, destacando-se o ouro, rochas ornamentais e outros produtos valiosos e de muita procura internacional, caiu na cobiça de todo tipo de embusteiros, sobretudo cidadãos estrangeiros, muitos dos quais são “testas-de-ferro” de governantes e outros das elites do poder.
A exploração desregrada e ilícita de ouro, por parte de empresas “fantasmas” está a assustar os moradores locais que temem por enormes danos ao meio ambiente, um atentado ecológico que está a afectar as águas onde as populações se abastecem e os animais bebem.
A Huíla “está a transformar-se numa paragem de traficantes nacionais e estrangeiros de minérios” ante a passividade das autoridades.
Ante esta tragédia, o governador provincial, Nuno Dala, está de mãos atadas para não “beliscar” interesses que estão fora da sua alçada, ou seja, que dependem de níveis acima de si.
O foco actual do Executivo, como tem sido amplamente divulgado, é criar condições para que os minerais estratégicos estejam devidamente assegurados e possam efectivamente integrar mais mão-de-obra e constituir fonte de riqueza real para o país.
Mas a realidade actual na Huíla é muito diferente e por mais boa vontade e capacidade para melhorar a situação tenha, o governador Nuno Mahapi Dala, não pode “remar “ sozinho “contra a maré”!
Manuel Gomes Homem: A nomeação do ex-ministro das Telecomunicações, Tecnologias de Informação e Comunicação Social para governar a província de Luanda, considerando o seu fraco e desajeitado desempenho no MINTTICS, não agradou sobremaneira a sociedade luandense.
A sua capacidade para lidar com a governação de Luanda, considerada como a “mina de ouro” das elites do poder, sobretudo no que à limpeza, saneamento e recolha de lixo diz respeito, foi logo de imediato posta em causa.
Para a opinião pública, Manuel Homem seria “apenas mais um” a passar pelo palácio da Mutamba “para assistir de camarote” Luanda a degradar-se cada vez mais, em vez de assumir e resolver os principais problemas da capital, começando pelos mais básicos.
Contudo, apesar das “amarras” já citadas no princípio deste artigo, que limitam e/ou impedem os governadores de evidenciarem todo o seu potencial para uma governação plena e capaz, Manuel Homem tem conseguido “soltar-se”, embora ainda não se saiba o que pensa fazer, ou o que lhe será permitido fazer, para melhorar Luanda em termos de segurança pública, de limpeza, de jardinagem, de saneamento, de asfaltagem e recuperação de ruas, principalmente as secundárias e terciárias, importantíssimas para a mobilidade e desafogo do trânsito, iluminação pública, entre variadíssimos problemas de ordem social que precisam de urgente solução e são, propositadamente, “esquecidos”.
Há já longo tempo que se fala num plano director, estruturante, para a capital, mas de teorias nunca passou.
Será que Manuel Homem vai ter a capacidade de levar esta tarefa adiante ou vai acabar, como muitos outros, “sepultado” no “cemitério de governadores” que Luanda tem sido ao longo dos tempos?
A inédita acção que protagonizou na passada semana, realizando uma jornada de campo durante cinco dias, em prol da tranquilidade e bem-estar dos moradores de uma das mais melindrosas comunidades da periferia de Luanda, o chamado bairro Paraíso, mereceu a aprovação e os aplausos da sociedade.
No Paraíso, Homem falou e ouviu os moradores, inaugurou infra-estruturas sociais, prestou vários serviços ligados à saúde, registo de nascimento, emissão de Bilhete de Identidade, Licenças para a actividade de moto-táxi, entre outros.
Efectuou reuniões com a comunidade, audiências individuais, constatações sobre a realidade económica, criminal, cultural, política, social e de cidadania e a comunidade ganhou quatro autocarros de transporte público de passageiros, 12 salas de aulas de alfabetização, uma viatura e cinco motorizadas, atribuídas à Polícia local, assim como mais efectivos, para o reforço do patrulhamento e garantir maior segurança pública.
Foram ainda entregues cinco caixas de bolas de futebol, cada com 10, para serem distribuídas nos cinco distritos do município de Cacuaco, com a intenção de estimular as crianças e jovens da comunidade para a prática do desporto.
Contudo, apesar de ser louvável e positiva, no universo de Luanda, esta actividade foi apenas uma “gota” no oceano de problemas que afligem os luandenses.
O gesto deve continuar por outras comunidades, mas é necessário que se preste atenção a muitas outras situações que clamam por urgência.
As chuvas que se abatem sobre Luanda nestes dias, além das desgraças que estão a causar, também destapam as insuficiências há muito identificadas, mas nunca solucionadas, por negligência, incapacidade e falta de interesse por parte das administrações municipais, distritais e do próprio Governo provincial de Luanda.
A sociedade já está cansada de ouvir que “Luanda não está preparada para receber chuvas” e questionam: “Quando estará?”; “Quem deve resolver os problemas, os que governam, ou a própria cidade tem que se transformar por si mesma e adequar-se às circunstâncias?”.
Governadores e os demais
Quanto aos demais governadores, considerados “mais do mesmo” e que nada de melhor farão nas províncias em que foram colocados, pelo que já demonstraram, as respectivas regiões vão permanecer estagnadas, pois são indivíduos que apenas se pautam pelas regras determinadas, não têm iniciativas nem audácia, receiam violar os limites impostos e apenas se valem do PIIM (Programa Integrado de Intervenção nos Municipios) para justificar que existem e que estão a trabalhar.
Assim sendo, estão nessa lista cinco senhoras. Independente das suas capacidades e visão governativa, são sobretudo dependentes da “cartilha” e das “ordens superiores”, empenhando-se mais no activismo partidário.
Destaca-se a actual governadora de Cabinda, Mara Quiosa, que já exerceu o cargo na província do Bengo.
Mara Quiosa: Tem na mão uma “batata muito quente” e não se entende a razão porque terá sido nomeada para governar aquela região do país.
Embora com o benefício da dúvida, para os analistas, atendendo o alto grau de “sensibilidade” reinante naquela província por motivos sobejamente conhecidos, Mara Quiosa terá muitas dificuldades para se impor e fazer passar a sua mensagem que é, geralmente, de cariz acentuadamente partidário.
A ver se vai! A governadora do Huambo, Lotti Nolika: Que mereceu a confiança do Titular do Poder Executivo e foi indicada para continuar no cargo, no seu anterior mandato não teve nenhum destaque na sua governação.
Enquanto isso, a importante província do Huambo continua a “perder brilho”.
Gerdina Ulipamue Didalewa: Governadora da província do Cunene, é da “lista”. A continuidade no cargo, atendendo as “amarras” não vai melhorar o seu desempenho.
A “caloira” Maria Antónia Nelumba: Governadora da província do Bengo, embora há pouco tempo no cargo já demonstrou que não vai trazer mais valias às terras do “Jacaré Bangão”.
Desde que foi nomeada a maioria da população local nem sabe que ela existe! Na mesma esteira está a nova governadora da Lunda Norte, Deolinda Ódia Vilarinho: Esta dirigente tem a missão de governar uma circunscrição do país que, enquanto produtora de diamantes e pela sua essência, é bastante complicada e alvo de múltiplos interesses e interferências.
Entrou muda e permanece calada! Quem está na continuidade é também o governador da província do Bié, Pereira Alfredo: O seu fraco desempenho anteriormente, tende em continuar e não se espera nada de novo, a menos que haja um milagre.
Tem-lhe valido alguma atenção que o Executivo central dispensa aquela província levando a cabo alguns projectos de impacto social, caso contrário, é nulo.
O mesmo se passa com o governador da província da Lunda Sul, Daniel Felix Neto: Sem tirar nem pôr, em matemática dir-se-ia um “zero à esquerda”.
E assim o país não pode ser catapultado para o progresso. Só o trabalho faz acontecer e dignifica o homem.
Não é a “fazer de contas”, a enganar o povo, que se vai chegar ao desenvolvimento.
Em Angola tornou-se costume dizer que “a vida faz-se nos municípios”; máxima esta que tem servido para demonstrar que o desenvolvimento geral do país tem (deve ter) o seu alicerce nas comunidades de uma municipalidade.
Cada uma das 18 províncias angolanas são compostas por vários municípios e cada um deles tem a sua importância no conjunto de estratégias para a evolução das respectivas províncias.
Com províncias devidamente orientadas, focadas no progresso, proporcionando trabalho e bem-estar às suas populações, é o país, no seu todo, que ganha, enriquece, avança e se desenvolve a todos níveis.
Para tal, precisam de ser conduzidas por gente (Homens e/ou Mulheres), acima de tudo patriotas, apostados no trabalho, para desenvolver e que não percam tempo com falsas teorias e com discursos vãos para justificar injustificáveis que só visam deixar passar o tempo, enquanto, em vez de criar desenvolvimento local para catapultar a província, aproveitam-se do erário para enriquecer ilicitamente sem qualquer preocupação com o futuro da Nação.











