Conversa com General Furtado “não flui”: Mais de 1500 sapadores prometem sair às ruas para exigir reintegração na Casa Militar do PR
Com as famílias a desintegrarem-se por falta de condições de vida, os filhos fora do sistema de ensino, mais de dois mil sapadores afectos ao Batalhão de Transportes Rodoviários da Casa Militar do Presidente da República, esgotada a possibilidade de dialogar com o General Furtado, Chefe da Casa Militar, pretendem, nos próximos dias, realizar manifestações junto do Ministério da Justiça e do Palácio Presidencial, para exigirem a reposição dos seus salários e a sua reintegração.
Por: Lito Dias
De acordo com um dos coordenadores desse grupo, a pressão é enorme, já que estão impacientes e querem que as manifestações arranquem o mais depressa possível.
Referiu que esses dois mil sapadores irão às manifestações com as suas famílias para exigirem a sua reintegração ou outro mecanismo que garanta a sua sobrevivência.
"Lembramos que são técnicos em manusear todo tipo de engenho explosivo", reforçou, sublinhando que em nenhuma parte do mundo se admitiria que alguém dotado dessas competências fosse maltratado.
No início do mês em curso, os efectivos da Casa Militar do Presidente da República, pertencentes ao Batalhão de Transportes Rodoviários, na província do Cuando Cubango, realizaram uma conferência de imprensa, em Luanda, em que lançaram o mesmo repto.
Dizem que o seu enquadramento foi legal e envolveu altas patentes das Forças Armadas Angolana (FAA), e altas figuras governamentais e do partido no poder, "para hoje sermos atirados à nossa sorte".
Diante do que consideram impavidez do general Francisco Pereira Furtado e considerando que todos esforços se revelaram insuficientes para produzir os resultados que pretendem, esses sapadores em coordenação com o referido batalhão dirigiram cartas ao Executivo, à Assembleia Nacional e seus respectivos grupos parlamentares, à sociedade civil, às embaixadas e igrejas no sentido de estarem a par da situação.
Dentre outros pontos, exigem a reposição dos salários em atrasos de todos efectivos, sem excepção; e reintegração do pessoal no regime laboral, para garantir o sustento das famílias.
"Depois da criação do Batalhão de Transportes, e devido aos constantes accionamentos de minas antipessoal, anticarro e antitanque, nas deslocações, sobretudo para os municípios do Cuito Cuanavale, Mavinga, Nankova, Rivungo, com base nas projecções feitas ao abrigo dos acordos de paz, em 2005, por intermédio do general Eusébio de Brito, dá -se o primeiro passo de enquadramento dos engenheiros sapadores desmobilizados de guerra", explicaram.
Disseram ainda que por não haver nenhum local indicado para acomodar os referidos sapadores, o comando da sexta Região Militar, actual Quinta Divisão de Infantaria da Região Militar Sul, decidiu disponibilizar a unidade do Batalhão de Transportes Rodoviários da Casa Militar do Presidente da República para albergá-los.











