Refriango, Castle, Nouble Group e Angoalissar são grossistas e retalhistas ao mesmo tempo - Restenym Henriques
O assunto de fabricantes e importadores que também são retalhistas é do domínio da Entidade Reguladora da Concorrência de Angola (ERCA), constituindo um grande problema porque destrói a cadeia de distribuição, além disso, destrói o emprego e têm um enriquecimento na vertical
Por: Matias Miguel
Restenym Henriques, presidente da Associação de Grossistas e Distribuidores de Alimentos de Angola (AGDAA), considera um tremendo atropelo à lei nº 1/04, de 13 de Fevereiro, das sociedades comerciais, nos artigos 104º a 206º, o fabricante ou importador, por um lado e de outro, o grossista, retalhista e o consumidor final.
Estes, ao assumirem a cadeia de distribuição, não só destroem a engrenagem de distribuição, o emprego, obtendo um enriquecimento na vertical, porque ao produzir e ao mesmo tempo ao efectuar o retalho, apenas eles é que lucram e ganham dinheiro.
Para Restenym Henriques, em entrevista a este Jornal na sexta-feira (7), às 12 horas, “o assunto é do domínio da Entidade Reguladora da Concorrência de Angola (ERCA); este é um grande problema porque destrói a cadeia de distribuição, além disso tem o factor emprego, destrói o emprego, e têm um enriquecimento na vertical”.
“Ele produz ou importa, cria a cadeia de distribuição, leva o produto ao retalho e ao consumidor, dentro deste circuito funcional apenas ele é que ganha dinheiro. A lei regula que os fabricantes devem vender ao grossista, este vende ao retalhista e este para o consumidor final; é assim que a economia gera dinheiro, empregos e desenvolve-se, os intervenientes ganham, o que esta acontecer é monopólio”, acusa.
O responsável questiona a quem pertence o grupo Arreiou, a Fresmart, o Grupo Castle, Noble Group, Agoalissar, para citar apenas alguns, “estes não geram riqueza para a economia angolana, têm uma riqueza na vertical, assim não poderemos falar de investimentos em Angola, se não existe poupança”.
“Nós retalhistas não estamos a ganhar, logo não conseguimos poupar dinheiro, estamos é a fazer resistência, mas até quando?”, protesta.
Isso é o que se quer saber do Governo, que deveria potencializar o empresariado nacional, em África contam-se os países com esta visão.
Governo é culpado Restenym acrescenta: “Gosto de ver o problema na montante e não na jusante”, recorrendo a um adágio popular disse que “para curar uma doença, temos que fazer o diagnóstico real”.
Na sua visão, há quatro meses, o mercado tinha equilíbrio em matéria cambial. “O desequilíbrio só aconteceu quando surgiu a falta de divisas no mercado; é óbvio que isso acarreta consequências previsíveis e estão aí à vista: em outra linguagem, o importador adquire os produtos em divisas no exterior”.
“O mercado é que força o empresário a alterar o preço, aqui não há especulação, a estabilização de preços é matéria macroeconómica; o Governo é que tem de estabilizar os preços, a moeda, só assim conseguirá ter estabilização económica”, disse.
Recordando o livro “Estabilizar a Economia e Valorizar o Kwanza”, de sua autoria, descreve isso, frisou.
“Angola necessita de um projecto de economia, isso cinge-se em criar produção nacional na agricultura e indústrias; quando investirmos nestas áreas, vamos cortar uma cota do mercado externo de importação”, sugeriu.
Se continuarmos a viver de importação o dinheiro vai sempre oscilar, principalmente sempre que houver escassez de divisas no País.
“Isso é um processo a longo prazo; os empresários angolanos têm que ser mais dinâmicos, audazes e observarem outros mercados na região, para buscarmos divisas, para isso temos que vender o nosso produto”, alertou.
“Sem medo de errar, estamos numa concorrência desleal com os grandes (importadores e fábricas)”, lamentou.











