Autarquias: Bornito de Sousa dá "empurrãozinho" à oposição e sociedade civil
Com a oposição e a sociedade civil a gizarem estratégias para exercerem uma pressão sem precedentes no sentido de forçar o Executivo de Manuel Gonçalves Lourenço a convocar as eleições autárquicas, começam a surgir vozes, antes caladas, no seio do MPLA, a reforçarem a necessidade de esse tipo de eleições acontecerem o mais depressa possível. Uma dessas vozes é do ex-Vice- Presidente da República, Bornito de Sousa.
Por: Mara Márcia
Considerado um dos laboratórios do partido no poder, Bornito de Sousa, nas suas abordagens sobre a real situação do país nunca foi tão incisivo como o foi no Primeiro Fórum de Energia e Ambiente, realizado recentemente em Luanda, em que criticou, questionou e sugeriu soluções para a saída do subdesenvolvimento, da pobreza, do analfabetismo, da falta de hospitais.
O seu saber, enquanto Professor Doutor, nunca foi posto em causa. Só que, os recados que deixou no fórum pareciam novos que não os pude deixar nem nas vestes de Presidente do Grupo Parlamentar do MPLA, nem como Ministro da Administração do Território e, há cinco anos, como Vice-presidente da República.
Foi uma intervenção polida, pois expôs algumas falhas da actual governação e passou fórmulas conducentes a uma Angola melhor, onde a prosperidade fale mais alto.
Começou por defender uma aposta séria no capital humano. Mas, para isso, considerou necessárias melhorias na educação, saúde e boa governação.
Olhando para os programas a longo prazo com que o actual Executivo conta, Bornito de Sousa questionou se o sistema de ensino hoje está a preparar os jovens para 2050; se os planos curriculares estão ajustados a 2050; se os professores também estão preparados para cumprirem a sua missão.
Considerou que o combate à pobreza faz-se pela promoção do desenvolvimento local, pela capacitação dos jovens, das comunidades, capacitá-las a serem elas próprias a desenvolverem as coisas.
O facto de ser alguém ligado ao MPLA, do qual já foi e ainda é alta figura, a trazer à luz pressupostos para o desenvolvimento, nos últimos dias, presentes no discurso oficial, mas ausente na aplicabilidade, animou alguns sectores da oposição que consideram não estarem sozinhos nessa lógica.
O assunto que faz com que as forças políticas na oposição roam as unhas ante a indefinição da sua discussão completa na Assembleia Nacional é a descentralização do poder, que o Doutor Bornito de Sousa considera como um mecanismo para desenvolver o País.
Embora tenha falado "indirectamente", tal como admitiu, referiu-se à importância das autarquias locais, "que são uma emergência, uma prioridade".
Nos últimos anos, embora já se tenha dado um passo para a conclusão da elaboração do pacote autárquico, a sua conclusão está condicionada ao seu agendamento que, como é evidente, depende do partido no poder. As outras Forças políticas são arrastadas de qualquer maneira.
A oposição e a sociedade civil vêem, assim, incorporada na sua lógica de pressão para que as eleições autárquicas se realizem e o poder local seja instituição, mais um intelectual bem cotado que, deu com a sua intervenção no referido fórum, mais um empurrãozinho.











