Angola regista 142 casos – Mulheres e crianças principais alvos do tráfico de seres humanos
Segundo especialistas de organizações internacionais, o tráfico de seres humanos é um crime lucrativo e ainda oculto, com os criminosos a operarem em "campos escuros" que envolvem parentes e amigos das vítimas
Por: Na Mira do Crime
Inserido na Estratégia Nacional dos Direitos Humanos, Angola aprovou, em 2020, o primeiro Plano de Acção Nacional para Prevenir e Combater o Tráfico de Seres Humanos no país, com o objectivos de prevenir o tráfico de pessoas, proteger e assistir as vítimas de tráfico, responsabilizar os criminosos de uma maneira séria e eficaz, incrementar as investigações e promover a cooperação nacional e internacional, a fim de se atingir os objectivos preconizados.
As autoridades angolanas, apesar de não poupar esforços no combate ao referido crime, registaram nos últimos 8 anos, 142 casos de tráfico de seres humanos.
A informação foi avançada segunda-feira (03), pelo director nacional dos Direitos Humanos, Yannick Bernardo.
Falava à margem do “workshop de formação e sensibilização em tráfico de seres humanos” para profissionais da comunicação social, o responsável salientou que, neste contexto, tiveram lugar condenações em 26 processos e a absolvição de três.
No quadro do combate a esse tipo de tráfico, referiu que “existe, desde 2014, uma Comissão Interministerial que traça estratégias para contrapor as acções ligadas ao tráfico de seres humanos”. Segundo o director nacional dos Direitos Humanos, “o país é propenso ao registo de casos de tráfico de seres humanos devido a vasta fronteira, o que leva as autoridades nacionais a estarem cada vez mais atentas”.
Yannick Bernardo realçou que, em virtude dos efeitos nefastos desses actos, é necessário que os órgãos de comunicação social ajudem na sensibilização da sociedade em relação ao fenómeno.
O encontro de capacitação sobre tráfico de seres humanos conta com a participação de 25 jornalistas de diferentes órgãos públicos e privados.
Na visão da Organização Internacional para as Migrações (OIM) em Angola, o workshop tem como objectivo capacitar e sensibilizar os profissionais dos órgãos de comunicação social para que possam consciencializar as pessoas sobre as consequências e os perigos do tráfico de pessoas, assim como noticiar casos de tráfico de maneira sensível e responsável.
A ideia surge da necessidade dos média usarem o papel e poder de educar e sensibilizar o público para as manifestações do tráfico de pessoas, bem como seguir uma política cuidada e vigilante relativamente aos anúncios por publicar, que podem inadvertidamente ajudar os traficantes a explorar as suas vítimas.
Em Angola, as mulheres e as crianças continuam a ser as principais vítimas de tráfico, sobretudo no período de férias escolares, pelo que os seus responsáveis, pais e encarregados de educação, devem ter sempre o maior controlo dos petizes.
Luanda, a capital do país, tem sido apontada como a localidade onde se regista o maior número de casos de tráfico de seres humanos, seguindo-se as províncias fronteiriças do Cunene, Zaire, Uíge, Lunda-Norte e Cabinda.
Apela-se às famílias, comunidades e instituições, para que intensifiquem a vigilância e façam a monitoria na circunscrição de pessoas suspeitas.











