Águas agitadas no galinheiro: Colaboradores directos estudam fórmulas de afastar ACJ da presidência
Nunca, desde que há registo, um presidente de um partido político, foi perseguido até pelos seus principais colaboradores, como acontece com Adalberto Costa Júnior (ACJ), que, desde a sua primeira eleição, em 2019, foi e ainda é combatido, de forma insaciável, pelos seus adversários internos e externos.
Por: Na Mira do Crime
Se os externos já são conhecidos, porque foram sempre adversários, os mais perigosos acabam sendo os internos, com probabilidades e facilidades de fazerem mais estragos. Estes, sim, existem e se organizam dia e noite, para "travar" o actual líder que, se mais mestria não tiver, poderá tropeçar numa corda esticada pelos seus principais colaboradores.
Aqueles militantes expulsos da UNITA, no seu todo, eram fiéis ao anterior líder, Isaías Samakuva. Na "capoeira", nos dias que correm, falar dos feitos de Samakuva é falar de um "traidor" que, segundo se diz, "come com o adversário", pois entendem que a sua relação com João Lourenço é muito profunda. E mais: consideram que o facto de os expulsos e suspensos estarem contra a actual liderança denota claramente a facilidade que terão de alinhar-se com qualquer militante que aspirar à liderança do partido.
E este número tende a crescer na mesma velocidade que cresce a popularidade de ACJ. A estratégia da outra parte é trabalhar, enquanto cedo, no sentido de tirar do caminho quem frustra os seus planos de, um dia, atingirem também a presidência da UNITA.
Mais um motivo para se concluir que estes acabam sendo mais perigosos, pois seguem todos os passos do político.
O que falta agora, diz uma fonte partidária, é expandir essa vontade ao maior número possível de militantes. Só que, para isso, há um caminho longo a percorrer.
As fontes que temos vindo a citar referem que o facto de ACJ ter anunciado, no início do mês de Junho, que iria candidatar-se, galvanizou os seus apoiantes cujo número recomenda-se ter em conta.
Agora que o plano de alguns companheiros seus pretenderem tirá-lo do poleiro foi praticamente exposto, o actual presidente da UNITA procura fórmulas para não criar tanto alarido, tal como procedeu aquando das eleições de 2022, quando alguns dirigentes do partido foram acusados de terem recebido milhões de Kwanzas para atrapalhar a contagem paralela, indica a nossa fonte.
"Hoje em dia, não se fala mais desses dirigentes que terão recebido dinheiro do outro lado", disse a fonte, assegurando que internamente já são conhecidos aqueles que pretendem criar uma frente contra ACJ.
Uma terá à sua testa um dos principais colaboradores do actual presidente, como já foi dito supra. A outra que está a ser forjada por alguém "com fins não muito assentes na linha política do partido".
Este último, sempre em harmonia com a nossa fonte, deverá usar militantes suspensos e expulsos do partido que, actualmente, são acusados de servir a secreta angolana.
Quanto à primeira frente, internamente, considera-se normal que surja, mas o facto alegadamente estar constituída por pessoas consideradas delfins de ACJ, traz sinais estranhos, mas a ter em conta.
A inclusão, no plano, para além de familiares de Jonas Savimbi, de figuras como Lukamba Gato, Marcial da Dachala, Evaldo Evangelista, do actual Secretário -Geral do partido, Álvaro Chikwamanga, Simão Dembo (Vice-Presidente do partido), Sandra Kakunda, Diamantino Mussokola, Gaio Kakoma, Bila (Secretário Municipal de Viana), Secretários Provinciais do Namibe e do Moxico, por si, demonstra que se trata de uma agenda séria.
Fontes independentes não acreditam que, em dois anos, surja um movimento capaz de destronar ACJ da liderança da UNITA, porque ele acaba por ser mais consensual do que era Isaías Samakuva, durante 16 anos que esteve à frente do partido.
"A não ser que pretendam simplesmente animar o congresso, tal como fez José Pedro Kachiungo", considera a fonte. Nas entranhas da questão sobressai a ideia já confirmada por alguns, de que mais um mandato na presidência da UNITA, faria com que ACJ criasse escudos para permanecer no cargo até completar o terceiro mandato.











