Simulação ou suborno? Governador de Luanda recusa ‘denunciar’ quem ofereceu caixa com avultadas somas de dinheiro
O Governador de Luanda, Manuel Homem, denunciou na segunda-feira, 19, a existência de um grupo de empresários que exercem a actividade comercial desordenada na capital, que fazem tudo para desencorajar o seu programa de reordenamento do comércio, com as tentativas de aliciamento.
Por: Carla Nayara
Homem avançou que está a receber alguma pressão de certos grupos que têm procurado alternativas para suborna-lo. Disse ainda que alguém o teria enviado uma caixa de montantes avultados, mas que a mesma já foi devolvida, e que seu pelouro está determinado em reorganizar o comércio em Luanda.
No entanto, é na devolução da dita soma avultada que vários segmentos da sociedade rebatem, não sendo normal que uma entidade como é o Governador de Luanda não saiba quando está perante um crime, e que é justamente a “bandeira de combate” da chefia que ele representa.
Recentemente, em entrevista a uma rádio local, Manuel Homem foi questionado se vai apresentar queixa da tentativa de suborno que o mesmo disse ter sido alvo.
O edil de Luanda e 1º secretário do partido que governa Angola e que tem a testa o combate à corrupção, disse apenas que está a tratar do assunto ao nível do Governo Provincial e que a seu tempo a situação será do conhecimento público.
Questionado se apresentaria alguma queixa às autoridades, voltou a responder apenas que está a tratar tudo a nível do Governo de Luanda “e quando for possível todos vamos saber”.
Jurista defende exoneração imediata do governador
Contactado por este jornal, um jurista de renome da nossa praça e que não quis ser identificado, disse que a declaração do Governador de Luanda é muito grave e “num país sério” o mesmo deveria ser alvo de investigação.
“O que as pessoas querem saber é como é que esta pessoa que levou a caixa de dinheiro até ao gabinete do Governador. Há câmaras, ou pelo menos deveriam existir câmaras no Palácio do Governo de Luanda, e aí podemos aferir com facilidade quem é a pessoa que tentou subornar o Governador Manuel Homem e quais foram os meios usados para chegar até ele, uma vez que, para termos acesso a alta entidade de Luanda, temos que marcar audiência”, observou.
Para o especialista, até agora nada prova que tudo não passa de uma simulação do Governador, porque, continuou, não basta uma pessoa com as responsabilidades que tem Manuel Homem, sair a público e dizer que recebeu uma caixa de somas avultadas no seu gabinete e simplesmente mandou devolver.
“Há necessidade de se despoletar rapidamente uma investigação para aferir os factos” disse.
Segundo o nosso entrevistado, no caso dessas pessoas estarem identificadas, deve se ordenar audição das mesmas para sabermos o que de facto se passou.
“Estamos a falar do representante do Presidente da República em Luanda. Foram dólares? Foram Kwanzas? Por que que o Governador não mandou apreender os valores e ordenou a detenção do cidadão ou cidadã em causa se ele tinhas todos estes meios em sua posse? Será que o mesmo devolveu a caixa do dinheiro ou ficou com ele? Ou ainda com um seu funcionário? Quantas vezes não assistimos casos de apreensões de valores que depois de transitar em julgado, tomamos conhecimento que afinal o dinheiro era muito mais do que foi apresentado?”, questionou, acrescentando que até agora nada prova que não foi o próprio Governador que pediu o próprio dinheiro
De acordo com o jurista, pelo facto de Manuel Homem não ter alertado a Polícia há tempo nem apreendido os valores, tão pouco colaborado com as autoridades já deveria ser exonerado.











