Filhos de Savimbi ‘abandonam’ UNITA e abraçam fundação criada com nome do pai
Enquanto esboçam a sobrevivência histórica do seu pai, aos filhos do líder fundador da UNITA é dada uma batata quente, com duas opções difíceis: largá-la ou assumir a quentura e segurá-la com toda força possível.
Por: Márcia Mara
Empurrados para a lógica de que a imagem de Jonas Savimbi tende a ser ofuscada, dentro do partido, sobretudo depois do seu funeral, em 2020, a maioria dos seus filhos tende inverter essa lógica, relegando a UNITA em segundo plano e apostar fortemente na Fundação Jonas Malheiro Savimbi, ainda na forja.
Apesar de nada estar consumado, este Jornal soube de fonte segura que o projecto da fundação que, em princípio, deve ser liderado pelo ex-presidente da UNITA, Isaías Ngola Samakuva, é o 'plano B’ gizado pela família no sentido de manter acesa a vida e obra de Savimbi, morto em combate em combate, em 2002.
A actual liderança do maior partido na oposição tem feito o que pode.
O seu presidente Adalberto Costa Júnior, de que foi afilhado, tem carregado o nome de Savimbi nos seus discursos, mas as referências que tem feito não agradam, ao todo, os filhos que, agora, com maior abertura, tendem se aproximar mais ao partido no poder, por razões meramente de sobrevivência.
A fonte a que nos referimos considera avançados os contactos entre algumas personalidades ligadas ao poder e os filhos de Jonas Malheiro Savimbi.
"A ideia é afastá-los cada vez mais da liderança de Adalberto Costa Júnior e da política partidária, sob pena de bloquearem o processo da legalização da Fundação", assegurou.
Não restam muitas dúvidas que esses contactos estejam na fase final, com um resultado que se espera favorável ao abandono da vida político-partidária, já que para além do simples reconhecimento está o recebimento de muito dinheiro para pôr o projecto em marcha, conforme disse a nossa fonte que acompanha o processo a partir da África do Sul.
Considerando que uma boa parte dos filhos de Savimbi estão na diáspora e só Rafael Massanga, desde cedo, abraçou a política activa com a ocupação de cargos relevantes na direcção da UNITA, "não será tão difícil trazê-lo à Fundação, se tivermos em conta que a sua prestação na Assembleia Nacional assim como no partido baixou consideravelmente".
O facto de Araújo Kanganjo Tão Savimbi ter, na fase da campanha eleitoral de 2022, apelado ao voto a João Lourenço, dias depois de ser coptado para um cargo relevante na Embaixada de Angola no Senegal, por si só, denota dois vectores opostos: um que aponta para a uma evidente fragmentação da família do líder fundador da UNITA.
O outro que aponta para o abandono do partido por esses filhos que rondam aproximadamente três dezenas, mas que só um deu o peito à política partidária.
A outra filha, que é a Ginga Savimbi, tentou por pouco tempo, singrar ao lado de ACJ, mas, nos últimos dias, está longe dos holofotes partidários, havendo quem cogite a sua entrada no projecto da Fundação, fruto da negociata em curso.
Nascido a 3 de agosto de 1934 no Munhango, província do Bié Jonas Savimbi morreu a 22 de fevereiro de 2002, no Lucusse, província do Moxico. A 1 de junho de 2019 os seus restos mortais foram enterrados na Lopitanga, província do Bié.











