Dia de África – 60 anos depois africanos continuam sem rumo e o futuro é sombrio
A 25 de Maio celebra-se o 60º aniversário da criação da Organização da União Africana (OUA), em 1963, em Adis Abeba, Etiópia, com o patrocínio de Haile Selassie. Na época, a incipiente organização pan-africana visava reunir os 32 estados que acabavam de conquistar a independência. Mas visava também ajudar os povos que ainda não eram livres a libertarem-se do jugo colonial.
Por: Na Mira do Crime
Passados 60 anos desde a fundação da Organização da Unidade Africana (OUA), hoje conhecida como União Africana (UA), a 25 de Maio de 1963, a situação no continente africano é alarmante e as estatísticas bastante sombrias em relação ao futuro dos povos africanos.
Em grande parte dos países permanece a miséria, os cidadãos nos seus respectivos países continuam a sofrer todo o tipo de crises, algumas impostas pelos próprios governantes locais, corruptos que só pensam no poder e na riqueza e nada querem saber do bem-estar dos povos, do progresso e desenvolvimento dos seus países e do continente em geral.
De acordo com especialistas, “os números sobre o estado da economia do continente-berço são sombrios”.
Veja-se que pelo menos 260 milhões dos mais de 800 milhões de habitantes de África vivem com menos de um dólar por dia, abaixo do nível de pobreza definido pelo Banco Mundial.
O mais recente relatório da ONU, World Economic Situation and Prospects Report 2023, indica que o produto interno bruto (PIB) total de África é de apenas 1% do PIB mundial e o continente participa com apenas 2% das transacções comerciais que acontecem no mundo.
África é o terceiro continente mais extenso (depois da Ásia e da América) com cerca de 30 milhões de quilômetros quadrados, cobrindo 20,3% da área total da terra firme do planeta.
É o segundo continente mais populoso da Terra (atrás da Ásia) com cerca de um bilhão e meio de pessoas, representando cerca de um sétimo da população mundial, e 54 países independentes.
Para os especialistas, “sendo o continente que apresenta uma das maiores taxas de natalidade do mundo, a população africana deverá duplicar até 2050, de 1,3 bilhão para 2,5 biliões de pessoas, o que representará, para os Governos, desafios hercúleos no que à melhoria das condições de vida diz respeito, na medida em que, na maior parte dos países, a oferta dos serviços fundamentais e de infra-estruturas está abaixo da taxa de crescimento populacional. Em outras palavras, a taxa de pobreza manter-se-á ascendente”.
Seis décadas se passaram desde 1963, muitos outros países tornaram-se independentes, incluindo Angola, o continente tem sido marcado por conflitos consecutivos, geralmente motivados por disputa do poder, pela ambição de governantes quererem eternizar-se no poder, pela alta corrupção de tais indivíduos, que geram crises políticas, golpes de estado constantes, disputas territoriais, rivalidades tribais, motivadas por questões étnicas ou religiosas; disputas por água e recursos minerais, o que vai mergulhando, cada vez mais, o povo na miséria.
Estes são, em grande parte, os cenários que se vivem actualmente em África: ditadura e corrupção na Guiné Equatorial causadora de instabilidade sem precedentes; guerra na República Democrática do Congo (RDC) que afecta a Região dos Grandes Lagos; conflitos na República Centro Africana em Moçambique, no Mali, Burkina Fasso, Níger, com previsão de alastramento a outros países como o Togo e o Benin; a nova guerra no Sudão; a Etiópia ainda vive as consequências do conflito de Tigray com a vizinha Eritreia, entre muitos outros tumultos espalhados pelo continente, apesar das mediações levadas a cabo a diversos níveis, como o que Angola tem feito na RDC e na Região dos Grandes Lagos, assim como a nível da própria União Africana.
O déficit de infra-estruturas é geral em África, constituindo, junto com a ausência de valorização dos recursos humanos, impeditivo a qualquer processo de desenvolvimento.
São duas prioridades fixadas nas cinco macro-regiões cuja solução depende da natureza das instituições nos diversos países. A este propósito recorde-se as recentes declarações do Papa Francisco em Kinshasa, que tocou alguns pontos sensíveis perante multidões que nenhum político africano consegue neste momento reunir.
Sem dizer nenhuma novidade, o Papa enumerou várias causas do subdesenvolvimento africano, já apontadas pelos movimentos sociais e lhes deu mais força moral.
A fragmentação do continente em um número excessivo de países – prática contrária ao panafricanismo – é um obstáculo suplementar, na medida em que a maior parte dos 54 países africanos não possuem condições materiais e humanas propícias ao desenvolvimento.
Por essa razão, a União Africana lançou um projecto de mercado comum continental e as entidades de integração sub-regional procuram suscitar mercados comuns à sua escala ou criação de moedas comuns. Denominadas Comunidades Económicas ou Comunidades de Desenvolvimento, elas estão presentes nas referidas cinco macrorregiões – Norte, Oeste, Centro, Leste e Austral –, dependendo a sua efectividade da implementação do próprio mercado comum africano, tarefa para duas ou mais gerações. A fase actual é de lançamento das bases, a primeira das quais é a democratização.
Sem ela, será impossível combater a concentração da riqueza frequentemente ligada à corrupção e definir prioridades.
Daí as Comunidades Económicas ou de Desenvolvimento sancionarem países com governos saídos de golpes de estado, ao mesmo tempo que a sociedade civil cresce por toda a África em total oposição a regimes autoritários.
Como se não bastasse, assiste-se em quase todos os países africanos a um êxodo sem precedentes.
Os cidadãos africanos, mesmo expondo as suas vidas a enormes perigos, estão a emigrar (fugir) para outros continentes, até crianças estão a ser levadas pelos progenitores apesar do expectro da morte que os ameaça, por exemplo, nas frágeis embarcações em que embarcam para atravessar o oceano.
Esses cidadãos, angolanos também, afirmam que preferem viver em outras latitudes, mesmo que tenham que sofrer as mais duras sevícias.
De certeza que esta não é a África sonhada pelos pais do panafricanismo.
Em meio a tanto desmando, geralmente criado pelos próprios governantes africanos, corruptos e vendidos às grandes potências, que continuam a sugar as riquezas do continente-berço, o dia 25 de Maio, que é provavelmente mais conhecido do que o dia da Criança Africana (16 de Junho), da Mulher Africana (8 de Agosto), do Escritor Africano (7 de Novembro) ou mesmo o dia da Industrialização de África (20 de Novembro), actualmente já não desperta nos africanos o entusiasmo transbordante de outrora!











