Ninguém lhe segura - João Lourenço só depende si para cumprir terceiro mandato
Estamos a quatro anos das próximas eleições gerais, mas as águas já se agitam, no campo político com a possibilidade de João Lourenço candidatar-se para o terceiro mandato a ser colocada por cima da mesa.
Por: Mara Márcia
Juristas, políticos e fazedores de opinião, de uma maneira geral, questionam o que poderá levar o MPLA a caucionar tal hipótese, numa altura em que o maior partido na oposição garantiu não existirem condições nem legais, nem políticas para que tal aconteça.
Até agora, nenhum opinion-maker, dentro ou fora do sistema político angolano, vaticinou o que vai, na verdade, na mente dos militantes mais conceituados do MPLA, no que diz respeito a um possível terceiro mandato de João Lourenço.
Se é verdade que dentro do partido no poder há gente que nem deseja ouvir especulações sobre eventual terceiro mandato, há quadros a abrirem alas e a estenderem o tapete para Lourenço passar sem menor dificuldades rumo ao terceiro mandato.
Um debate aqui, outro debate acolá, o número desses quadros vai aumentando, como se houvesse alguma garantia de sobrevivência.
Do mesmo modo, há outros que se opuserem a esse desígnio, agarrando-se a Constituição que, em seu entender, não dá qualquer hipótese.
A Constituição da República de Angola, à luz dos resultados eleitorais de 2022, não dá azo a um terceiro mandato. A questão afigura-se legal e não política.
No entanto, como se de uma estratégia se tratasse, o assunto sobre o terceiro mandato de Lourenço, volta e meia, é trazido ao debate público, com alguns comentaristas a procurarem todas as possibilidades.
No último final de semana, num dos debates realizados nas rádios da capital angolana, um convidado, por sinal militante do MPLA, disse, embora de forma hipotética, que o debate sobre a questão em causa é desnecessário, por enquanto.
Mas acredita que bastava João Lourenço e uma boa parte dos militantes quererem para acontecer. Acrescentou que se a Constituição veda essa possibilidade, politicamente "há muito espaço para manobras".
Uma delas é permitir que o actual Chefe de Estado seja o número dois na lista de candidatos a deputado e, por isso, candidato a Vice-presidente da República, nas eleições de 2027.
Caso o MPLA ganhe por alguma razão legal ou bem ensaiada, o presidente da República deixaria o poder e ser substituído pelo seu Vice-presidente, no caso João Lourenço.
Procedendo dessa forma, dar-se-ia muita curva, mas a fonte do MPLA diz ser uma hipótese que não pode ser posta de parte.
Com a popularidade do partido no poder a atravessar o seu pior momento desde que há registos, espera-se que a elevação do assunto a debate nas hostes partidárias poderá ser um acto de muita coragem, determinação e trará à baila acessos debates.
A oposição angolana, mormente a UNITA, fez saber, peremptoriamente, que "não haverá terceiro mandato de João Lourenço".
De acordo com o Presidente do Grupo Parlamentar da UNITA, Liberty Chiyaka, "não há condições políticas ou legais para que tal aconteça", do mesmo modo que garantiu que em 2027 não haverá mais tanques de guerra e tropa nas ruas durante o período eleitoral.
Com o andar da carruagem será interessante acompanhar minuciosamente os passos a serem dados para termos Lourenço no terceiro mandato ou um outro militante do partido que governa Angola desde 2027.











