NOTA NEGATIVA: Subvenção à gasolina, uma cantiga para boi dormir!
A subida do preço dos combustíveis, decidida pelo Conselho de Ministros no dia 01 de Junho, embora fosse uma medida já esperada, teve grande impacto na sociedade, deixando expectantes e bastante preocupados os cidadãos, atendendo anteriores experiências negativas quando se mexeu no preço dos combustíveis. Apesar das justificações e medidas complementares apresentadas pelo Executivo, a Nota é Negativa.
Por: Na Mira do Crime
O preço da gasolina no país está, desde o dia 02 de Junho do corrente ano, mais caro.
A gasolina, o combustível mais “consumido” na praça angolana, dobrou a tarifa, passando, por enquanto, a custar 300 kwanzas contra os anteriores Kz 160.
Enquanto o preço da gasolina já foi duplicado, o Governo anunciou que a retirada dos subsídios aos combustíveis será gradual, defendendo que a medida permitirá investir em áreas fundamentais para o país.
Dessa forma, mantêm-se inalterados, até ao final deste ano, os subsídios dos restantes produtos, como o gasóleo, o gás de cozinha, o petróleo iluminante e vai manter-se a subvenção ao sector agrícola e à pesca.
Contudo, como a experiência demonstra, sempre que o preço do combustível sobe, por mais ligeiro que seja, toda a sociedade mexe e, principalmente, a vida do cidadão torna-se mais complicada, pois, tudo encarece, os salários mantêm-se e perdem o poder de compra anterior.
Desta feita, quiçá para minimizar o baque inicial, garantiu-se que as tarifas dos taxistas e mototaxistas vão ser subvencionadas, continuando os mesmos a pagar 160 kwanzas o litro da gasolina, cobrindo o Estado a diferença, isto para que o preço dos transportes não altere.
Considerando que a medida já vem sendo anunciada desde antes da realização das eleições gerais de Agosto do ano passado, só não tendo acontecido, por causa mesmo das eleições, para não afectar o sentido de voto do cidadão em relação ao partido governante, sabia-se que mais dia menos dia acabaria por acontecer.
Esperava-se, entretanto, para um Governo que propala aos quatro ventos que está preocupado com o desenvolvimento do país, a diversificação da economia e o bem-estar dos cidadãos, que ao longo de vários anos, os governantes tivessem uma postura mais de acordo com o que divulgam, mais empenhadamente angolana, assim como uma visão clarividente dos próprios erros que comete e da real situação do país.
Justificar que, com a retirada dos subsídios ao combustíveis, vai beneficiar áreas como a educação, a saúde, a segurança social, a habitação social, combater o desemprego, “que é um grande mal que afecta sobretudo a nossa juventude", é realmente constrangedor e prova que o país que os angolanos pretendem vai continuar adiado.
Angola é um país produtor de petróleo em grande escala, mas que até hoje não consegue transformar o crude em derivados como a gasolina, gasóleo, petróleo iluminante, entre outros, por falta de infra-estruturas, apesar dos longos anos em que se anuncia a construção de refinarias.
É um país que explora, em grande escala, e exporta, diamantes, diversos tipos de minério, madeira, entre muitas outras riquezas, para além de muitos outros proventos, como a arrecadação de impostos e outros contributos, cujas aplicações, ao longo dos tempos, têm sido bastante duvidosas, mas beneficiam interesses obscuros de algumas pessoas, menos o próprio país e as suas populações.
Ao dar-se a entender agora que é o subsídio aos combustíveis que tem emperrado a melhoria de condições de vida no país e a retirada desses subsídios, principalmente da gasolina, é que vai “salvar a Pátria”, é no mínimo, “escarrar” na inteligência dos angolanos.
Ao longo dos tempos, grande parte dos governantes, têm sido os piores “funcionários” da função pública; auferem os maiores salários, beneficiam de todas benesses possíveis e imaginárias, passam a vida em viagens pagas pelo Estado, consomem tudo e nada fazem, a não ser discursos de circunstância elaborados no “laboratório”, fazendo crer que o que dizem é o certo e quando falam, qual milagre, também já está feito.
Como se não bastasse, são useiros e vezeiros em ostentar riquezas e mordomias, num claro contraste com o estado degradante do país e a miséria dos cidadãos.
Assim sendo, a retirada gradual dos subsídios aos combustíveis não passa de uma medida para o Governo proteger-se a si mesmo e quem paga a factura é o pacato cidadão.
As famílias, as empresas e o sector produtivo é que vão ser “sufocadas”. O resto é “cantiga para boi dormir”!











