Proibidos de rezar: Muçulmanos do centro-sul do país ameaçam manifestar-se no Andulo
Fiéis muçulmanos do Conselho Islâmico de Angola (CONSIA), no município do Andulo, província do Bié, ameaçam manifestar-se contra a Administração Municipal por lhes proibir rezar e inviabilizar a construção de uma mesquita naquela circunscrição
Por: Jornal Pungo a Ndongo
A denúncia é do secretário-geral do CONSIA, ex-COIA, David Alberto Já, em entrevista exclusiva ao Pungo a Ndongo, tendo informado que a construção da aludida mesquita foi autorizada pela Administração Municipal do Andulo, após ter concedido uma licença para o efeito, mas volta e meia a comunidade foi surpreendida para parar com a edificação do templo, sob pretexto de a religião islâmica não estar reconhecida pelo Instituto Nacional para os Assuntos Religiosos (INAR), órgão do Estado vocacionado para a legalização
A parcela foi requerida à Administração Municipal do Andulo no dia 8 de Abril de 2019, e a construção foi autorizada pela administradora local, Celeste Elavoko Adolfo, após o pagamento de 81 mil e 200 kwanzas, tendo sido atribuído o título de concessão número 0021/2019.
A construção da mesquita arrancou no dia 12 de Abril e no dia 14 de Agosto de 2019 a comunidade recebeu uma notificação da administração, assinada pelo administrador adjunto do Andulo para os serviços técnicos e infra-estruturas, Garcia Caliqui, que informava a suspensão da edificação da mesquita até que o islão fosse reconhecido pelas autoridades angolanas.
Na notificação, fazendo fé nas declarações de David Já, o responsável da administração evocou incumprimento do decreto executivo conjunto número 454/18, de 16 de Outubro de 2018, que fala sobre a legalização das comissões instaladoras das instituições religiosas em via de reconhecimento, em que o CONSIA, sucessor da Comunidade Islâmica de Angola (COIA), encontra-se nesta condição.
Proibidos de rezar
Depois da suspensão da construção da mesquita, os fiéis também foram proibidos de continuar os seus cultos, que eram feitos numa pequena mesquita, estando assim mais de 600 fiéis, entre angolanos e estrangeiros privados de culto, sendo estes últimos, maioritariamente comerciantes e lojistas de comércio precário.
David Já informou que a Polícia Nacional, a mando da administradora municipal, tem estado a inviabilizar os crentes para rezar, e estes sentem-se discriminados pelo facto de em outras províncias os seus colegas continuarem a rezar sem impedimento das autoridades.
“Se aqui em Luanda, em Benguela, no Huambo, no Lubango, em Mbanza Congo, no Luena e noutras localidades os muçulmanos rezam, no Andulo não porquê?”, questionou-se o entrevistado, para quem o encerramento da única mesquita e a paralisação das obras da nova está a preocupar a comunidade islâmica, não só do Andulo, mas de todo o país.
Manifestação
David Já revelou que depois de vários contactos sem sucesso com a Administração Municipal do Andulo e com o Governo da Província do Bié, os muçulmanos prometem realizar uma manifestação pacífica, para reivindicar os seus direitos de rezar, à semelhança de outras confissões religiosas cristãs, que também aguardam reconhecimento, mas que continuam a adorar sem impedimento.
Garantiu que a mesma poderá ocorrer muito brevemente, e será feita junto da sede do Governo do Bié, e reunirá todos os muçulmanos que residem no centro-sul do país, como medida de pressionar o governo da província a reabrir a mesquita e reautorizar a construção da nova.
Dados disponíveis revelam a existência em Angola de mais de 800 mil fiéis, e 170 mesquitas, sendo o Leste de Angola com maior número de locais de adoração e também de crentes.
Refira-se que a Comunidade Islâmica de Angola tem como presidente, o angolano sheik Altino Miguel, tendo como ‘vice’ o economista e empresário Ibrahim Soummare, de nacionalidade senegalesa.
Entretanto, esforços envidados por este jornal, para ouvir a versão da Administração Municipal do Andulo e do Governo da Província do Bié, redundaram em fracasso, porque não atenderam às nossas chamadas telefónicas.











